National Kid X Sped

Já está por dentro do SPED? Fique atento para não ser mordido pelo Leão

Adoro o National Kid, mas não acredito mais nele.

Quem é feliz como eu, por ter nascido na década de 50, sabe quem é National Kid. Meu herói. O pacato professor japonês se transformava em National Kid para nos salvar dos Inkas Venusianos e suas maldades. Ano passado consegui comprar, em DVD, todos os episódios. Não perdia um. Eu o adorava. Hoje não acredito mais nele.

O tempo, sempre o tempo, me fez ver que os discos voadores eram pratos prateados pendurados. As armas dos extraterrestres emitiam apenas luzes, não raios mortíferos como eu imaginava.

O tempo, sempre ele, nos traz a clareza e a maturidade que necessitamos.

E o que o Sped tem com isso?

Quando o projeto Sped começou, em 2007, eu ouvi dizer não “ia pegar”. Depois ouvi que não seria para todos “só para os grandes”. Ouvi que ele era inconstitucional e vi recursos contra a “quebra de sigilo”. Passados 7 anos me impressiono como ouço e vejo coisas estranhas ainda hoje. Recentemente ouvi um grande empresário afirmar que está entregando o Sped “em branco só para não ser multado”, acreditando que não terá problemas. Vi outro grande empresário discursando que recentemente tinha sido surpreendido, pois não sabia que suas empresas estavam “enquadradas no Sped”, mas como os seus colegas empresários estavam com o mesmo desconhecimento, isso o “tranquilizava”.

Me espanto, pois não sou médico ou engenheiro, e, portanto, o meu dia a dia é com empresários que deveriam estar acompanhando a evolução do fisco atentamente.

O mundo mudou. Os filmes mudaram. O fisco também. Mas existem muitos empresários que ainda acreditam nas ultrapassadas artimanhas dos Incas Venusianos.

Não tem mais volta. O PIB brasileiro patina em lamentáveis 2% há décadas. Porém, a arrecadação de tributos dobra a cada 3 anos. Como o fisco consegue isso? Com o Sped. O Leão mordeu, sentiu o gosto do sangue, e quer mais. E vem mais por aí.

Adoro National Kid, mas não acredito mais nele.

Odeio o Sped, mas ele existe e veio para ficar.

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