O "danado" do livre-arbitrio
O "danado" do livre-arbitrio

O "danado" do livre-arbitrio

Livres ou presos. O nosso e o do outro. Instável, inconstante, inseguro. Será que somos realmente livres como pensamos que somos?

Livres ou presos. O nosso e o do outro. Instável, inconstante, inseguro. Será que somos realmente livres como pensamos que somos?

O poder de decidir. Eu penso que temos este poder e esta responsabilidade, por isso que a relação com o livre arbítrio é um pouco de amor e ódio. Ele é tão amigo e simples, mas às vezes tão sarcástico e complicado. Por vezes se mistura com o “anjinho” e o “diabinho” que falam conosco em sã ou insana consciência.

Ele às vezes nos faz sentir poderosos, no controle das coisas e das situações, e em outros momentos inseguros, indecisos e medrosos. Às vezes podemos, mas não queremos decidir, nem escolher. E quase toda vez que decidimos, influenciamos ou envolvemos segundos ou terceiros o que torna tudo ainda mais complexo, delicado e até irresponsável. Cedo ou tarde? Frear ou acelerar? Sozinho ou acompanhado? Ir ou ficar? Direita ou esquerda? Colorido ou Nude? Caro ou barato?

Ora queremos nos isolar na nossa bolha e assumir o controle, ora preferimos deixar que as coisas aconteçam e, se possível, que os outros decidam por nós. Às vezes penso que não somos assim tão livres e tão poderosos e tão donos de nossas próprias escolhas. Já crescemos com tendências genéticas e sob influência de pais, parentes e do meio em que habitamos. Crescemos um pouco condicionados. Tem momentos que pensamos estar escolhendo algo, mas isso já foi definido lá atrás quando alguém programou na sua mente e na sua memória que refrigerante faz mal e verdura verde escura faz bem para saúde.

Nossas vontades vêm de histórias e experiências anteriores e se tornam hábitos. Aparentemente escolhemos por vontade própria e decidimos, mas ao mesmo tempo somos regidos por horários, conceitos da sociedade, leis, manuais e procedimentos, cultura, núcleos, códigos, etiquetas, opinião alheia, recompensas, punições, notas, status e mensagens diretas ou subliminares.

Além de tudo isso que envolve o nosso livre-arbítrio, tem também o do outro. E o nosso mesclado ou em choque com o do outro. Se eu escolho assim, porque o fulano decide assado? Porque a minha atitude é assim, mas a dele é diferente? A resposta é: livre-arbítrio. Por isso que é “danado”. Às vezes valioso, às vezes doloroso.

Quantas vezes quisemos escolher pelo outro e não pudemos, porque ele tem o mesmo poder, os mesmos direitos, a mesma liberdade de escolha que nós temos. Ou pelo menos pensa que tem todo este poder e esta liberdade, da mesma forma que nós pensamos que temos. Quantas vezes quisemos decidir por um amigo ou ente querido: não acenda o próximo cigarro, não encha mais um copo de bebida, pare de comer tanto. Não e pare e já. Por favor?

O “danado” do livre arbítrio. Ai, se eu te pego!

Viver, aprender, reaprender, escolher, decidir, plantar e colher. Seja por vontade própria ou nem tanto, mas que seja sempre com nosso carimbo, com nosso selo, com responsabilidade e deixando a nossa marca própria.

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