MPEs: o fomento da economia brasileira

O presente trabalho, de caráter bibliográfico, visa discursar sobre a importância das MPEs para a economia, através da exposição de pontos relevantes para o tema

RESUMO

Inseridas num cenário altamente competitivo, as micro e pequenas empresas brasileiras representam um fôlego extra para a economia nacional. Nesse contexto, torna-se oportuno e viável realizar um trabalho direcionado ao estudo desses empreendimentos, cuja importância é altamente relevante para a economia brasileira. O presente trabalho, de caráter bibliográfico, visa discursar sobre a importância das MPEs (Micro e Pequenas Empresas) para a economia, através da exposição de pontos relevantes para o tema.

Palavras-chave: MPE. Contribuição Econômica. Geração de Empregos.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS


A atividade empreendedora no Brasil vem recebendo grande destaque. Isso pode ser comprovado devido ao grande número de congressos e encontros que incluem o tema empreendedorismo em suas programações. Esse fato é explicado devido ao desejo das pessoas de iniciar o próprio negócio, ter sua própria empresa e desfrutar de uma maior liberdade econômica. De acordo com Chiavenato (2005), as principais razões que levam o empreendedor a abrir seu próprio negócio são:


• Forte desejo de ser seu próprio patrão, de ter independência e não receber ordens de outros, fundamentando-se apenas em seu talento pessoal;


• Oportunidade de trabalhar naquilo que gosta em vez de trabalhar como subalterno apenas para ter segurança de um salário mensal e férias a cada ano;

• Sentimento de que pode desenvolver a sua própria iniciativa sem o guarda-chuva do patrão; • Desejo pessoal de reconhecimento e de prestígio;

• Poderoso impulso para acumular riqueza e oportunidade de ganhar mais do que quando era simples empregado;

• Descoberta de uma oportunidade que outros ignoraram ou subestimaram;

• Desafio de aplicar recursos próprios e habilidades pessoais em um ambiente desconhecido. Na maioria das vezes, o empreendedor consegue abrir uma empresa de pequeno porte. Nessa empresa são depositadas todas as energias do empreendedor, que dedica grande esforço para que seu empreendimento cresça e lhe traga lucros como recompensa por sua dedicação. Mas nem sempre isso ocorre. No Brasil, o que se vê é a grande maioria das micro e pequenas empresas não sobreviver por mais de três anos. No presente artigo, será apresentado um estudo, de caráter bibliográfico, a respeito da MPE, demonstrando sua importância para a economia brasileira, além de pontos importantes como suas etapas de vida e a conseqüente morte do empreendimento.

1 MICRO E PEQUENA EMPRESA


Definir o tamanho de uma empresa representa um processo bem particular, uma vez que as pessoas têm noções diferentes de tamanho ou porte. Assim, uma empresa pode ser classificada de acordo com sua rentabilidade, quadro de funcionários, estrutura física, etc. Em relação a empreendimentos de micro ou pequeno porte, ocorre o mesmo.

Vários critérios podem ser adotados para determinar o porte de uma empresa. Entre os critérios, os mais comuns são: número de empregados, volume de vendas, valor de ativos, seguro da força de trabalho e volume de depósitos (LONGENECKER, MOORE e PETTY, 1997). No caso das MPEs, a classificação do porte é prevista em lei, conforme indica Chiavenato (2005): A Lei n. 7.256, de 27 de novembro de 1984, institui o Estatuto da Microempresa (com alterações feitas pela Lei n. 8.383, de 30 de dezembro de 1991) para efeito de incentivo e facilidade operacionais das empresas de minúsculo porte e das que alcançam um faturamento anual dentro dos limites definidos por lei.

É considerada microempresa aquela cujo faturamento anual não ultrapasse o valor de 96.000 Ufir (Unidade Fiscal de Referência) ou outro limite que venha a ser alterado por nova lei (CHIAVENATO, 2005, p. 47). Também é considerada MPE qualquer empreendimento que possua o seguinte número de empregados (Sebrae apud Chiavenato, 2005):

• Setor industrial: De 20 a 99 funcionários.

• Setor comercial e de serviços: De 10 a 49 funcionários. Especificando, pode-se enquadrar um empreendimento como sendo uma micro ou uma pequena empresa, de acordo com o número de funcionários, segundo Dolabela (1999, p. 133):

• Indústria: o Micro: 1 a 19 empregados; Pequena: 20 a 99 empregados. • Comércio e serviços: o Micro: 1 a 9 empregados; Pequena: 10 a 49 empregados. Utilizando outro critério, pode-se medir o porte de uma empresa de acordo com sua rentabilidade bruta. Assim, considera-se: o Microempresa: Renda bruta de até R$ 120.000,00 ao ano; o Pequena empresa: Renda bruta entre R$ 120.001,00 e R$ 1.200.000,00.

2 ETAPAS DE CRESCIMENTO


Todas as empresas, independente de seu porte, passam por um ciclo de crescimento e desenvolvimento. Esse ciclo começa no momento em que a empresa surge e se encerra no momento em que a empresa fecha as portas. No decorrer desse período, a empresa passa por várias etapas ou estágios, cada qual representando uma fase da vida da empresa. Adizes (1998) classifica em número de dez as etapas pertencentes ao ciclo de vida da empresa, a saber: namoro, infância, toca-toca, adolescência, plenitude, estabilidade, aristocracia, burocracia incipiente, burocracia e morte. As etapas namoro, infância, toca-toca, adolescência e plenitude marcam o crescimento da empresa, enquanto que as etapas da aristocracia, burocracia incipiente, burocracia e morte dão início ao período de declínio da organização.

Outra classificação que também merece destaque é a estabelecida por Bernhoeft (1996). Segundo Bernhoeft (1996), a empresa passa pelas seguintes etapas de crescimento:

• Fase I ou Criação: Fase de abertura do negócio, marcada por constantes incertezas e preocupações. Nessa fase, o grande desafio é conseguir os primeiros clientes e honrar compromissos firmados, como entregas de produtos ou serviços contratados. A falta de capital de giro é um dos maiores obstáculos nessa fase.

• Fase II ou Sobrevivência: É a fase onde a empresa precisa demonstrar sua viabilidade. Nessa fase, a empresa já possui um certo número de clientes, mas ainda possui uma estrutura simples e o processo decisório permanece nas mãos do proprietário, que geralmente se preocupa com a manutenção e funcionamento do negócio, desprezando assim pontos importantes como o planejamento.

• Fase III ou Sucesso: É a fase intermediária, onde a empresa precisa estar preparada para o processo de expansão ou decidir se continuará mantendo a tamanho atual, que lhe permitiu chegar até essa fase. Essa fase pode ser dividida em consolidação do negócio e expansão do negócio. Na fase da consolidação, a empresa consegue se firmar no mercado e começa a fazer planos de expansão. Na etapa de expansão, a empresa começa a conquistar uma parcela maior de mercado, aumentando assim o número de clientes e modificando sua estrutura, já que passará a atuar em condições diferentes das que estava acostumada.

• Fase IV ou Crescimento: É a fase onde ocorre a descentralização da empresa. A empresa entra num nível mais profissionalizante, ou seja, já possui um bom planejamento, compreendido e adotado por todo o quadro de funcionários. A figura do dono é separada da empresa, que precisa desse afastamento para crescer e se desenvolver.

• Fase V ou Maturidade: Nessa fase, a empresa já conseguiu crescer e expandir seus negócios. Ocupa uma posição confortável no mercado, pois já superou os problemas iniciais e está consolidada no mercado. As etapas de crescimento das empresas precisam ser consideradas e planejadas desde a primeira fase ou etapa, para que surpresas possam ser evitadas no futuro.

3 A IMPORTÂNCIA DA MPE PARA A ECONOMIA


A economia brasileira não vive somente da participação de grandes empresas. As MPEs desempenham um papel de extrema importância no cenário econômico brasileiro, pois respondem por boa parte das ocupações geradas e contribuem para um grande percentual do PIB. A representatividade das MPEs para a economia brasileira pode ser entendida através dos seguintes dados do Sebrae (apud Tachizawa e Faria, 2002, p. 11).

• 4,5 milhões de estabelecimentos;

• 48% da produção nacional;

• 98,5% das empresas existentes no país;

• 95% das empresas do setor industrial;

• 99,1% das empresas do setor de comércio;

• 99% das empresas do setor de serviço;

• 60% da oferta de emprego;

• 42% do pessoal ocupado na indústria;

• 80,2% dos empregos no comércio;

• 63,5% da mão-de-obra do setor de serviços;

• 21% do Produto Interno Bruto (ou R$ 189 bilhões).

Esses números transmitem a importância dos micro e pequenos empreendimentos no Brasil. Além de ser mais rápidas e de prestar serviço personalizado aos clientes, as micro e pequenas empresas podem fazer com que seus colaboradores alcancem níveis mais altos de motivação e envolvimento, se comparadas com as grandes organizações. Por serem pequenas, possibilitam aos colaboradores identificar-se com a empresa, ver o resultado de seu trabalho, visualizar a organização como um todo e entender como seu trabalho está ligado aos resultados econômicos, além de se sentirem responsáveis pelo sucesso ou fracasso empresarial (TACHIZAWA e FARIA, 2002, p. 18-19).

A participação das MPEs responde por 21% do PIB brasileiro, e essas empresas empregam cerca de 60% da mão-de-obra no país. São apenas algumas observações que podem ser feitas a respeito desses empreendimentos. Mas algumas outras contribuições merecem destaque. Entre essas, Longenecker, Moore e Petty (1997) apontam as seguintes:

• Geração de novos empregos;

• Fonte de inovação;

• Estimula a competição econômica;

• Auxílio às grandes empresas;

• Produção eficiente de bens e serviços. As MPEs representam uma importante fonte de geração de riqueza para o país, portanto ignorar o potencial desses empreendimentos significa desvalorizar um importante agente de fomentação da economia, que contribui de forma significativa para o seu desenvolvimento.

4 SETORES ATUANTES


Devido a representatividade das MPEs para a economia nacional, é importante que se saiba quais os setores da economia onde os micro e pequenos empreendimentos alcançam maior destaque. “As empresas pequenas operam em todos os setores, mais diferem enormemente em sua natureza e importância de um setor para outro” (LONGENECKER, MOORE e PETTY, 1997, p. 29).

Apesar de atuarem em todos os setores da economia, as empresas de micro e pequeno porte possuem atuação mais marcante em alguns e mais discreta em outros. As MPEs atuam em diversos setores da economia, tendo maior destaque nos seguintes setores, conforme demonstra Chiavenato (2005, p. 42-43):

• Comércio atacadista: Empresas atacadistas de medicamentos, comércio atacadista de alimentos, materiais de escritório, materiais de construção etc;

• Construção: Contratantes de edificações, engenharia de construção, serviços de manutenção de edifícios etc;

• Comércio varejista: Lojas em geral, restaurantes, pizzarias, postos de gasolina etc;

• Serviços: Agências de viagem, salões de beleza, barbearias, entregas rápidas etc;

• Finanças, seguros e imobiliárias: Agências de seguros, empresas corretoras de imóveis etc;

• Mineração: Empresas de areia e cascalho, minas etc; • Transporte e utilidades públicas: Empresas de táxi, estações locais de rádio e TV etc;

• Manufaturas: Padarias, oficinas de automóveis, oficinas de bicicletas e motos etc. A atuação das MPEs responde por 99 % do setor de serviços, 99 % dos setor de comércio e 95% do setor industrial. São 4,5 milhões de estabelecimentos, o que representa 98,5% do total de empresas existentes no país. Esses números demonstram a grande contribuição que estas modalidades de empresas proporcionam à economia brasileira.

5 CLUSTERS: ALTERNATIVA DE CRESCIMENTO


A atual realidade econômica, tanto no âmbito nacional quanto internacional, impõe às empresas, em especial as MPEs, um ritmo de competitividade cada vez mais agressivo. Fatores como a globalização e a concorrência com empresas estrangeiras, fazem com que as empresas locais busquem novas alternativas de sobrevivência para se adaptarem às constantes mudanças que ocorrem no mercado. No caso das MPEs, uma dessas alternativas é a formação dos chamados clusters.

Segundo Lins apud Correia, Nunes Lins e Nunes, clusters são: concentrações geográficas de firmas setorialmente especializadas, principalmente de pequeno e médio porte (PMEs), onde a produção tende a ocorrer verticalmente desintegrada (...) e em meio a relações interfirmas a montante e a jusante (...), mercantis e não-mercantis e simultaneamente cooperativas e competitivas (LINS apud CORREIA, NUNES LINS e NUNES, 2004, p. 30). Porter apud Correia, Nunes Lins e Nunes (2004, p. 30) define cluster como “um sistema de empresas e instituições interrelacionadas, cujo valor como um todo é maior do que a soma das partes”.

Clusters constitui uma possibilidade para as MPEs atuarem de forma mais competitiva no mercado, em relação à concorrentes que dispõem de mais recursos. Segundo Correia, Nunes Lins e Nunes (2004, p. 31) “o cluster apresenta alto potencial de vantagens de redução de custo, ganhos de qualidade, escala e escopo com avanços tecnológicos, e organizacionais advindos deste conjunto de atores”. De acordo com Amato Neto (2000, p. 53), pode-se entender cluster como sendo “a concentração setorial e geográfica de empresas”. Frente à dura concorrência imposta atualmente pelo mercado, o cluster surge como uma alternativa de sobrevivência e desenvolvimento para as MPEs, que ao atuarem em conjunto podem desenvolver vantagens competitivas e enfrentar de forma flexível as mudanças ocorridas no mercado em que atuam.

6 CUIDADOS PARA IMPLEMENTAÇÃO DA MPE


A criação de um empreendimento de micro ou pequeno porte é um processo que requer vários cuidados por parte do futuro empreendedor, pois erros cometidos na abertura da nova empresa podem originar possíveis causas para o fechamento da mesma. Segundo Chiavenato (2005), na fase de implementação de uma MPE, vários cuidados devem ser tomados para evitar perigos ao novo negócio, como:

• Não identificar adequadamente qual será o novo negócio; • Não reconhecer apropriadamente qual será o tipo de cliente a ser atendido;

• Não saber escolher a forma legal de sociedade mais adequada; • Não planejar suficientemente bem as necessidades financeiras do novo negócio;

• Errar na escolha do local adequado para o novo negócio;

• Não saber administrar o andamento das operações do novo negócio;

• Não ter conhecimento sobre a produção de bens ou serviços com padrão de qualidade e de custo;

• Desconhecer o mercado e, principalmente, a concorrência;

• Ter pouco domínio sobre o mercado fornecedor;

• Não saber e promover os produtos;

• Não saber tratar adequadamente o cliente. Os pontos acima listados apontam a necessidade do empreendedor em adquirir bases de conhecimento que possam dar suporte para que suas decisões sejam tomadas de forma segura e com poucos riscos. Esse conhecimento pode ser adquirido através da combinação de consultas à revistas e sites especializados, pesquisas de mercado, experiência pessoal e profissional, etc.

Porém, não é aconselhável a tomada de decisões apoiada em apenas um desses fatores, sob pena de cometer grandes e decisivos erros. Todo conhecimento deve ser combinado. Outro erro comum que candidatos à empreendedor cometem é seguir modelos e receitas de sucesso, espelhando-se em experiências de terceiros, seguindo-as passo-a-passo. “Um dos grandes cuidados que os empreendedores devem tomar é não basear seu sonho e o planejamento do negócio próprio apenas nos modelos das grandes organizações” (BERNHOEFT, 1996, p. 109).

O que funciona para determinada empresa não se aplica necessariamente à todas as outras. Em relação à atuação no mercado, a principal dificuldade está no fato de concorrer com empresas já consolidadas e conhecidas pelo consumidor. Segundo Tachizawa e Faria (2002), entre os principais desafios para sobrevivência das MPEs estão:

• Diferencial diante do mercado;

• Qualidade oferecida aos clientes;

• Preço compatível com o praticado no mercado. MPEs competem por parcelas pequenas de mercado, pois não dispõem de recursos para ocupar posições de destaque no mercado. Individualmente, competem por pequenos nichos de mercado, os quais já são disputados por muitas outras empresas. Para tentar se sobressair diante dessa complicada e numerosa concorrência, é preciso definir claramente objetivos e metas, conhecer o mercado no qual pretende-se atuar, etc.

A implantação do negócio, pensando basicamente no que se deseja produzir, para só então, tentar atingir o mercado, vem sendo um dos principais fatores para o fracasso e fechamento de um grande número de empreendimentos. Porém, não podemos deixar de ressaltar outros: A falta de objetividade, desconhecimento do mercado, erro nas estimativas das necessidades financeiras, sub-avaliação dos problemas técnicos, falta de diferenciação, falta de planejamento (...), desconhecimento dos aspectos legais, escolha de sócios errados e localização inadequada do empreendimento (ALVES e BEZERRA, 2005, p. 4).

A questão burocrática representa uma dificuldade a mais para a implementação de empresas no Brasil. “O sistema tributário brasileiro é também extremamente complexo – segundo o Banco Mundial, uma empresa média gasta 2600 horas ao ano para vencer a maratona de obrigações com o Fisco” (CAETANO e PADUAN, 2005, p. 23).

A burocracia no Brasil representa uma barreira até para o fechamento de empresas, que em muitos casos chegam a esperar até dez anos para legalmente fechar as portas. Diante dessa realidade, muitos empresários fecham suas empresas sem notificar a Junta Comercial, contribuindo assim para o aumento da irregularidade de empresas extintas.

Até os empreendedores estrangeiros encontram grandes dificuldades para começar um novo negócio no Brasil. Além de uma série de documentos, os empresários estrangeiros enfrentam um longo processo burocrático, que resulta num longo prazo de espera para abertura de uma empresa. Segundo Carvalho (2005), no Brasil o prazo para abertura e legalização de empresas de proprietários estrangeiros pode chegar a 190 dias, contra apenas 40 dias na Inglaterra ou 50 em Hong Kong. Isso permite ao Brasil ocupar posição de destaque entre as burocracias mais lentas do mundo.

7 MORTALIDADE DA MPE


Em relação às micro e pequenas empresas, é importante não esquecer um assunto muito discutido e analisado, a taxa de mortalidade. “Cerca de 73% de micro, pequenas e médias empresas não cumprem sua finalidade maior e não sobrevivem” (TACHIZAWA e FARIA, 2002, p. 59). Dados como este expõem a realidade dos micro e pequenos empresários no Brasil.

Diversos fatores levam as MPEs a esse desfecho. Entre esses fatores, destacam-se os ligados à questões financeiras, como falta de capital de giro, dificuldades em obter crédito, problemas com inadimplência, elevada carga tributária, vendas insuficientes, etc. Dolabela (1999) aponta os seguintes fatores como sendo influentes no processo de mortalidade das MPEs:

- Falta de planejamento de produção (40%);

- Falta de planejamento de vendas (50%);

- Falta de sistemas de custeio (45%);

- Falta de controle de estoques (47%);

- Falta de técnicas de marketing (85%);

- Falta de treinamento de RH (80%);

- Falta de avaliação de produtividade (65%);


- Falta de gerenciamento de qualidade (60%);


- Falta de recursos de informática (90%).


Uma possível explicação para dados como os apresentados no quadro 1 seriam as incertezas decorrentes dos primeiros anos de atividade do empreendimento (AUDRETSCH, apud ALVES e BEZERRA, 2005). No entanto, fatores como falta de planejamento, de capital, de motivação, de qualificação de funcionários e de experiência também pesam na hora da empresa fechar as portas.


A taxa de mortalidade empresarial no Brasil, apurada para as empresas constituídas e registradas nas juntas comerciais dos Estados nos anos de 2000, 2001 e 2002, revela que 49,4% encerraram as atividades com até 02 (dois) anos de existência, 56,4% com até 03 (três) anos e 59,9% não sobrevivem além dos 04 (quatro) anos (SEBRAE, 2005, p. 19).

Índices como esses demonstram a falta de preparo e competitividade empreendedora no país. “Trabalhos confirmam que a taxa de mortalidade diminui para empresas filiadas a outros estabelecimentos, ou seja, empresas interligadas à uma matriz têm uma maior probabilidade de sobreviver (filial/matriz)” (ALVES e BEZERRA, 2005, p. 2).

8 O SIMPLES


Trata-se de um programa que prevê incentivos fiscais ao micro e pequeno empreendimento. O SIMPLES está em vigor desde janeiro de 1997, e consiste na unificação do pagamento dos seguintes impostos: IRPJ, PIS, COFINS, CSLL, INSS Patronal e IPI, caso seja contribuinte. Esse programa pode ser entendido como uma tentativa do governo para aliviar o processo de burocratização em relação aos micro e pequenos empreendimentos, visando assim facilitar o trabalho dos micro e pequenos empresários. É um incentivo aos micro e pequenos empresários e está previsto em lei, conforme indica Dornelas (2001): De acordo com a legislação federal, a micro e pequena empresa, também conhecida como empresa de pequeno porte, é classificada pela Lei 9.137, de 05/12/1996, que institui o Tributo Federal SIMPLES.

O SIMPLES é uma forma simplificada (daí o nome) de recolhimento de tributos e contribuições federais, para microempresas e empresas de pequeno porte, por meio de um único documento, com base em percentuais calculados sobre o faturamento bruto do mês anterior. O SIMPLES ainda proporciona vantagens às empresas que optam por esse plano, como em relação aos encargos trabalhistas e previdenciários.

CONSIDERAÇÕES FINAIS


Ser micro ou pequeno empresário no Brasil significa enfrentar desafios e conviver com a realidade da mortalidade da empresa, devido às inúmeras dificuldades impostas às MPEs, sobretudo em questões de natureza econômica. Esses dados confirmam a importância dos fatores financeiros na mortalidade das empresas brasileiras. “Os empreendedores investem sem ter a noção de como funciona realmente na prática o empreendimento, imaginando ter um lucro fabuloso” (ALVES e BEZERRA, 2005, p. 3). Ou seja, eles investem na abertura das empresas e se esquecem de dar continuidade ou simplesmente não procuram conhecer a realidade de uma empresa.

Parece que ignoram o que será preciso fazer para que o empreendimento continue em atividade. “A maioria dos negócios não começa grande. Empreendimentos podem tornar-se grandes empresas na medida em que sejam bem administrados e tenham sucesso. É da maior importância ter uma clara noção dos limites que se quer atingir (...)” (BERNHOEFT, 1996, p. 109). Não basta dispor de capital e investir. É preciso ter conhecimento e planejamento, para que um sonho não venha a tornar-se um pesadelo.


AUTORES: ALAN ANDRÉ APARECIDO BEZERRA E EDNILSON BARBOSA DE OLIVEIRA (G-FACULDADES NOBEL)


REFERÊNCIAS


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BERNHOEFT, Renato. COMO TORNAR-SE EMPREENDEDOR (EM QUALQUER IDADE). São Paulo: Nobel, 1996.

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CARVALHO, Denise. Sucesso, apesar da burocracia. Revista Exame. São Paulo: Ed. Abril, ed.848, n.15, ano 39, p.62, 3 ago.2005.

CHIAVENATO, Idalberto. EMPREENDEDORISMO: Dando asas ao espírito empreendedor. 1. ed., São Paulo: Saraiva, 2005.

CORREIA, Paulo da Cruz; NUNES LINS, Hoyêdo e NUNES, Blas Henrique Caballero. Clusters: A união de pequenas e médias empresas como elemento facilitador do crescimento econômico. RACRE – Revista de Administração CREUPI (Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal). Espírito Santo do Pinhal – SP, v. 02/04, n.06/08, p.29-43, jul.2003/dez.2004.

DOLABELA, Fernando. O SEGREDO DE LUÍSA. 14. ed., São Paulo: Cultura, 1999.

DORNELAS, José Carlos Assis. EMPREENDEDORISMO: Transformando idéias em negócios. Rio de Janeiro: Campos, 2001.

LONGENECKER, Justin G.; MOORE, Carlos W. e PETTY, J. William. ADMINISTRAÇÃO DE PEQUENAS EMPRESAS. São Paulo: Pearson, 1997.

RUPPENTHAL, Janis Elisa e MALLMANN, Tagli Dorval Mairesse. Empreendedores: Heróis ou sobreviventes?. VII SEMEAD – Seminários Em Administração. FEA/USP. São Paulo. 2004. Disponível em: Acesso em: 25 set. 2005.

TACHIZAWA, Takeshy e FARIA, Marília de Sant’Anna. CRIAÇÃO DE NOVOS NEGÓCIOS: Gestão de micro e pequenas empresas. Rio de Janeiro: FGV, 2002.

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