O Empreendedor Brasileiro e a Múmia

Muito tem se falado da capacidade de gerar empreendimentos dos brasileiros. Há alguns anos fui a uma exibição sobre a arte egípcia no museu de arte brasileira da FAAP e vivenciei alguns exemplos práticos de criatividade e da capacidade de empreender de nossos conterrâneos. A fila brasileira e não indiana é em grupos de pessoas, para entrar no museu só aumentava, o acesso estava bloqueado devido à filmagem sendo feita no momento à entrada do mesmo. Logo que entramos na fila fomos abordados por um vendedor de mapas: -Mapas do Brasil, mapas do corpo humano, mapas, mapas mais barato que na gráfica, gritava o vendedor. -Meu amigo, perguntei: - Porque você está vendendo mapas do Brasil numa exposição do Egito? - Moço num sei não u qui é Egitú, mas sei que onde tem juntamento de pessoas sempre si vendi arguma coisa, Ao meu lado uma senhora idosa com uma câmera fotográfica digital embaraçada com o disquete pede para a neta: - Querida tire umas fotos das múmia s aqui, de sua avó e amigas, pois lá dentro não sei se vai dar para tirar; logo acima vejo uma daquelas moças no estilo altas horas dos bares da vida e sua colega, comentando que se tem ajuntamento e pais divorciados com filhos e viajantes para ver curtura sempre se arranja um tempinho pruns programa né! -Vai água aí doto? Diz alguém descendo a rua com seu isopor; logo acima mais um vendedor de bebidas e um garoto quebrando o gelo, minha filha de seis anos pergunta? Por que um garoto do tamanho dela trabalha? Ele a ouve e retruca que está ajudando os pais. O casal de Americana logo atrás pergunta onde pode achar um banheiro, um engraçadinho comenta que taí uma boa oportunidade de fazer negócios, montar um reboque banheiro e vender a utilização em filas de eventos; adiante vemos um rapaz com uma caixinha de madeira aberta sobre o tabuleiro, ao nos aproximarmos verificamos que o mesmo está vendendo cd-roms de programas de software pirata, por que numa fila de museu num domingo? Não deu para perguntar; as indefectíveis vans de hot-dogs também estavam lá e quase no portão encontramos Iahabibi (um camelô de origem árabe) vendendo artigos do oriente como narguilé, pulseiras e desenhos egípcios com bastante gente comprando lembranças da fila de visita ao museu! O pessoal do Mac Donald´s da região poderia botar um catador de pedido e entregar na fila, a garotada ia adorar o Mac fila do Museu. Para este pessoal não tem crise; só oportunidade! Vai um kibe do Faraó ai ? O que aprendemos com os empreendedores da fila? 1-Vendedor de mapas Público alvo usual : motoristas em sinal de transito fechado Detectou uma nova oportunidade e foi prospectá-la Afinal é mais fácil vender para pessoas não motorizadas e sem uma janela fechada como barreira. 2-Moças dos bares da vida Público alvo : homens disponíveis Detectou um novo local com alta concentração de seu público alvo para prospectar e vender seus serviços. 3-Vendedor ambulante de água : Público alvo : transeuntes e motoristas em sinal de transito fechado. Detectou um nicho de mercado (o dia estava quente) com muita necessidade de seu produto e pagaram um valor adicional para te-lo em mãos. 4-Vendedor de refrigerantes : Detectou um negócio sazonal , adquiriu mercadorias , transportou em seu carro e com a ajuda de trabalho familiar vendeu os seus produtos durante vários fins de semana. 5-Sugestão de reboque banheiro Detectou uma nova oportunidade de negócio com potencial a ser explorado. Necessita de um plano de negócios e viabilidade econômica. Prazo de maturação mais lento 6-Vendedor de software pirata Detectou uma oportunidade em dia de semana diferente e público diferente Van de Hot Dog Atende naquele ponto de segunda a sexta e detectou a oportunidade sazonal de receita extra trabalhando aos sábados e domingos Vendedor de artigos do Oriente Detectou uma sinergia de seus produtos com o interesse do publico da exposição no museu e os vendeu. Oportunidade para vender o Mac fila Potencial não detectado , pela loja há menos de 1 quadra do evento. Kibe do faraó Visitante do museu detectou uma oportunidade e a viabilizou em menos de 1 hora. Passou em uma loja de comida árabe, comprou 50 kibes, pegou emprestada uma bolsa térmica e combinou com o dono da loja que lhe faria pedidos por celular que lhe seriam entregues na fila. Vendeu 333 kibes com 300% de margem em um dia.
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