Café com ADM
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O exemplo da Orquestra Sinfônica

Certamente que muito já foi dito e escrito a respeito das relações entre uma orquestra e uma organização empresarial. No entanto, ao assistir a uma apresentação da Orquestra Sinfônica Paulista sob a regência do maestro Adriano Machado na magnífica Sala São Paulo no último dia 11 de setembro de 2005, na qual eles tocaram peças de D. Shostakovich e R. Schumann, os aspectos que me chamaram mais a atenção foram além da organização e harmonia do grupo sob a gestão do maestro-líder e dizem respeito muito mais ao aspecto comportamental e como ele é importante justamente para permitir que exista toda a harmonia que tanto nos chama a atenção.

Por inúmeras vezes presenciei alguns dos músicos que não estavam tocando seus instrumentos durante determinados movimentos, virarem a página da partitura do colega mais próximo que estava justamente realizando este movimento. Isso significa um grande senso de colaboração e visão de grupo ao contrário de individualismo e competição predatória. Ou seja, somente através da excelência do grupo é que a excelência individual pode vir a aflorar e nunca o inverso.


Outro aspecto comportamental que também chama a atenção neste tipo de apresentação é o respeito que o grupo demonstra ter ante o maestro. Respeito este que claramente deriva muito mais de sua clara, objetiva e eficiente condução do grupo e menos de sua autoridade formal. O bom maestro é capaz de transmitir paixão em seus movimentos, experiência e conhecimento a respeito do que está fazendo e isso passa uma grande segurança para o grupo dar o seu melhor.

Finalmente, mas não menos importante, um aspecto mais sutil que também me chamou a atenção foi um gesto simples do maestro e dos músicos, mas de extrema importância, que foi a clara demonstração de uma grande paixão pelo que estavam fazendo naquele momento.

Muito embora fosse uma apresentação a preços populares como parte de um projeto da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo chamado “Concertos Matinais – Formando Platéias”, todos eles estavam vestidos adequadamente como se fosse uma apresentação de gala e era possível perceber claramente na expressão facial de cada um dos músicos e do maestro a alegria, satisfação e prazer em realizar aquele trabalho como se fosse a primeira vez. A forma entusiástica e calorosa com que o maestro cumprimentou seus músicos e a forma como eles lhe demonstravam respeito era realmente contagiante.

Diante destes aspectos é que digo que, além da questão harmônica que geralmente chama mais a atenção em uma orquestra e é automaticamente relacionada como um exemplo a ser seguido por organizações, considero que o fundamental para o sucesso desta harmonia (seja na orquestra ou em uma empresa) reside muito mais no comportamento das pessoas que constituem o grupo.

Este é o exemplo que considero que a Orquestra Sinfônica Paulista foi capaz de nos transmitir em sua apresentação.
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