O impacto do ambiente na economia

Todas as perspectivas da sustentabilidade devem ser consideradas de forma coerente, fazendo parte da estratégia e das decisões da empresa, sendo compreendidas como vitais

A sustentabilidade sempre foi vista como secundária nas decisões, seja das empresas, dos governos e da sociedade, sendo acusada de ser um mero custo. Comumente é vista como algo bonito mas utópico, sendo considerada coisa de ambientalista radical, “ecochato”, etc. Infelizmente estes indivíduos existem e produzem pesquisas e trabalhos baseados em uma visão distorcida. No entanto, a sustentabilidade contempla os aspectos econômico, ambiental e social, defendendo uma abordagem integrada em que os três aspectos precisam ser desenvolvidos de forma a saírem ganhando, ou seja, o próprio conceito de sustentabilidade discorda de que o ambiental e social devem gerar custos. Em um primeiro momento isto até pode acontecer, mas é algo momentâneo até que que o equilíbrio seja atingido.

Recentemente o país entrou em alerta devido a crise hídrica vivida, principalmente, em São Paulo. O que ocorreu é pauta para um debate muito amplo mas analisaremos a questão de uma forma genérica, considerando que houve falta de atenção e investimentos no fator ambiental, seja por parte do Estado e das empresas, para manter a qualidade e disponibilidade dos corpos hídricos. Isto poderia ter sido feito com investimentos em melhorias dos sistemas produtivos para utilizar água de forma eficiente, promovendo o reúso da água, evitando desperdícios, tratando de efluentes, etc. Até pouco tempo atrás investir nisto era custo, no entanto, poderia ter sido um amenizador relevante para o impacto econômico que vai crescendo. Além dos indiscutíveis transtornos que a falta de água causa na vida humana, a mídia pouco mostra a situação das empresas, que amargam custos e transtornos com caminhões pipa, perfuração de poços e em alguns casos até mudança para outras cidades, a fim de poder continuar produzindo.

Voltando ao inicio desta reflexão podemos retomar o equilíbrio entre as perspectivas da sustentabilidade. Primeiro o desequilíbrio aconteceu entre econômico e ambiental e agora o ambiental impacta o social e puxa o econômico lá para baixo. Isto mostra como o sistema deve ser equacionado de forma equilibrada, ou seja, econômico, ambiental e social devem ser tratados de forma equitativa. E vale aqui lembrar que equidade não é o mesmo que igualdade. Com equidade a intenção é defender que todas as perspectivas da sustentabilidade devem ser consideradas de forma coerente, fazendo parte da estratégia e das decisões da empresa, sendo compreendidas como vitais. Porém isto não significa que o retorno financeiro deve ser aplicado igualmente entre ambiental e social, até porque assim as empresas perderiam seu foco e poderiam se transformar em ONGs assistencialistas. A sustentabilidade não caminha contra o capitalismo e quando gerenciada de forma inteligente pode potencializar os retornos das empresas.

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