O alvo

Particularmente sempre tive um fascínio pelas competições de arco e flecha. Elas traduzem o ponto alto da estratégia. Engana-se quem pensa que acertar o alvo é apenas uma questão de treino e que com o tempo e dedicação, a tarefa de acertar o alvo se tornará mais fácil. Ledo engano.

Particularmente sempre tive um fascínio pelas competições de arco e flecha. Elas traduzem o ponto alto da estratégia. Engana-se quem pensa que acertar o alvo é apenas uma questão de treino e que com o tempo e dedicação, a tarefa de acertar o alvo se tornará mais fácil. Ledo engano. O bom arqueiro sabe que não é apenas o treinamento no uso do instrumento que possibilita o alcance do resultado. O treinamento aumentará, sim, a habilidade e a perícia no manejo da ferramenta ou instrumento. Mas não tornará um arqueiro comum em um exímio.

Uma série de fatores influencia a precisão do arqueiro. E a semelhança com os profissionais dos dias de hoje é tamanha que não apenas cabe a comparação, mas o aprendizado com essa brilhante arte da guerra.


Vejamos...

A arena já está pronta. É dia de competição. A multidão eufórica espera pelos competidores que se apresentarão para o rei. Muitos torcem a favor de alguém. Muitos torcem contra.

Parece a sua sala de reuniões. Hoje será apresentado o projeto que aquele executivo trabalhou durante muito tempo. Sua euforia somente é interrompida ao perceber que daqueles que estão ali nem todos realmente querem que tudo saia como ele espera ou sonha. Mas, ele sabe que a vida é assim mesmo. Não se pode agradar a todos. E ao mesmo tempo, não pode se deixar abalar pelos comentários e piadinhas que os do contra fazem.

Cada arqueiro já escolheu, junto com suas equipes armas e técnicas que vão utilizar. E um a um, tentam acertar o alvo. Muitos são desclassificados, destronados pela multidão.

Ao longo da reunião, uma série de ferramentas e técnicas são apresentadas. Muitas são aceitas, outras nem tanto. Requerem algum ajustamento ou são simplesmente descartadas. O semblante de cada um dos participantes revela seus estados de espírito com a motivação ou preocupação com o futuro. O executivo diz para si mesmo: preciso manter a minha concentração.

O arqueiro pacientemente aguarda a sua vez quando houve o sinal para a sua apresentação. Lentamente, caminha na direção da coxia, onde os arqueiros tinham de se posicionar. O olhar frio mede a distância e calcula a posição exata das pernas. A multidão grita eufórica enquanto o arqueiro se concentra em seus passos e movimentos. Cada vez mais o barulho externo o perturba. Ele não quer cometer erros. Sabe que não pode.

Finalmente chega a sua vez. Seu projeto entra na pauta de discussão. O executivo se levanta e de posse de sua apresentação em powerpoint fica posicionado de tal maneira que pode ver e ouvir a todos. Nenhum detalhe lhe escapa ou passa despercebido. Seu coração parece que vai sair pela boca. O executivo tenta manter a concentração em seus passos. Como o arqueiro, não quer cometer erros. Ele também sabe que não pode.

Em sua posição, o arqueiro tensiona o cordame do arco mantendo o olhar fixo em seu alvo. O barulho da multidão cada vez fica mais longe. Sua concentração é imprescindível para o bom resultado. Cada detalhe é analisado como se fosse único, e depois, um a um, é inserido em seu contexto. A tipo do arco, a flecha, as pernas, o vento, a multidão, os demais arqueiros, ele mesmo. Cada detalhe é estudado e nem aquela gota de suor que escapa de sua testa, revelando a sua tensão, é capaz de abalar a sua concentração. Sua estratégia está traçada. Ele confia nela. Mas, mesmo assim, se permite uma última avaliação...Faltam os dedos soltar a flecha. Finalmente, o arqueiro prende a respiração. Mantem o olhar frio sobre a pequena mancha vermelha, tensiona mais um pouco o cordame e finalmente solta a seta. Que corta o ar e atinge um pouco ao lado de onde realmente ele queria. Ao invés de lamentar a sorte, o velho arqueiro apenas diz: Hoje aprendi mais uma lição e amanhã, não cometerei o mesmo erro.

Sua apresentação inicia. O executivo já sabe quem será a pessoa que vai decidir sobre as suas opiniões e idéias. Mesmo assim, não se deixa levar pela emoção. Cada detalhe é cuidadosamente analisado. Cada frase, pensada. Cada sorriso, contido. E aquela gota de suor que insiste em querer cair de sua testa não será capaz de incomodá-lo. O executivo sabe o que quer. Sabe como conquistar. E sabe porque pensou em cada detalhe antes de estar ali. Mediu milimetricamente cada um deles. Os slides vão passando. Suas idéias são avaliadas dentro e fora de um contexto. Por fim, o êxito pode até não vir, mas ele sabe que não deixará de ser um bom arqueiro por não ter acertado o alvo na primeira vez. Apenas aprendeu mais uma lição e amanhã, não cometerá o mesmo erro.



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