O Banco Mundial, a sorte e o fulano

Artigo aborda a contribuição econômica-social de entidades como Banco Mundial em mercados emergentes como é o caso do Brasil. Enfatiza a gestão empresarial sustentável!

É comum ouvir que “fulano deu sorte” quando o “fulano” consegue melhorar sua condição de vida e sai do ostracismo social que a vida lhe impôs, permitam-me aqui o neologismo!

Essa expressão “deu sorte” é bastante contestada por mim e acredito por muitos porque pode conotar demérito do “fulano” que, se não “tivesse sorte”, não teria chegado onde chegou. Não teria melhorado sua condição de vida. Não teria feito o que fez. O sensato Aurélio conceitua sorte como algo casual. No universo filosófico é reafirmado que sorte é algo que resulta da casualidade, sendo essa expressão um fenômeno que não é possível prever ou explicar. O conceito de sorte não considera qualquer tipo de justificação racional e alguns especialistas a diferenciam do destino, afirmando que o destino também não pode explicar a sorte. Há quem diga ainda que sorte é estar preparado para as oportunidades.

Mas, final, quem tem sorte? O “sicrano” que nasceu em uma família estruturada, em sua maioria de classe média, que conta com o apoio financeiro de seus pais os quais geralmente possuem formação superior, carreira profissional sólida, moradia própria e renda familiar média de dez salários mínimos ou o “fulano” que nasceu em uma família desestruturada, em sua maioria de classe baixa, onde precisam trabalhar para apoiar financeiramente seus pais que raramente possuem o ensino médio, carreira profissional instável, moram de aluguel em bairros de periferia e renda familiar média de dois salários mínimos? Cabe a reflexão!

Para contribuir e dar oportunidade dos “fulanos” a saírem da pobreza e também do “fulano e do sicrano” melhorarem suas vidas é que foram criadas algumas das mais influentes instituições financeiras do mundo: O Banco Mundial!

O Banco Mundial é dividido em instituições especializadas sendo que quatro delas atuam efetivamente no Brasil: BIRD (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento), IDA (Associação Internacional de Desenvolvimento), IFC (Corporação Financeira Internacional) e MIGA (Agência Multilateral de Garantia de Investimentos). E tem como ponto de contato com o governo brasileiro a SAIN que é a Secretaria de Assuntos Internacionais.

Essas entidades tem a missão de, em conjunto, criar políticas que ajudem empresas e instituições financeiras em mercados emergentes, como é o caso do Brasil, a criar empregos, gerar receitas tributárias (aqui o Brasil tem muito a aprender sobre isso), melhorar a governança corporativa e desempenho ambiental contribuindo positivamente para as comunidades onde moram “fulanos” e “sicranos”.

Para corroborar a gestão sustentável privada ou pública podemos destacar a emblemática publicação do Banco Mundial, o Doing Business 2015 (http://portugues.doingbusiness.org/reports/global-reports/doing-business-2015) que tem o subtítulo Indo Além da Eficiência que é a 12º edição de uma série de relatórios anuais que monitoram as regulamentações que fomentam ou que cerceiam as atividades empresariais ao redor do mundo. O Doing Business apresenta indicadores sobre regulamentações de negócios que podem ser comparados entre mais de 180 economias – desde o Afeganistão até o Zimbábue!

Na prática, essa notória publicação do Banco Mundial, traz análises das regulamentações que impactam onze áreas do ciclo de vida de uma empresa. Dez dessas áreas compõem a classificação quanto ao grau de facilidade quanto a fazer negócios: abertura de empresas, obtenção de alvarás de construção, obtenção de eletricidade, registro de propriedades, obtenção de crédito, proteção de investidores minoritários, pagamento de impostos, comércio entre fronteiras, execução de contratos e resolução de insolvências.

Certamente o “fulano e o sicrano” são impactados positivamente por essas iniciativas que colocam em suas mãos, do fulano e do sicrano, responsabilidades iguais de, independentemente de suas origens sociais, fazer o que deve ser feito: estudar, trabalhar, empreender, praticar e promover a ética, cuidar e proteger o meio ambiente, colaborar com sua comunidade e projetos sociais para ajudarem a construir uma economia sólida propiciando um ambiente de negócios mais eficiente.

Cabe aqui, para finalizar, aprofundar a reflexão sobre um dos vários ditados do nosso cotidiano que “falar sempre é mais fácil que fazer”. Por isso alguns, ainda, insistem em dizer “deu sorte” invés de “aproveitar também a sua sorte”!

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