Nunca fomos tão virtuosos

Uma reflexão acerca do uso das virtudes para compreender o mundo que nos rodeia em rápida mudança

A virtuosidade pretendida aqui não é a da estética vulgar e pensamentos morais rasos. Definitivamente não falo destes, mas, do êxtase de virtuosidade que presenciamos em 2015. Se em Platão a virtuosidade dialoga com a verdade, o ano passado foi realmente virtuoso.

Afinal, durante este período descobrimos o quão frágil era nosso crescimento e nossa maturidade política. O fausto período de consumo, a abertura de postos de trabalho em crescimento geométrico e as capas pró Brasil ao redor do mundo acabaram prematuramente. Uma situação platônica, portanto, que nos torna virtuosos, já que agora somos sabedores da verdade. Erraremos menos em 2016?

Quem nos ajuda nesta questão é outro filósofo, Santo Tomás de Aquino e suas virtudes cardinais. Há entre elas a prudência, tão necessária num ano eleitoral quando vamos escolher aqueles que decidem nosso dia a dia político, econômico e social: os prefeitos e vereadores.

Ainda é possível enxergar um pouco mais da sabedoria tomista quando nos vemos refletidos nela. É que, para o Santo Angélico, dá-se de forma natural ao homem escolher atos de virtude com o uso da razão. Então, não é chegada a hora de fazermos melhores escolhas? Se praticar a razão como virtude fazia sentido há mais de 800 anos, quanto mais agora. A verdade é imutável.

Nos tornamos mais virtuosos também com todas as verdades manifestadas durante a notável caça aos ratos nos porões da Petrobrás. Uma parte da justiça fazendo o brasileiro enxergar, cara-a-cara, a qualidade de suas elites empresariais e políticas. E eis mais uma virtude que se encaixa no ano que findou: a coragem ou fortaleza. Parece-me, aliás, a virtude que tem mais a nossa cara neste momento quando temos tempo para (re)começar nosso futuro. Leia-se: coragem para mudar, iniciando por nós mesmos. Quer mais virtude que decidir mudar esta sociedade olhando para dentro de si?

Uma última ajuda. A etimologia nos explica que na construção em Latim de “coratium” há a derivação de “cor”, coração, fonte que era em tempos antigos da coragem. Coloquemos coração em nossas ações políticas.

Platão, Santo Tomás, etimologias, são sementes lançadas para delas nascer o sustento de virtudes como a Fortaleza. Que encontrem terra boa para darem frutos, cem, sessenta, trinta por um, até porque os espinhos estão por aí, prontos a sufoca-las. Desde já, 2016, clama por mudanças.

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