Mudança de carreira: lá vou eu?

O que pensar antes de decidir fazer uma transição de carreira

Por acaso, você já sentiu uma vontade grande de mudar?

De silenciar aquela vozinha desesperadora que todo dia aparece sussurrando o que eu estou fazendo aqui? Cadê o sentido desse trabalho?

As vezes não sabe bem explicar, mas sente-se confiante quanto à mudança. De repente surge em sua mente uma tempestade de pensamentos, desejos e planos e você tem uma sensação gostosa que desta vez esses sonhos podem se tornar realidade. Esse barulho todo pode se transformar em grandes mudanças em sua carreira e em sua vida.

Novas idéias, novos projetos, novos sonhos, uma nova jornada... você sente isso fluir em você. E sabe que a única coisa que tem a fazer é planejar e confiar.

Só que também sente medo.

Medo de perder a estabilidade que conseguiu. Medo do “tiro sair pela culatra”. Medo dos olhares críticos e medrosos da família e dos amigos: “Por que está fazendo isso? Por que mudar agora? E se ficar pior? E se sentir menos realizado ainda? E se o dinheiro acabar? ”

Sim, você tem medo que seus familiares e amigos sintam medo de você rever suas escolhas profissionais.

E mais do que tudo: você sente medo de não dar conta e se arrepender.

Talvez esteja certo em estar com medo, talvez suas idéias não são tão boas assim, talvez sua atual situação de carreira esteja boa sim e seja melhor não mexer nisso. Afinal pra que mudar de vida? Pra que arriscar?

Então, você decide não fazer nada.

Ficar no lugar que está fazendo as mesmas coisas, sentindo-se do mesmo jeito e dizendo pra si mesmo que é melhor assim. É uma decisão mais “madura” e continua a começar a segunda-feira esperando a sexta chegar.

Só que de repente, uma parte sua com uma voz doce diz baixinho: Não, não precisa ser tão sofrido assim, é possível mudar sem doer tanto...

Mas será?

Este diálogo interno representa bem o que se passa na mente de quem está pensando em fazer uma transição de carreira. Mas, o que acontece para essa vontade estar cada mais freqüente?

Pense comigo.

Nas últimas décadas o mercado tornou-se mais competitivo e imprevisível, as relações de trabalho estão mais interdependentes e acompanhadas por grandes mudanças tecnológicas.

Hoje vivemos uma realidade em que coexistem um número muito maior de profissões e oportunidades de trabalho dos mais variados tipos. Por existirem esses portfólios de opções e, ao mesmo tempo, muitos profissionais em busca de trabalho, percebemos um mundo profissional recheado de inseguranças, incertezas e instabilidades.

Por isso, as empresas não se responsabilizam mais pelas carreiras das pessoas, como antigamente, hoje são os profissionais que definem por onde querem começar e quais novos caminhos querem traçar para si, podendo escolher iniciar a carreira numa área e finalizar noutra completamente diferente.

Mas não são só esses fatores de mercado que devemos considerar nesta análise. Vejamos mais:

A expectativa de vida da população aumenta constantemente. Na análise do IBGE entre 1980 e 2013 no Brasil notou-se a evolução de 62,5 anos para 74,9 anos. Um aumento de 12,4 anos. Para esclarecer ainda mais esse fator, as projeções do Ministério da Previdência Social/ Secretária da Previdência Social apontam que em 2025 a população acima de 65 anos de idade representará 10,28% da população total!

Ao trabalharem por mais tempo, as pessoas tendem a vivenciar um número maior de opções de carreira e, assim, desfrutar de todas as transformações e desafios que decorrem desse somatório diversificado de experiências profissionais.

Par você ter idéia, uma pesquisa realizada em 2014 pela Catho, mostrou que 50,2% dos profissionais brasileiros querem mudar de emprego. Ou seja, simplesmente metade dos profissionais pensa em mudar, transitar, repaginar sua carreira. Segundo a pesquisa, esta porcentagem supera até a vontade de ter aumentos de salário (33,7%) e a busca por promoções de cargos (25,1%).

Viu? Não é por acaso que mudar de carreira passa pela sua cabeça, há toda uma lógica que contextualiza essa vontade. Portanto, calma! Você não é nenhum pessimista em excesso que só enxerga o lado negativo da sua situação atual de trabalho, ou alguém ingrato que quer cuspir no prato que está comendo...

Não é bem assim, o mundo não é o mesmo. Existem infinitas possibilidades e, considerando a expectativa de vida que só cresce, você só está no começo dessa “brincadeira” de trabalhar.

A essa altura, você já deve estar pensando “ok, já percebi que não sou um alienígena ingrato ou insatisfeito gratuito, mas por onde começar? O que fazer para tirar essa angústia do peito e decidir o que é melhor pra mim nesse momento de carreira em que me encontro? ”

Então, chegamos no auge desse artigo, está preparado? Me permita começar esse assunto dando um exemplo para ilustrar:

Recentemente fui procurada por um homem com seus 33 anos de idade, vivendo uma encruzilhada de carreira. Suas frases eram: “Eu gosto do que eu faço, já sou razoavelmente reconhecido, mas parece que falta algo. De repente fico entediado, sem pique. Quero experimentar coisas completamente diferentes da minha área! Quero largar tudo e sei lá, ser cozinheiro, por exemplo!!!”

Ao ler um depoimento desse tendemos a pensar: “ah no fundo o talento dele era ser cozinheiro. Esse é o sentido da carreira dele, o que dará mais prazer.... Logo, só falta a autoconfiança! Fim de papo”.

Só que essas questões de carreira, são um pouco mais complexas do que parecem. É preciso parar para pensar: o que exatamente te deixa insatisfeito na atual circunstância?

- É a rotina do trabalho. Entenda: na linha do “colocar a mão na massa”, o que te desconforta é “a massa” em si?

- São os relacionamentos interpessoais? Não gosta do clima de trabalho, está cansado das encrencas típicas desse meio.

- É o sentido da profissão? (Daí vale lembrar: qual é a missão dessa profissão? Em que ela contribui com mundo e com as pessoas?). Então, é o propósito da profissão que já não te apetece mais?

Um adendo importante: saiba que profissão é diferente de carreira. Dentro de uma profissão, a exemplo – engenheiro – podem existir várias possibilidades de carreira. Mas, num sentido mais amplo, essa formação acadêmica tem uma missão de existir nas diferentes facetas de carreira em que ela aparece. Percebe?

Considerando isso:

- O que te incomoda é a aplicação que faz da profissão? Logo, queria ter outra carreira dentro da mesma profissão? Ou quer ter outra profissão?

- São os seus talentos que não estão sendo aplicados no seu dia-a-dia? Você sente que tem vários pontos fortes, que faz sem nenhum esforço e queria colocar mais em prática, mas por algum motivo, seu trabalho atual não permite?

Dentre vários outros questionamentos naquela sessão, o profissional foi descobrindo que no fundo ele não queria ser exatamente cozinheiro naquele momento da sua vida. Queria permanecer em sua profissão só que em outra carreira, mas não qualquer uma! Uma em que ele pudesse usar mais sua criatividade. Como usa, quando cozinha.

Claro, talvez daqui a algum tempo esse barulho mental ainda volte, e ele decida mudar de vez de profissão, podendo ser até cozinheiro. Que assim seja!

Não tem certo e errado quando o assunto é carreira. O que vale é mergulhar de verdade em suas dúvidas para entendê-las melhor, aí sim, seja qual for sua decisão, terá sentido para você. No caso dele, por enquanto, está ok colocar uma pitada de criatividade em sua profissão fazendo alguns ajustes ligados à área de atuação.

O que precisamos entender de vez é que nesse mundo em que estamos vivendo, cheio de oportunidades, incertezas e transformações, faz parte do nosso cotidiano de vida pensar e repensar sobre carreira, por isso acostume-se!

E como bem disse nosso poeta Carlos Drummond de Andrade:

“O desafio não é inventar. É ser inventado hora após hora. É nunca dar como pronta nossa edição convincente”

Portanto mude, repense, reinvente. Mas não de qualquer jeito. Ouça-se, mergulhe em suas questões. Aí sim, vá em busca.

E se esse artigo te ajudou de alguma forma, deixe seu comentário aqui embaixo. É muito importante para que eu possa entender sua opinião e escrever artigos ainda melhores.

Grande abraço e até breve!

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