O bonzão

Sua prática era simples: tudo que fizesse, por menor que fosse, criava toda uma estratégia de marketing para demostrar. Adorava enviar e-mail para o chefe fora do horário comercial, para causar a impressão de que estava trabalho e de que era dedicado; alguns colegas achavam que o e-mail era programado e que ele escreveria durante o expediente, mas deixava programa para enviar as dez ou onze horas da noite, como se ainda estivesse no trabalho

Ocupava o cargo de Analista Técnico há cerca de dois anos, mas seu objetivo era se tornar supervisor. Acreditava que era questão de tempo. Afinal de contas, não perdia uma única oportunidade de demonstrar o quanto era bom.

Sua prática era simples: tudo que fizesse, por menor que fosse, criava toda uma estratégia de marketing para demostrar. Adorava enviar e-mail para o chefe fora do horário comercial, para causar a impressão de que estava trabalho e de que era dedicado; alguns colegas achavam que o e-mail era programado e que ele escreveria durante o expediente, mas deixava programa para enviar as dez ou onze horas da noite, como se ainda estivesse no trabalho.

Trabalhar em conjunto? Tinha até briga na equipe para trabalhar com ele. As falas eram assim: “Eu não. Vai você! Eu já fui da última vez…”. Era óbvio o que os outros pensavam sobre ele”.

Sua estratégia para trabalho em equipe era simples e conhecida por todos: pensava “o que for bom e for elogiado pelo chefe, fui eu que fiz. Se der errado, falo que foi o colega e que, inclusive, eu não havia gostado da ideia, mas já que trabalhar em grupo é abrir mão, então tive que aceitar”.

Então, eis que surgiu a oportunidade; era uma vaga de supervisor, para trabalhar em outra unidade da empresa. Ele logo se candidatou. Afinal, não perderia esta oportunidade por nada. Seu marketing pessoal já estava pronto; as custas de muita cara torta, mas isso não o importava.

Chegada a última etapa do processo, foi quando a direção se reunião para deliberar sobre a escolha, de posse de três opções. Os supervisores diretos também foram consultados, afinal, quem saberia mais do comportamento de suas equipes do que eles?

BonzaoA Direção conclui que alguém com este perfil não poderia receber uma promoção, pois embora seu trabalho tivesse resultado, promovê-lo iria demonstrar a toda equipe que o correto é o comportamento de ganhar a qualquer custo, de pisar nas pessoas e de se apropriar dos resultados positivos, terceirizando as falhas e erros.

Esta promoção poderia fazer com que muitos outros colegas tomassem esta mesma direção, contaminando e, porque não, destruindo, toda a cultura organizacional a qual estão tentando construir com base no pensamento coletivo e na formação de equipes.

Assim, além de preterido, ele passou pelo constrangimento de ouvir do gerente de recursos humanos, que a direção ainda o considerava muito imaturo para uma posição de liderança.

Na realidade, por mais duro que seja, o importante é como irá lidar com esta informação: fará as mudanças necessárias ou se fechará em uma concha ignorante de razão? Como você acha que este profissional deve agir?

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