O Brasil contra a inovação

O título pode parecer estranho, afinal, não podemos generalizar. Mas o que se vê dentro do cenário de serviços no Brasil, uma reação contrária a todo tipo de inovação que gere prejuízos aos concorrentes

O título pode parecer estranho, afinal, não podemos generalizar. Mas o que se vê dentro do cenário de serviços no Brasil, uma reação contrária a todo tipo de inovação que gere prejuízos aos concorrentes.

Vemos diariamente coisas como “taxistas protestam contra o UBER”, “Operadoras de TV a Cabo acham injusto competir com Netflix” e recentemente o presidente da Vivo do Brasil afirmou que o “Whatsapp é uma operadora pirata”.

Mas isto é algo que está no modo assistencialista que o brasileiro enxerga seu mundo a volta, pensando apenas na sobrevivência, sem pensar na mudança, evolução e melhoria do ser humano. Afinal de contas, o sistema está rodando bem assim, por que mudar?

Para esta geração, este assunto parece recente, mas muitos mal sabem o quão antigo é este pensamento assistencialista e como órgãos governamentais e sindicais tiram proveito disso.

Para se ter um exemplo, hoje o Brasil é um dos únicos países do mundo a ter frentista de postos de gasolina. Se você for para o nossos vizinhos Paraguai, Argentina e até Uruguai, você dificilmente encontrará um frentista nos postos de gasolina. No máximo 1 para tomar conta das bombas de gasolina e prestar outros serviços.

Mas imagine como reagiria o sindicato dos trabalhadores de postos de gasolina se iniciarmos uma inovação (no caso para o Brasil) onde o próprio proprietário realizasse o pagamento na bomba com cartão, tag ou inserisse dinheiro na bomba de gasolina como se faz em máquinas de refrigerante para abastecer o valor pago?

Sem dúvidas teríamos protestos nos postos, sindicalistas raivosos tocando fogo em latões na frente dos mesmos, aberturas de processos judiciais obrigando os postos a recontratar os frentistas etc. Temendo isso, aqueles que poderiam inovar acabam coagidos a não faze-los.

Toda inovação vem antes da regulamentação, porém, esta regulamentação não pode (ou não deveria) forçar estas inovações a se rebaixarem e tornar-se mais do mesmo.

Toda vez que vejo “deveriam regulamentar isso ou aquilo” referente a serviços que inovaram o mercado e deixou os concorrentes para trás, sei que no fundo quer dizer: “Não queremos fazer deste modo como eles fazem, pois é diferente de tudo que já fazemos. Portanto, eles devem se adequar a nós”.

Você pode estar pensando: “Poxa, mas e aquela pessoa que foi taxista a vida inteira, paga os impostos, pagou uma fortuna pelo ponto de taxi”?

Pois é, sinto lhe informar, mas a inovação está aí, mostrando que tanto os impostos como a compra de ponto de taxi são explorações a estes motoristas. Mas devido aos sindicatos terem participação nestes valores, os mesmos manipulam os taxistas a serem contra o aplicativo. Alguns, devido a falta de instrução, os mesmos aderem ao pensamento de que o UBER está errado, outros percebem o quanto são explorados pelos impostos e pelos comerciantes de pontos de taxi e viram como alternativa adentrarem ao UBER.

Outro ponto, imagine o quão benéfico será quando tivermos wifi grátis em qualquer lugar que você vá (sim, a Google e outras empresas já estão em fase de testes). Você poderá utilizar o Whatsapp ou Skype para efetuar chamadas grátis. Isso deve estar apavorando as operadoras de telecomunicações, que buscam influenciar governos a não permitir que a inovação as forcem reinventarem seus serviços, melhorarem seus processos e reduzirem seus custos, para assim reduzirem seus preços.

Na década de 90, passamos da fase das máquinas de escrever para a era dos computadores. O que aconteceu? Algumas empresas se reinventaram e permaneceram no mercado, como a Olivetti. Mas a grande maioria insistiu em oferecer um produto que em pouco tempo seria ultrapassado, o que levou ao fechamento de suas portas.

De igual modo, os serviços de mensagens estão passando por grandes revoluções. Quando foi a última vez que você enviou uma carta? Minha última carta, foi em 2013, porque era a única maneira aceita pelo destinatário. Porém, o maior prestador de serviços de mensagens físicas está se reinventando e focando 90% de seus esforços para os serviços de entregas, que cresce substancialmente com o advento do e-commerce.

Mesmo com tantas mudanças nos serviços nas últimas décadas, continuamos com demanda para executar esses novos serviços. Cabe a nós nos adequarmos a essas mudanças que eles requerem e sempre estar atentos para as mudanças que estão ocorrendo em nossa volta para adequar-se rapidamente a elas, antes que fiquemos para trás.

Portanto, não existem desculpas para aqueles que não querem mudar. Não deixe que a Seleção Natural te faça mudar pela dor. Mude para melhor sempre!

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