O Desafio da Aprendizagem


Aprender segundo o dicionário Aurélio significa tomar conhecimento de; reter na memória, mediante o estudo, a observação ou a experiência; tornar-se apto ou capaz de alguma coisa, em conseqüência de: estudo, observação, experiência, advertência, etc.

Para Hilgard (1973) “

a aprendizagem é o processo pelo qual uma atividade tem origem ou é modificada pela reação a uma situação encontrada, desde que as características de mudança não possam ser explicadas por tendências inatas de respostas, maturação ou estados temporários do organismo”.

Fontana (1995) conceitua a aprendizagem como “uma mudança relativamente persistente, no comportamento potencial de um individuo devido à experiência.”



Alguns pontos são importantes ressaltar nas definições acima: todo o ato de aprender envolve mudança, que acontece pela experiência. Potencialidade de resposta significa que se uma pessoa conseguiu dar uma resposta positiva a uma dada situação, ela vai conseguir responder novamente em outro momento. Ter o potencial de responder satisfatoriamente, vai depender de quanto ela treinar o novo conhecimento ou habilidade.

Desde a Antigüidade uma das principais perguntas que os estudiosos em geral, sobretudo filósofos, epistemólogos e psicólogos, se empenham em responder é: como se dá o conhecimento humano?

De forma generalizada, é fato dizer que conhecimento é o produto da relação entre o sujeito que conhece e o objeto que deve ser conhecido.

A filosofia materialista e a epistemologia empirista/objetivista/realista atribuem ao objeto o status determinante no processo do conhecimento. Afirmam que a mente humana é uma “folha em branco” ou “tabula rasa” onde a experiência vai escrever, e que a única fonte do conhecimento humano é a experiência e fatos concretos.

A teoria comportamentalista fundamenta-se no empirismo para explicar que o aprendizado é função de mudança no comportamento manifesto ou observável.

Por outro lado, a filosofia idealista e a epistemologia racionalista/ subjetivista/ interpretativista atribuem ao sujeito o status determinante no processo de aprendizagem. Considera ainda que a fonte do conhecimento encontra-se na razão e no pensamento. Aprendizagem é vista como processo cognitivamente mediado.

A epistemologia pragmática, que fundamenta os estudos da teoria Construtivista de Bruner e Vygotsky, afirma que nem o sujeito e nem o objeto são determinantes, nem a atividade concreta e nem a pura racionalização, de forma excludente, podem ser tomadas como fontes do conhecimento e como meios de aprendizagem.

Desta forma, aprender implica em relacionar o novo ao já conhecido, modificar o que já sabemos e, sendo assim, sabemos bem mais do que nos é ensinado. A forma como cada pessoa organiza, cataloga suas informações baseia-se na sua história, cultura e no papel social que ela desempenha. Significa ainda que cada pessoa é capaz de atribuir significado aos objetos e fatos que lhe são apresentados.

Para Bruner, o aprendizado é um processo ativo, no qual cada pessoa seleciona e transforma a informação, constroe hipóteses e toma decisões, contanto para isto com uma estrutura cognitiva, com base em conhecimento passado e atual. Bruner enfatiza três grandes aspectos que precisam ser analisados no processo da aprendizagem:

1. Natureza do individuo que aprende, que envolve fatores individuais que influenciam a aprendizagem, tais como: o nível de ansiedade, auto-estima, extroversão ou introversão, motivação; a capacidade de retenção da aprendizagem, os hábitos de estudo;

2. Natureza do conhecimento a ser adquirido, que envolve os estudos sobre as categorias de hierarquização da aprendizagem segundo Bloom, relativos aos domínios cognitivo e afetivo;

3. Natureza do Processo de aprendizagem que envolve oito eventos internos e externos descritos por Gagne, que ocorrem durante a aprendizagem: grau de motivação, apreensão, aquisição, retenção, recordação, generalização, desempenho e feedback.

Como diz Fritjof Capra: "os nossos paradigmas são sistêmicos, afetam-nos de maneira geral e absoluta, o que implica uma transformação total do nosso modo de ser e de agir". Assim, pode-se deduzir que não é possível isolar qualquer teoria em si mesmo, porque tudo está conectado ao resto do Universo, nossa visão precisa ser no mínimo sistêmica baseada na concepção do homem como ser integrado, criativo, interdependente e gestor de sua própria aprendizagem.
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