O aspecto oculto da transição do subordinado para líder

Muito se diz da transição de carreiras, uma mudança e tanto. Mas e a “simples” transição do cargo de subordinado para um cargo de liderança?

Quando fiz essa transição, teria ficado muito grata se fosse aconselhada sobre algumas coisas, mas a única coisa que meu Diretor disse na época é que o cargo que eu estava era de muita solidão. Não entendi muito bem e deixei para lá.

Enquanto eu era subordinada nesta empresa, o contato com as pessoas era mais direto, sempre com as mesmas pessoas. Criamos um vínculo maior e uma relação de parceria entre os colegas.

Um belo dia, fui promovida a Gerente Geral de todas as unidades e aí comecei a ver as diferenças/dificuldades:

  1. Você poderá ser taxado de “nariz em pé” ou até mesmo traidor, porque está mais calado do que de costume, mas quando se tem um cargo de confiança, você recebe informações em primeira mão e muitas vezes sigilosas. Dá para brincar e descontrair, mas o trabalho naturalmente vai ser levado mais a sério e agora você tem mais responsabilidade do que tinha antes;

  2. Antigamente, em um erro do seu colega, você tentava ajudá-lo para evitar que ele se prejudicasse. Depois que você é promovido, você precisa sim auxiliar para que ele execute a tarefa de forma plena, mas também cobrar os bons resultados (de acordo com as metas de cada empresa);

  3. Você não é mais apenas um executor de tarefas, mas também não tem alçada suficiente para tomar muitas das decisões da empresa. Está no meio do caminho e a menos que a empresa seja muito grande, você vai se sentir mais sozinho (como o Diretor disse) e de mãos atadas para algumas coisas. Poderá ser cobrado até mesmo pelos subordinados por coisas que você não poderá resolver;

  4. Algumas pessoas irão evitá-lo, talvez porque acha que você ficou esnobe ou porque sua nova função gerará um certo receio neles e consequentemente, um distanciamento (Fulano não é mais nosso amigo!);

  5. Colegas diretos podem se tornar subordinados insubordinados, por diversos motivos: ou porque também concorreu a vaga e não foi o escolhido, ou porque sempre foi assim e você não percebia porque estava no mesmo nível hierárquico do dele, ou porque não o acha capaz para liderar uma equipe e pode te testar;

Em geral, não se preocupe com as pessoas que passaram a te evitar, o tempo tudo cura e o profissionalismo deve estar sempre em primeiro lugar, mesmo que o outro não corresponda a isso. Você agora tem uma posição que precisa ter determinda postura, diferente da anterior. É preciso lembrar que estão em uma organização com diversos objetivos a serem alcançados, independente das relações interpessoais contidas ali.

Gerenciar pessoas é um processo contínuo, não há uma “receita de bolo”, mas algumas dicas e o próprio aprendizado melhoram esse processo. Em resumo, a cada dia você terá um novo desafio e fará parte de seu trabalho liderar bem sua equipe! Vale lembrar que em todos os casos, tem o lado bom e na pior das hipóteses, um aprendizado sobre aquilo (geram experiências).

Para você que está enfrentando essa transição agora, ter em mente esses aspectos nem sempre revelados, pode te ajudar a entrar com muito mais confiança e propriedade do que está fazendo.

Boa sorte!

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