O fator social na estratégia das empresas

A sustentabilidade insere valores como o desenvolvimento de todos os participantes envolvidos na empresa, os stakeholders, que são os colaboradores, fornecedores, clientes e toda a sociedade

Na gestão estratégica as empresas podem usar uma série de modelos, os quais visam posicionar melhoria à empresa, conferindo maior competitividade por meio da ampliação de suas vendas, melhoria da sua gestão, etc. Estas abordagens de gestão visam alinhar as empresas com o mercado, conhecendo seus clientes, os produtos e serviços concorrentes e substitutos, as tendências econômicas, dentre outras variáveis. Comumente as estratégias somente consideram a perspectiva de duas partes principais: os acionistas e clientes. No entanto, a inserção da sustentabilidade neste debate estratégico acrescenta alguns valores fundamentais que potencializam a evidenciação das empresas inseridas em mercados competitivos.

A sustentabilidade insere valores como o desenvolvimento de todos os participantes envolvidos na empresa, os stakeholders, que são os colaboradores, fornecedores, clientes e toda a sociedade. Um modelo ainda pouco conhecido, denominado Performance Pris*, vai contra os modelos tradicionais de estratégia e aproxima os conceitos da sustentabilidade. O modelo é baseado em três premissas:

a) A primeira é o foco não somente nos acionistas e clientes, mas em todas as partes interessadas (intermediários, empregados, fornecedores, agentes reguladores, comunidade, etc.). Ou seja, todos os stakeholders.

b) A segunda defende que estratégias, processos e capacidades devem estar alinhados e integrados de forma a entregar valor a todas as partes interessadas.

c) Em terceiro lugar, as organizações e as partes interessadas têm que reconhecer que seus relacionamentos são de reciprocidade, ou seja, todas as partes devem contribuir para a organização, assim como as expectativas que têm por elas.

O modelo pressupõe que as organizações que aspiram ser bem sucedidas devem ter consciência e atender todas as partes interessadas, pois elas também são parte da empresa. O Performance Prism vai em desencontro com algumas ideias de medição de desempenho tradicionais e defende a proposta de pensar o que realmente querem todos os interessados e as contribuições que eles podem trazer para a empresa, sendo este o papel da estratégia.

O modelo sugere que na definição estratégica as empresas é preciso pensar em:

a) Quem são as partes interessadas da empresa e o que eles querem e necessitam?

b) Quais estratégias a empresa precisa pôr em prática para satisfazer as necessidades dos interessados?

c) Como buscar a contribuição das partes interessadas para a empresa?

O modelo de Performance Prism traz novos direcionamentos para a estratégia, pois uma vez que a empresa existe devido a participação de uma série de partes estas devem ser consideradas no planejamento, até mesmo porque elas farão parte, direta ou indiretamente, da implementação de qualquer estratégia. A intenção do modelo não é tornar as empresas entidades beneficentes e nem mesmo desconsidera que estamos inseridos em uma sociedade capitalista onde que o objetivo primário das empresas é gerar lucro. A inserção dos conceitos da sustentabilidade na estratégia visa fortalecer este planejamento, buscando maior coesão na empresa, e formas de aumento da lucratividade, onde todos possam ganhar com isto.

* NEELY, A.; ADAMS, C.; KENNERLEY, M. The Performance Prism. Prentice Hall, 2002.

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