Mudanças contínuas e radicais – Filosofias Kaizen e Kaikaku

O conceito de melhoria contínua, a exemplo do Kaizen (que em tradução livre do japonês significa “Mudança para Melhor”), define conjuntos de pequenas mudanças graduais que, em certo prazo, aumentam a qualidade dos produtos de uma empresa, aperfeiçoam atividades operacionais, reduzem tempos de processos e aumentam lucros

A mudança gradual e contínua é essencial e até natural em certo nível, pois todos os dias as pessoas estão sempre aprendendo algo novo e os processos evoluem em ritmo similar. Melhorar contínua e gradualmente, contudo, nem sempre é a grande solução dos problemas de uma organização:

•Os projetos podem ser caros e com amortização demorada fazendo com que os resultados possam demorar a aparecer;
•Pode haver resistência por aceitação de novos conceitos pelas pessoas tanto em nível operacional quanto da gestão pelo engessamento dos conceitos antigos;
•Pode ter havido estagnação das mudanças possíveis dentro do momento atual da empresa;
•E até mesmo os projetos desenvolvidos podem se mostrar ineficazes após avaliação real das mudanças.

Uma filosofia diferenciada em relação a mudanças, em contraponto à ideia do Kaizen é o Kaikaku (que em tradução livre do japonês significa “Mudança Radical”).

Esta filosofia prevê mudanças que podem ser chamadas de “virar a chave”. Introdução de equipamentos novos, automatização de equipamentos estratégicos, mudança total de layout, mudança de local fabril, implementação através de benchmarking de conceitos já estabelecidos no mercado e que para a empresa são novos como o Six Sigma, 5S, Total Productive Maintenance (TPM) ou Total Quality Management (TQM).

Tais mudanças radicais do conceito Kaikaku podem ou não carecer de grandes investimentos, ferramentas como 5S, Six Sigma, TPM, TQM, geralmente precisam de investimentos menores, por se tratarem apenas de filosofias de trabalho, enquanto que a automatização de equipamentos e processos pode chegar à casa dos milhões de reais de acordo com a situação e alteração esperada.

Dificuldades existem também na implementação dos projetos de Kaikaku, entre os possíveis:

• Resistência por parte das pessoas para aceitação de novos conceitos, principalmente quando a mudança é apenas filosófica, portanto é importante o envolvimento das áreas interessadas nas mudanças, quando as pessoas abraçam a causa, e fica nítida a mudança;
• Custos para investimentos podem ser um agravante significativo, por isto os estudos de amortização devem ser realizados com cautela para assegurar que são realistas;
• O tempo de adaptação de novos equipamentos, layouts e automatização pode ser significativo após a implementação do projeto, portanto deve ser considerada uma curva de aprendizado para o novo conceito.
• Elimina, contudo, a estagnação possível dentro do Kaizen, pelo menos por um período até que uma nova estagnação ocorra.

As filosofias Kaizen e Kaikaku podem e devem andar em conjunto, pois preveem ações diferentes com resultados diferentes, mas ambos importantes para o desenvolvimento das organizações. A grande diferença entre ambas é o tempo de implementação e o tempo de resultados dos projetos desenvolvidos. Definir qual dos conceitos se aplica melhor ao momento da organização, realizar avaliações de investimentos, envolver as pessoas e estudar a fundo as mudanças que serão realizadas é a principal forma de alcançar a excelência.

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