Não seja um cliente burro

Não só as empresas devem pensar no uso das redes sociais, mas também os clientes. Para acusarmos alguma empresa sobre problemas que temos com produtos ou serviços, devemos ter certeza de que estamos com a razão, mas nem sempre é isso que acontece. É preciso evitar esse tipo de equívocos buscando informações, para que possamos exercer de maneira ética nosso direito de reclamar.

O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é um dispositivo que surgiu para que nós, consumidores, sejamos resguardados em nossos processos de consumo. É ótimo sabermos que podemos recorrer a uma lei específica, e neste caso bastante eficiente, caso nos sintamos lesados em uma transação comercial. Mas o CDC é uma faca de dois gumes, e aquela velha máxima “o cliente sempre tem razão” também foi colocada em extinção com este advento, pois em muitas vezes, o cliente não tem razão.

As redes sociais nos deram poder para fazer o que quisermos, falarmos sem medo, expor nossa opinião abertamente. É uma tela aberta na qual podemos escrever o que bem entendermos, sendo que podemos usar as ferramentas de mídia – Youtube, Facebook, Twitter, TripAdvisor, e muitas outras, como canal de “lamentação” pelos problemas que temos com produtos ou serviços. O que nós esquecemos, é de procurar em fontes seguras, quem tem razão quando temos algum problema com um produto. Muitas vezes ficamos com raiva e não nos lembramos de tentar de resolver as coisas da melhor maneira possível, sem que para isso, afetemos as empresas envolvidas.

Este texto é escrito em terceira pessoa porque me incluo nessa. Já fiz isso (e não faz muito tempo) porque estava com raiva da empresa que me lesou. A raiva nunca é boa conselheira, já diz o ditado. Quando tiver um problema, se acalme e verifique quem e como pode resolvê-lo. Se estiver em dúvida sobre as responsabilidades, consulte o CDC, algum amigo advogado, busque no Google casos parecidos com o seu. Não jogue qualquer besteira na internet, pois as consequências podem ser bem graves, e para você. Se você fizer uma acusação, terá que prová-la, caso contrário poderá responder algum processo judicial e, dependendo da acusação, até criminal.

Este texto não tem, de jeito nenhum, a intenção de tirar as responsabilidades das empresas que lesarem seus clientes. Pelo contrário, o alerta é para que as pessoas se informem antes de jogar reclamações nas redes sociais, que saibam se elas têm a verdadeira razão e podem, sem se comprometer, reclamar da empresa e de seus produtos. É óbvio que muitas empresas não são preparadas para atender reclamações em redes sociais e afins, mas muitas são e, caso o cliente não tenha razão, poderá ter problemas.

Não seja um cliente burro é um termo forte, mas explico. Burro – o animal, geralmente, anda com a “tapa”, aquele tampo de couro que limita seu campo de visão. Por isso a analogia. Não tenha seu campo de visão limitado, olhando apenas para seu problema. Entenda a quem procurar, se o fornecedor, se o fabricante, se você usou o produto de maneira correta, se armazenou conforme recomendação, se alguém não usou e quebrou, se o serviço deveria ter terminado naquele momento que você queria. São inúmeros “ses” e, para que você não seja vítima da sua própria falta de perícia em saber a quem recorrer, o melhor remédio é esperar a raiva passar e ir atrás de informações exatas em fontes de confiança - como o PROCON PROCON para ai sim, você cliente exercer livre e conscientemente, o seu direito de reclamar.

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