O erro fundamental
O erro fundamental

O erro fundamental

Como descobrir se “esse é um bom negócio para investir”?

Volta e meia recebo e-mails, mensagens e outros contatos com a mesma velha boa dúvida: “Esse é um bom negócio para investir?”. Da mesma forma, cansei de participar de reuniões ou assistir a apresentações de empresas usando as mesmas velhas e cansadas fórmulas de sempre -- SWOT para cá, forças competitivas para lá, tudo isso para dizer onde estão as oportunidades ou riscos para alguém.

Cansei de ver consultores e palpiteiros em geral cobrando e usando algumas fórmulas prontas para te dizer se X ou Y são negócios bons para você. A resposta sincera seria mais em linha com um “sei lá”. Mas, vamos lá: a maioria das decisões depende do contexto. O mesmo vale para casos de sucesso ou fracasso no mundo empresarial. Não é porque a Magazine Luiza virou case de sucesso vendendo de tal forma, ou o Habib’s fez sei lá o quê, que você deva fazer a mesma coisa para ter sucesso.

Posso dar um exemplo pessoal: investi no ramo de cowork quando mal se falava do assunto. Na ocasião, foi uma junção de época certa, local e condições que me pareciam boas para um investimento do tipo. A empresa que fundei existe até hoje e já me desliguei faz tempo dela. Desde então, por mais que eu tenha topado com outras oportunidades na mesma área, muitas com análises mais sofisticadas do que eu me dei ao trabalho de fazer na época, nunca mais voltei ao setor. Nunca mais senti firmeza em determinadas condições que me fariam pensar “é isso".

Não é porque eu tomei uma decisão boa ou ruim em determinada oportunidade que eu voltaria a tomá-la; ou que o desdobramento do negócio o torna necessariamente bom ou ruim para todo mundo. Posso dizer o mesmo para todas as coisas que fiz em minha carreira.

As ferramentas existem para dar algum apoio. Só elas, no entanto, não dizem nada sobre o contexto local, os recursos e particularidades daquele momento específico. Seu processo de decisão deve ser o mais afinado possível, mas em algum momento você deve levar em conta aquele “a mais” que só você pode trazer para a equação.

Na tentativa de criar estudos de caso ou ferramentas que se aplicam a vários casos diferentes, isso de vez em quando passa batido. Quando me perguntam o que acho sobre tal negócio, a questão envolve também quem são os empreendedores, o que eles pensam, o que querem fazer e qual o comportamento que estão demonstrando. Cansei de gente querendo ser empreendedor porque é "legal ser empreendedor", mas nunca investiria dez centavos em alguém com esse perfil.

Lembre-se, caro leitor: se você está com uma ideia, faça a lição de casa, mas não se perca na análise e no “todo resto” que hoje em dia é fácil. Não é um plano de negócios de 300 páginas ou as palavras de um guru que vão dizer se um negócio é bom ou não.
Sabe qual o momento “é isso”? É aquele em que várias coisas parecem se fechar em torno de uma ideia, quando várias dúvidas passam a fazer sentido, quando você pode não ter todas as respostas, mas sabe que se continuar naquele caminho é mais provável que encontre a resposta.

Procure seu momento "é isso” e você vai perceber que não precisa da minha opinião, nem de mais ninguém para saber se está chegando ou não a um bom lugar.

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