O início do petróleo no mundo

A primeira descoberta de petróleo, com repercussão comercial, ocorreu nos EUA, em 1858.

O registro da participação do petróleo na vida do homem remonta a tempos bíblicos. Na antiga Babilônia, os tijolos eram assentados com asfalto e o betume era largamente utilizado pelos fenícios na calafetação de embarcações. Os egípcios o usaram na pavimentação de estradas, para embalsamar os mortos e na construção de pirâmides, enquanto gregos e romanos dele lançaram mão para fins bélicos. No Novo Mundo, o petróleo era conhecido pelos índios pré-colombianos, que o utilizavam para decorar e impermeabilizar seus potes de cerâmica. Os incas, os maias e outras civilizações antigas também estavam familiarizados com o petróleo, dele se aproveitando para diversos fins.

A primeira descoberta de petróleo, com repercussão comercial, ocorreu nos EUA, em 1858. Logo, surgiria naquele país um famoso magnata do petróleo, Rockfeller, dono da Standard Oil, que, sem demora, se impõe como verdadeiro império petrolífero. Para competir com essa potência, aparece a Shell.

No Oriente Médio, a primeira exploração de petróleo se deu na primeira década do século passado, por iniciativa do inglês, William Knox D’Arcy, que conseguiu do governo do Irã (na época, Pérsia) a concessão de mais de dois terços do país, para exploração por 60 anos. William logo se uniria a outros grupos privados, criando a empresa petrolífera, Anglo-Persian.

Mais tarde, em 1914, o governo inglês se interessa por ela, devido à importância do petróleo num momento em que essa fonte de energia já era muito usada no mundo e, sem demora, torna-se dono da maioria das ações dessa empresa. É o surgimento da primeira estatal do mundo.

Os ingleses levavam a quase totalidade dos lucros provindos do petróleo, deixando apenas migalhas para o Irã. Faziam o mesmo em outros países do Oriente Médio, onde também imperava seu controle sobre a produção e o comércio de petróleo.

Por seu lado, vendo sua riqueza principal sendo levada, não só pela Anglo-Persian (Anglo-Iranian), como também pela Shell e multinacionais americanas, que, igualmente, já avançavam na região, os países do Oriente Médio começam a se revoltar e a impor regras de participação nos lucros da produção de petróleo, tendo de enfrentar conspirações e, até mesmo, ações militares de potências que estavam por trás de tais empresas. Crescia o sentimento nacionalista na região. Em 1951, o governo de Mossadeg decide nacionalizar a Anglo-Iranian. Vem a reação da Inglaterra e outras potências capitalistas. Ocorre o bloqueio à venda do petróleo iraniano. A economia do país entra em colapso, e o governo americano, através da CIA, organiza um golpe de Estado para derrubar Mossadeg, chefe do governo nacionalista do Irã. O xá, Reza Pahlevi, homem de inteira confiança dos americanos e ingleses, é colocado no poder.

Esse golpe não inibiria as lutas nacionalistas do Oriente Médio, e as vitórias começam a acontecer. Os países começam a melhorar, significativamente, sua participação nos lucros do petróleo. Dessa marcha, nasce a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Derrota para as multinacionais do petróleo. E, no início dos anos 70, vem a escalada de nacionalizações das empresas petrolíferas. Os árabes demonstram que jamais desistiriam de serem donos de seu petróleo.

Nesse contexto, com os Estados Unidos na condição de maior dependente e maior consumidor mundial de petróleo, outra coisa não se poderia esperar deles senão atos de agressão a países da região; o que explica, não só a ação militar contra o Iraque em 1991, como também a criminosa invasão desse país em 2003, verdadeira guerra de extermínio contra um povo.

Assim ao longo do tempo, o petróleo foi se impondo como fonte de energia. Hoje, com o advento da petroquímica, além da grande utilização dos seus derivados, centenas de novos compostos são produzidos, muitos deles diariamente utilizados, como plásticos, borrachas sintéticas, tintas, corantes, adesivos, solventes, detergentes, explosivos, produtos farmacêuticos, cosméticos, etc. Com isso, o petróleo além de produzir combustível, passou a ser imprescindível às facilidades e comodidades da vida moderna.

Fonte:
Fundamentos de engenharia de petróleo / José Eduardo Thomas, organizador. – 2.ed.- Rio de Janeiro: Interciência: PETROBRAS, 2004.
ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento