Muitas ideias, poucas soluções

Se você quer criar algo realmente novo, deve sair do zero, onde todos estão, e caminhar para o um, onde poucos estiveram mas deixaram seu legado para toda a eternidade

É inevitável a quantidade de informações que nos bombardeiam todos os dias, seja no trabalho, na faculdade, na fila do banco ou até mesmo em casa quando, muitas vezes, ligamos automaticamente a televisão ou acessamos a internet. Quanto mais informações se tem, mais perguntas aparecem e, consequentemente, mais ideias são lançadas a fim de responder essas questões. São muitas as ideias que surgem para ocupar um espaço nessa gama de informações e, posteriormente, tornarem-se meios para conectar pessoas. Infelizmente, são poucas as que saem do papel com um propósito maior — a solução de problemas reais.

Nossa capacidade de pensar, raciocinar e criar é colocada à prova quando nos deparamos com inúmeras ideias já criadas para solucionar problemas que, de fato, dificultavam a vida no que diz respeito as nossas tarefas enquanto indivíduo trabalhador e consumidor (aqui me refiro a lazer, alimentação, segurança etc.). A medida em que se avançavam os anos, eram criadas novas opções de produtos/serviços que atendiam a uma única necessidade, pois não havia preocupação em criar algo novo, era apenas melhorar o que já existia. Hoje vivenciamos a Era das novas mentes turbinadas de ideias que prometem fazer a diferença. Muitas vezes são jovens que não querem ficar parado. Eles querem colocar a mão na massa com a intenção de mudar o mundo. Pelo menos é esse o discurso. O grande problema é que a maioria dessas ideias é nada mais que uma mera repetição (melhorada) do que já existe ou, pior ainda, uma criação que se torna viral, tem um ótimo alcance de público, mas que, a proposta em si, não resolve nenhum problema real.

Quando menciono ‘problemas reais’, me refiro aos problemas de necessidade básica do ser humano, como a alimentação, saúde, educação. Muitas ideias surgem para ganhar o mundo, não para mudá-lo ou melhorá-lo. E aqui temos uma grande diferença. Mas, se analisarmos todo o sistema por trás da viabilidade de cada ideia, entenderemos porquê as melhores e mais valiosas ideias são aquelas que almejam apenas ganhar o mundo. O problema vai além da preocupação em melhorar as condições de vida da humanidade, a real preocupação está no ‘quanto se ganha pela ideia’. E aqui trago uma reflexão para todas as partes envolvidas e interessadas.

Enquanto houver único interesse de ganho próprio, nunca teremos uma ideia inovadora, apenas cópias melhoradas (e com tempo de vida determinado) do que já existe. Portanto, para sair do óbvio é preciso procurar mais a fundo e encontrar os gaps existentes em todas essas novas ideias que surgem.

Se você quer criar algo realmente novo, deve sair do ZERO, onde todos estão, e caminhar para o UM, onde poucos estiveram mas deixaram seu legado para toda a eternidade.

Publicado originalmente no Medium

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