O ensino universitário do futuro

<b>Como conviver com um sistema de ensino universitário lento, antiquado e resistente a mudanças? </b>

Imagino que o ensino universitário do futuro será menos presencial. A necessidade de deslocamento físico de alunos e professores para determinados locais será reduzida. Muitas aulas presenciais e práticas continuarão existindo. Elas são imprescindíveis para determinados cursos técnicos. As aulas ministradas por professores renomados serão mais bem aproveitadas. Elas serão cada vez melhor ilustradas por meios gráficos e áudio-visuais. Elas não ficarão mais disponíveis apenas para grupos restritos de alunos de uma determinada instituição. Poderão ser repassadas ao vivo, mediante convênios e parcerias, para milhares de alunos localizados em qualquer parte do mundo. As universidades terão que admitir que nunca conseguirão excelência em todos os saberes. Diante disso, no futuro, as matrizes curriculares de um curso universitário poderão ser montadas a partir de disciplinas ofertadas em diversas instituições. Estejam elas no país ou no exterior. Imagino ainda que, no futuro, as famílias ricas poderão optar por educar seus filhos de forma individualizada, como antigamente. Quem dispuser de recursos poderá utilizar-se do ensino exclusivo, planejado e adaptado ao perfil do estudante. Mediante uma remuneração especial, as famílias poderão selecionar determinados especialistas, ou tutores, para ajudarem no planejamento e na gestão do processo educativo de seus filhos.

Quando esse futuro virá? É difícil responder. O ensino universitário evolui muito lentamente. Ele mudou muito pouco desde as primeiras escolas-fábrica do início da revolução industrial. Muitas faculdades usam as mesmas grades curriculares de trinta anos atrás. Muitos professores continuam avaliando somente a memória dos alunos. Eles fazem o cérebro dos jovens funcionar como uma conta corrente bancária. O professor-transmissor faz uma série de depósitos, quando ministra para os alunos passivos aqueles velhos e surrados textos. Os saques são feitos, quando os alunos respondem aquelas perguntas manjadas nas provas. Acorda, professor distraído. O cenário mudou. Atualmente, a memória humana tem uma importância relativamente menor. A capacidade de armazenamento da memória humana se tornou insignificante diante das transformações rápidas e do exuberante volume de conhecimentos disponíveis. A informação e o conhecimento disponíveis no planeta dobram a cada 500 dias. Não é mais produtivo tentar armazenar tantos saberes no cérebro humano. Os meios digitais fazem isso com muito mais competência e, quase perfeição. Nas escolas do século XXI os alunos precisam aprender a pesquisar, selecionar, compreender, relacionar e agregar esse verdadeiro turbilhão de conhecimentos.


Do ponto de vista do objetivo da formação dos alunos, a miopia de muitas faculdades também continua. Muitas caminham no escuro. Não enxergam as mudanças nas relações de trabalho e emprego. Elas seguem formando bons e fiéis empregados para as empresas. Elas não percebem que no cenário atual e no futuro, a maiorias dos seus clientes não vai conseguir um emprego de carteira assinada depois da formatura. Elas seguem desprezando a preparação de alunos empreendedores. De indivíduos preparados para a busca do auto-emprego. Seguem formando mentes de empregados. Seguem desprezando a formação de graduados com atitudes e aptidões para se tornarem empresários de si mesmos. Elas parecem ignorar que os graduados devem estar preparados para ofertarem suas habilidades e conhecimentos para clientes e, não para patrões.

Diante do exposto, a questão inevitável aflora: como conviver com um sistema de ensino universitário lento, antiquado e resistente a mudanças? Como acompanhar as mudanças se você está dentro de instituições que levantam muralhas para impedir a entrada do novo? A resposta é: aproveite os pontos positivos da estrutura atual e tente buscar conhecimentos atualizados fora dos muros das escolas. Não fique esperando passivamente que os professores-transmissores tragam tudo pronto, tudo mastigadinho. Por melhores que eles sejam, não vão dar conta da tarefa. Você pode sair desses trilhos antigos e enferrujados. Pode deixar a velha máquina do ensino universitário passar. Faça uma leitura isenta das atuais condições de trabalho e emprego.Você pode atuar com independência.Você pode pesquisar, relacionar, criar, agregar, adaptar os conhecimentos e habilidades mais adequadas para o cenário de hoje. Seja empreendedor!

Eder Bolson, empresário, autor de Tchau, Patrão! www.tchaupatrao.com.br


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