Mudanças climáticas preocupam os Estados Unidos. E o Brasil?

Os Estados Unidos começam a se preocupar com o clima e as emissões. No Brasil, pouco vem sendo feito

Atualmente as mudanças climáticas não são mais questionadas pela ciência, nem existem dúvidas quanto à contribuição das atividades humanas para tal fenômeno. O que ainda se discute é o quanto o homem é causador de fatores que aceleram este processo. Na prática, basta olhar a previsão do tempo ou acompanhar o noticiário das mídias, para se dar conta de que o clima está mudando de maneira rápida. Secas prolongadas, chuvas em demasia, ondas de calor e de frio, enfim, os excessos tornaram-se rotina em muitas regiões do planeta. No Brasil, nos últimos dez anos, os fenômenos climáticos têm provocado impactos sociais e econômicos, que a cada ano têm causado em média cinco bilhões de reais em prejuízos, considerando apenas os efeitos sobre a infraestrutura e economia urbanas.

Os Estados Unidos, apesar de ser o país no qual mais se vem estudando o fenômeno das mudanças climáticas e suas causas, efetivamente pouco fez para estabelecer qualquer acordo internacional que tivesse o objetivo de diminuir a emissão de gases do efeito estufa. Se, durante as duas administrações Clinton (1993-2001), os Estados Unidos tiveram uma posição de liderança, junto com a União Européia, na preparação do Protocolo de Kyoto (acordo de redução de emissões, válido a partir de 2005), durantes os dois governos Bush (2001-2009) o país se negou a assumir qualquer compromisso. Mesmo sendo o maior causador das emissões mundiais de gases que provocam o aquecimento da atmosfera, foi somente no governo de Barak Obama, empossado em 2009, que os EUA voltaram a tratar do tema com mais intensidade. Esta guinada provavelmente se deve à crescente pressão da opinião pública americana, já que grande parte do eleitorado de Obama apoiava uma política de meio ambiente mais efetiva.

Nos últimos meses a imprensa americana noticiou alguns fatos que parecem confirmar a intenção do governo Obama em resgatar antigas promessas da primeira campanha presidencial. Em declaração recente, o presidente afirmou que o fenômeno das mudanças climáticas é um fato e destinou um bilhão de dólares para financiar medidas que atenuem os efeitos do clima extremo. Já em maio de 2014 a Casa Branca havia divulgado um relatório, descrevendo os diversos impactos aos quais o país está sujeito, como efeito da mudança do clima. De acordo com a agência de notícias Bloomberg, grande parte dos americanos está disposta a assumir o risco de combater as mudanças climáticas e a apoiar um candidato que proponha tal causa. A mesma notícia informa que 62% dos americanos concordam em pagar mais pela energia, se tal medida significar uma redução das emissões de gases de efeito estufa.

O Brasil sempre foi bastante atuante nas negociações internacionais envolvendo o Protocolo de Kyoto, e nossa delegação apresentou sugestões que foram incorporadas ao pacto. Internamente, no entanto, o tema ainda é pouco discutido. Programas de redução de emissões causadas pelas atividades agropecuárias, transporte, gestão de resíduos e atividades industriais, ainda permanecem em grande parte fora das preocupações do governo e do planejamento das empresas. O problema, no entanto, está aí e cedo ou tarde terá que ser enfrentado pelo país e pelos empresários. Sendo assim, não seria oportuno que o tema das mudanças climáticas fosse efetivamente incluído no programa dos candidatos a cargos executivos?

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