O Brasil precisa produzir

Visão geral sobre o quadro econômico-social do país e como podemos reverter a espiral negativa em que nos encontramos. Aqui, abordo questões éticas, princípios administrativos e estratégicos para que o Brasil saia dessa o quanto antes possível. Espero ter proposto uma pauta que nos permita a um debate mais promissor ao país

O Brasil, país de tantos problemas, mas ainda mais rico em suas virtudes. Difícil crer, mas é! O Brasil, que está ainda muito aquém em investimentos de suma importância ao desenvolvimento nacional, interna e externamente, é capaz de liderar mercados e particularidades científicas; o que denota a capacidade de nossos pesquisadores. Apenas para iniciar, alguns projetos mais emblemáticos: descoberta do genoma humano e a produção do etanol (ainda o melhor do mundo em qualidade).

Entretanto, fico-me perguntando sobre o comportamento da economia, sob o holofote da produção e dos conceitos que a norteiam no dia-a-dia. É de suma importância que estejamos atentos ao comportamento de nossos gestores, privados e públicos, sobre as políticas de formação de preços (em especial no varejo).

O Brasil precisa produzir mais e melhor, e aprender a trabalhar em escala.

Este, a meu ver, deveria ser a principal preocupação desses gestores. Não que isso, por si só, resolvesse o problema econômico no qual nos encontramos. Mas, por outro lado, amenizaria muito os problemas atualmente vividos, ajudando a recuperarmo-nos com uma maior celeridade. Ao longo deste artigo, vou detalhar a linha de raciocínio e os princípios que deveriam ser utilizados por todos os empresários (do micro ou grande porte), assim como os governantes, também em todas as esferas de atuação.

  1. Produção em Escala

É evidente que a produção em escala abaixa o custo unitário de produtos e serviços. Também sabemos que, por outro lado, não se pode fazer o lançamento de um novo produto já no auge de sua escala, por razões óbvias: há que ser testado pelo mercado, avaliar sua aceitação pelos consumidores e sua viabilidade econômica, estudar questões-chave como o de logística e mercado a ser atingido – trabalho da área de Marketing (ou Mercadologia). Somente assim o produto atingirá seu grau de maturação para conquistar o pico de produção em escala. Isso, sem considerarmos ainda fatores peculiares a alguns setores: Pesquisa clínica, desenvolvimento tecnológico, perfuração de solo (óleo e gás), dentre outros.

  1. Lucros moderados, mais dinheiro no bolso

Ocorre que, apesar desses pontos fundamentais, uma coisa é certa: podemos sim!!!! E deveríamos equilibrar melhor essa balança; com um lucro mais modesto e que nos permitisse acelerar o escala de produção. Um lucro relativamente menor, deixa o produto mais barato, assim vende-se mais, ganha-se menos unitariamente, mas ganha-se mais globalmente (em faturamento bruto). Com isso, investe-se mais, produz-se mais, baixa-se custo unitário, baixa-se o preço, vende-se mais, ganha-se mais em faturamento bruto, lucra-se mais. Investe-se mais, produz-se mais, baixa-se custo unitário, baixa-se o preço, vende-se mais, ganha-se mais em faturamento bruto, lucra-se mais. Deste modo, entramos num círculo vicioso positivo e produtivo. Potencializa-se assim a lucratividade das empresas. Lucram-se mais, o recolhimento de impostos também aumenta, em escala ainda maior. E isso fará bem a todos os bolsos: dos consumidores em geral, dos empresários e dos governos. Não pensemos exclusivamente em produção física de produtos industrializados. A prestação de serviços segue a mesma lógica econômica. Uma taxa mais modesta de serviços, ou ainda, um serviço mais complexo pelo mesmo preço anterior, corrobora igualmente à política econômica acima exposta.

Fundamentalmente, o que precisamos é reativarmos a economia, para que ela seja auto-subsistente. Em termos gerais, o aquecimento da economia acarretará a cada cadeia de consumo, uma maior circulação de moeda, com maiores etapas de recolhimento. Motivo pelo qual os governos sempre ganham mais, e o recolhimento de impostos cresce, invariavelmente num ritmo maior que o desenvolvimento econômico do país – PIB. Bem ao contrário

  1. Desenvolvimento econômico

Como “resultado” dos itens acima abordados, nota-se que se entrarmos nesse círculo vicioso de positiva produção e lucratividade das empresas e governos, todos sairemos ganhando mais e melhor. É evidente que se entrarmos nessa ciranda tão virtuosa, a economia se recupera com maior celeridade e, sobretudo, maior solidez. Ponto crucial para que a economia se desenvolva de fato.

Isto posto, seguindo o raciocínio acima apresentado, cabe também aos governos, minimizar as alíquotas de todos os impostos que possíveis sejam. Menor imposto de renda retido na fonte, revisão geral de impostos produtivos – IPI e ICMS, os principais –, revisão de políticas tributárias, como a guerra do ICMS entre os estados, dentre outras iniciativas.

O governo sabe e já tem provas mais do que concretas, de que a redução de impostos “multiplica seus pães”. E o melhor de tudo: isso não requer qualquer tipo de milagre. Tal política é tão óbvia e deveria ser tão natural quanto andar para frente. Termo, aliás, que cai como uma luva dentro do contextual econômico. O Brasil precisa andar para frente, e não para trás, como vem caminhando atualmente. Como dizem os comentaristas, se o Brasil parar está bom, porque atualmente vimos caminhando para trás. Embora tais palavras sejam sutilmente recheadas de humor (negro), ainda vale a máxima popular do “seria cômico, se não fosse trágico”.

  1. Obsolescência planejada

Sabemos e isso já não é mais segredo para ninguém, que o mercadólogos (profissionais de Marketing), planejam a vida produtiva dos produtos. A frase tem ar de redundância, embora não a seja. Cada produto deve ter sua vida produtiva planejada; não fosse assim, a atualização de tecnologias seria mais lenta. Veja que quando falo em tecnologia, falo em lato sensu, ou seja, no sentido amplo da palavra. Em teoria, tudo trás sua tecnologia, até mesmo no modo de ser operacionalizado tal produto ou serviço.

Quando citei no item dois o círculo virtuoso no qual devemos adentrar o mais brevemente possível, o processo de planejamento da obsolescência dos produtos deve ser inserida naquele mesmo raciocínio, contribuindo par um desenvolvimento científico e tecnológico mais agressivo. Este cesto de conceitos, princípios e práticas comerciais compõe um mais sólido e fértil terreno que devemos trilhar daqui para frente em nossas instituições.

  1. Dividendos e distribuição de lucros

Por consequência, uma maior lucratividade das empresas fará com que elas tenham maiores lucros, maior distribuição de lucros em termos objetivos (com menor retirada em termos relativos), o mesmo vale para maior pagamento de impostos em termos nominais e menor pagamento em termos relativos, dentre outros aspectos econômicos e políticos.

Não nos esqueçamos, ainda, de que tudo isso aquecerá novamente o mercado de trabalho, o maior prejudicado e maior ingrediente que, atualmente, atinge o mercado interno nacional.

Exceto por alguns importantes aspectos citados anteriormente, em geral, são conceitos, políticas e iniciativas que podem e devem ser trabalhadas pelo empresariado em geral. São medidas relativamente simples e que tendem a surtir um considerável efeito no médio prazo.

É simplesmente inconcebível e inaceitável a escalada de preços e o exorbitante lucro, em especial, do varejo e dos bancos. Os preços que não param de subir nos supermercados, mercados, mercadinhos de bairro e quitandas; ou seja, em qualquer ramo de atividade e em qualquer magnitude de negócios, no setor do varejo. Dispensam-se comentários sobre o setor bancário. Lastimável e absolutamente na contramão do que precisamos hoje em dia. Se o setor bancário nacional tivesse uma visão mais altiva e produtiva, estariam preocupados em financiar novos negócios, novas tecnologias, pesquisas em geral, com alíquotas mais próximas às taxas cobradas no exterior. Some-se à isso a possibilidade de atuarem conjuntamente com uma subsidiária de seus negócios (core business) através de um agente de participações, ao modelo do BNDESpar. Ah sim, e o risco de inadimplência nesses setores econômicos é quase nulo.

  1. Políticas de austeridade

Indispensável dizer que o governo precisa baixar custos, e não aumentá-los, como vem fazendo. O Congresso Nacional aprovar medidas contra o cidadão, desvencilhando-se de qualquer lógica econômica – tributária, trabalhista ou comercial – são elementos que só contribuem para um desgaste ainda maior do que já não está bom.

A falta de visão e de perspectiva dos nossos governantes é algo que assombra qualquer cidadão minimamente inteligente. Vai entender!

Prova disso foi o que assistimos nesta semana, sobre o posicionamento do COPOM e suas “justificativas” para o aumento na taxa de juros da economia quando, na verdade, o que nos falta é dinheiro barato que possa promover o desenvolvimento do país, indústrias e serviços e a geração de empregos.

Para quem ainda não entendeu, somente a oferta de produtos levará os preços para baixo – é a questão da escala. Mais uma vez, o COPOM se precipitou em suas decisões. Leia aqui.

Desafios à parte, política tributária e incentivos fiscais que possam atrair capital estrangeiro também é um prato cheio a quem quer aquecer a economia, ainda mais com capital nascente, produtivo e, quase que naturalmente, mais austero.

Ademais, uma questão muito mais complexa, para um futuro mais mediatista e menos imediatista, é a produção de uma ampla reforma no sistema legal, de modo a conferir ao Judiciário, uma operacionalidade mais enxuta, célere, equânime, autoritária. O Sistema Judiciário precisa ter mais poder de resolução, mais autoridade e mais poder (propriamente dito) perante a sociedade. Lembrando que ninguém está acima da lei, nem mesmo os governantes. Vale relembrar!

Só assim teremos um terreno mais fértil ao capital estrangeiro, avesso a ideias, políticas e iniciativas antiproducentes.

  1. Pensamento federativo

Boa parte dos problemas simplesmente não existiriam se tivéssemos uma visão e um sentimento mais federativo, ou seja, para o bem da federação como um todo e não de seus estados e municípios, isoladamente. Tais como: melhor política tributária, inexistência da guerra do ICMS entre estados, distribuição de royalties do petróleo, só para iniciarmos a lista.

Somente com tais medidas conseguiremos deixar de ser eternamente o país do futuro, para nos tornarmos, efetivamente, o país do presente. Afinal, é neles que vivemos: no Brasil e no presente!!!

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