Café com ADM
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Nova roupagem para velhos erros

Tenho obtido diversas informações sobre novos modelos de gestão empresarial baseados em softwares cada vez mais eficazes, substituindo antigos procedimentos e até mesmo cargos dentro das empresas. A muito tempo não vejo nos jornais a busca por profissionais de O&M (Organização e Métodos), que ocuparam posições de destaque durante os anos 80 aqui no Brasil. Para desesperos de muitos profissionais, funções consideradas estratégicas nos anos 90, estão seguindo o mesmo caminho. Desde o início dos estudos sobre Administração, ou seja, a Escola Clássica de Administração, onde o ser humano, era considerado um ser simples e previsível cujo comportamento não variava muito, bastando incentivos financeiros adequados, constante vigilância e treinamento. Sendo estas ações consideradas suficientes para garantir uma boa produtividade. As organizações viam os problemas comportamentais e organizacionais como fruto da difícil operacionalização dos princípios desta nova ciência, que estava sendo progressivamente construída. O importante era aperfeiçoar regras e estruturas. Uma frase que exemplifica bem a visão predominante nessa época foi de T.S. Elliot os sonhadores organizacionais imaginam sistemas funcionalmente tão perfeitos que o ser humano não precisa mais ser (moralmente) bom . Porém, esta mesma visão da Escola Clássica parece ter voltado a tona com nova roupagem ou seja através dos softwares de gestão. O que os novos administradores ou gestores como são chamados atualmente esquecem é que a criação de regras através de softwares, não torna os procedimentos mais eficientes ou eficazes. Voltando mais uma vez na história podemos observar o que Gouldner mostra como funções latentes da regra. Segundo o autor a regra permite o controle a distância, mas restringe as relações entre as pessoas, aumentando a impessoalidade na organização. A regra também restringe a arbitrariedade do superior mas também legitima a sanção, tornando possível a apatia, ou seja, o comportamento do subordinado que se limita a aplicar as normas ao caso concreto, sem esforço extra. Além disso ela gera um espaço de negociação entre o subordinado e a hierarquia. O chefe sempre tem a possibilidade de aplicar ou não a sanção e pode negociar com o subordinado. Este pode, por sua vez, reduzir sua atividade ao mínimo, escondendo-se atrás da regra, e limitando a sua colaboração de forma legítima. Com os mesmos problemas decorrentes da Escola Clássica de Administração e estudos posteriores estamos assistindo a repetição dos mesmos erros do passado, mas com nova roupagem, ou seja, ao invés de vermos profissionais instrumentalizando procedimentos (criação de regras), estamos simplesmente deixando que softwares o façam. Inibindo desta forma o que seria de mais valioso para este momento histórico, ou esta fase da evolução do mercado. A formação de quadro de profissionais capazes de assumir lideranças e criar vantagens e diferenciais realmente competitivos para as empresas. Sem utilizar as desculpas dos passado os problemas existentes são fruto da difícil operacionalização dos princípios desta nova ciência, que esta sendo progressivamente construída.
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