Não seja cúmplice
Não seja cúmplice

Não seja cúmplice

A história de hoje é trágica, real e mostra como as notícias falsas (Fake News) podem trazer consequências irreparáveis

Fabiane Maria de Jesus é casada e mãe de dois filhos. Aos 33 anos, a jovem moradora do município de Guarujá (SP) mal sabe que será a personagem principal de um dos mais terríveis crimes já registrados no Brasil. Continue comigo e entenda como a comunicação frágil e sem apuração afeta a vida das pessoas independente da idade, etnia, endereço ou classe social.

Tudo começou com a divulgação, por meio de uma página do Facebook, do retrato falado de uma mulher suspeita de praticar sequestros no litoral do estado de São Paulo. A informação logo se espalhou pelas redes sociais e Fabiane, ao caminhar pela rua, foi confundida com a tal criminosa. Imediatamente a dona de casa foi cercada, amarrada e espancada por um grupo de vizinhos do bairro em que morava. Cenas do fatídico evento foram registradas por celular e, mais tarde, utilizadas no inquérito policial. Fabiane não resistiu aos ferimentos e morreu. Após o inquérito policial foi comprovado que a mulher não tinha qualquer envolvimento com práticas fora da lei e lamentavelmente foi vítima de um pré-julgamento baseado em mentira.

Infelizmente, uma informação mal apurada e compartilhada na rede social tirou a vida de uma esposa e mãe de família. A irresponsabilidade digital foi um dos fatores que acendeu a fúria coletiva capaz de matar. A foto equivocadamente publicada no Facebook era, na verdade, de uma suspeita de crimes acontecidos no estado do Rio de Janeiro anos antes. Mesmo que tivesse alguma ligação com as denúncias, há meios policiais para que a justiça aconteça. E onde estamos nisso tudo?

Abra seus aplicativos de comunicação (celular, computador ...) e perceba como existem informações duvidosas e mentirosas sendo enviadas a todo instante. O mais grave é que muitos de nós, sem o devido cuidado, podemos cair na armadilha do “Compartilhar” ou “Encaminhar” fotos, vídeos e textos fabricados para causar transtornos.

Um estudo atribuído ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e publicado na Revista Science em 2018 mostra que “as notícias falsas se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras.” Em resumo: o estrago é grande e com consequências desastrosas. A comunicação digital se tornou aliada da instantaneidade e inimiga da confiabilidade (em alguns casos).

Para finalizar, chamo nossa atenção para os princípios do domínio próprio também na Comunicação online (e por que não dizer na verbal – “fugindo de fofocas). O livro de Provérbios, capítulo 6, versos 16-19, diz que: “Há seis coisas que o Senhor (Deus) odeia, sete coisas que Ele detesta: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que traça planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunhal falsa que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos.” Sendo assim, recomendo enfaticamente: não sejamos cúmplices das Fake News.

Para palestras envie mensagem para diegonascimento@uol.com.br.

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