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O incêndio do Museu Nacional: os responsáveis e culpados são as pessoas que administram a coisa pública
O incêndio do Museu Nacional: os responsáveis e culpados são as pessoas que administram a coisa pública

O incêndio do Museu Nacional: os responsáveis e culpados são as pessoas que administram a coisa pública

Uma coisa é certa: o incêndio do Museu Nacional foi consequência de uma série de erros que foram cometidos por um período muito grande de anos

Não dá para voltar ao passado, logo não dá para evitar o incêndio. Assim, a questão é o que se pode aprender com esta tragédia para que erros de grande magnitude não sejam cometidos novamente. Inclusive, para que o Brasil não se transforme num imenso Museu Nacional. Mas uma coisa é certa: o incêndio do Museu Nacional foi consequência de uma série de erros que foram cometidos por um período muito grande de anos. Assim, duas coisas são básicas: identificar estes erros e os responsáveis e culpados pelos mesmos. E evitar explicações simplórias e equivocadas como, por exemplo, que a causa do incêndio foi um balão. Mesmo que tivesse caído um balão, será que os administradores do Museu desconheciam esta possibilidade? E o que fizeram a respeito?

Tenho ouvido muitas explicações sobre as causas do incêndio do Museu Nacional. O historiador Eduardo Bueno, o Peninha, diz que “todos somos responsáveis pelo incêndio”. Outro historiador, o Marco Antônio Villa, diz que “o culpado é a elite brasileira”. Mas aí cabe uma pergunta: fui eu, você, ou a elite brasileira quem escolheu o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro ou o diretor do Museu? Eu posso garantir que não fui eu e também não foi você. E o mesmo também vale para a elite brasileira.

Portanto, é fundamental chegar à essência da questão. Você já imaginou que destino teria uma empresa cujo executivo principal fosse escolhido por votação entre o seu corpo de funcionários? Com toda certeza não teria vida longa. Assim, a grande questão é saber o que estas pessoas entendem de Administração, sempre lembrando que a Administração não é apenas uma disciplina cognitiva, mas também comportamental. Isto significa que uma pessoa pode ter lido todos os livros de administração e feito MBAs e coisas parecidas, e mesmo assim não ser um bom administrador. Portanto, ajuda o conhecimento de modelos de bons administradores e comparar estes modelos com o Reitor da UFRJ e com o Diretor do Museu.

Um modelo de executivo foi, com certeza, Jack Welch. Não só pelo crescimento que proporcionou à GE, mas também pelo número de livros que tratam da forma de Welch administrar. E Welch tinha duas características básicas: a primeira era a paixão por vencer ou determinação implacável. Sem paixão por vencer ninguém sai da área do conforto e é capaz de grandes realizações. E a administração pública, ao nível estratégico não pode ser exercida por pessoas que fiquem na área do conforto. Estas pessoas jamais serão capazes de grandes realizações. O segundo ponto fundamental é a capacidade de decidir e agir com inteligência e sabedoria. Mas para tanto, é preciso saber avaliar. Warren Buffett, uma das maiores fortunas do planeta, considerou que uma das principais razões do seu sucesso se devia à sua capacidade de avaliar. E entre as decisões básicas que um administrador público deve tomar está a questão da prioridade dos recursos. Portanto, se os recursos são escassos, é básico estabelecer a prioridade dos mesmos. Assim, cabe uma pergunta: de zero a dez, qual a prioridade que o Reitor e o Diretor do Museu deram? Com certeza é próximo de zero. É em função disto que tudo o que já se havia constatado sobre a imensa possibilidade do Museu pegar fogo foi descartado. Fios desencapados e uma série de outros perigos. Mas vamos supor que fosse definida uma prioridade correta e mesmo assim faltassem recursos federais. É aí que vai uma das grandes diferenças entre os administradores competentes e os incompetentes. Tendo em vista a grande importância do Museu Nacional, poderia se fazer uma grande campanha nacional para arrecadação de recursos. E pode ter certeza que não faltariam recursos.

Assim, competência administrativa aos níveis estratégico, tático e operacional é a questão. Há alguns anos, quando aconteceu o milagre japonês, houve uma série de explicações para o mesmo, como os Círculos de Controle de Qualidade, os hinos das companhias e muitas outras coisas. Kenichi Ohmae estudando a questão constatou que tudo isto eram explicações simplistas e simplórias, e que a verdadeira razão do milagre japonês estava na mente dos seus estrategistas. Portanto, sem administração pública competente, inclusive no ensino e na cultura, o Brasil corre o risco de se transformar num imenso Museu Nacional.

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