O foco é reduzir custos, não investimentos

Administrar um negócio é administrar o seu futuro, e o futuro do negócio está sendo escrito hoje.

Aqui estamos nós na adolescência do capitalismo brasileiro, uma adolescência globaliz

ada.

Adolescência é um período meio chato, implica uma certa indefinição – nem infância, nem idade adulta - ou seja, conflito!

Rebelde sem causa como todo bom adolescente, a nossa economia se rebela através de seus agentes contra a “opressão dos pais” (governo) querendo o que ele tem de melhor, o paternalismo e, banindo o que tem de pior, a cobrança (de impostos, por exemplo).

Vivemos sob a égide de um governo que não fez a lição de casa e sempre possuiu apenas dois mecanismos desgastados para gerenciar sua dívida: inflação (agora indesejada) e aumento da carga tributária (que continua sendo utilizada talvez, até o coma do paciente).

Assim, nós empresários e administradores que cometemos o grave “crime” do empreendedorismo - no Brasil sucesso é um desacato - e sofremos a “maldição” da prosperidade, afinal ela traz independência, temos mais uma vez que encontrar maneiras inovadoras para sobreviver!

Como, historicamente, as margens da grande maioria dos negócios vêm decrescendo somos “convidados” a rever nossos custos para conseguirmos preço competitivo em um, mais que prostituído mercado global (compare o custo da mão de obra “escrava” dos trabalhadores chineses com os nossos e você entenderá o que digo).

Começa a saga dos cortes de custos...

Rever os custos é algo saudável, teoricamente sempre existe um nível de custo menor (inteligente e estrategicamente calculado) no qual podemos otimizar a nossa competitividade em níveis de qualidade total.

A incoerência e o problema aparecem quando o foco obsessivo no corte de custos começa a engolir tudo o que vê pela frente, inclusive, os investimentos.

Falta compreender que existem dois tipos de custo e dois tipos de investimento: os tangíveis e os intangíveis.

Os tangíveis são fáceis de achar, costumam aparecer nas planilhas e balanços. Já os intangíveis estão na esfera da estratégia, gestão do capital intelectual e gestão de idéias e pessoas e não aparecem nem nas planilhas nem no balanço.

Por acaso você conhece muitas empresas que tem um balanço da satisfação e motivação dos seus funcionários?

Uma planilha das não conformidades estratégicas?

Um balanço das idéias não aproveitadas?

Aqui está a grande questão. Observe o varejo. Quando a economia “esfria” a primeira coisa que o varejista faz é cortar seus “custos” (ele pensa que são custos) com comunicação e acaba sofrendo uma diminuição em suas vendas mais que proporcional por este banal erro estratégico (adequar nossa verba de comunicação à nova realidade é uma coisa – cortar a verba de comunicação é outra bem diferente).

Coisas semelhantes ocorrem no universo corporativo, onde gestores movidos por similar ilusão cortam investimentos previstos no desenvolvimento dos talentos que perfazem o capital intelectual e inovador do negócio.

Esquecem-se do caráter cíclico da economia de mercado, pisam firmemente no freio e na hora da retomada do ciclo ascendente tentam acelerar mais do que os motores podem agüentar – seria melhor ter mantido uma velocidade média no percurso (questão simples de física colegial).

É preciso tomar muito cuidado e cortar somente os custos sem afetar os investimentos, principalmente os investimentos intangíveis que não se refletem em números no curto prazo, mas, serão os responsáveis pelos números do longo prazo.

Ao focar a redução de custos, lembre-se de olhar também os custos intangíveis: o boicote interno à implantação de novas idéias e os desgastes oriundos de relacionamentos não resolvidos e agressividade velada, apenas para dar alguns exemplos bem sutis.

Administrar um negócio é administrar o seu futuro, e o futuro do negócio está sendo escrito hoje.

Gerar lucros e permitir a continuidade e prosperidade do negócio é nossa missão, reduzir os custos é apenas uma de nossas tarefas.

Ao retirar o joio cuidado para não arrancar o trigo, pois este último é verdadeiramente o seu negócio!

Carlos Hilsdorf

Palestrante do Congresso Mundial de Administração (Alemanha). Economista, Pós-Graduado em Marketing pela FGV e consultor de empresas. Autor do best seller Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero. Referência nacional em desenvolvimento humano. Site oficial: www.carloshilsdorf.com.br

Acompanhe as novidades no Twitter: www.twitter.com/carloshilsdorf

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