Modernizar para competir: uma questão de percepção e ação para a mudança

Este artigo apresenta o conceito de "empresa moderna" e sugere que chegou o tempo de mudanças quando forem percebidas algumas características ou situações mencionadas no texto

Antes de qualquer coisa, vamos conceituar o que vem a ser uma Empresa Moderna, de tal modo que a partir deste próprio conceito, nós possamos estabelecer quais os passos que uma empresa deve dar em busca de sua modernização.

No nosso entender, Empresa Moderna é aquela que administra o tripé – tecnologia, organização e recursos humanos - de forma harmônica e equilibrada, visando obter crescentes ganhos de produtividade que se refletem na qualidade de seus produtos e serviços e na satisfação de seus clientes, colaboradores e proprietários ou acionistas.

Entendemos e aceitamos como absolutamente normal que, nos dias de hoje, algumas empresas ainda apresentem distorções gerenciais e organizacionais que as acompanham há muito tempo, pois, se tratam de processos e formas de trabalhar, administrar e decidir nelas incrustadas provenientes de idos tempos e cuja prática se tornou usos e costumes nessas empresas.

Talvez isso ocorra porque o desafio de mudar ainda não tenha se manifestado ou porque tenha sido o desafio de apenas alguns e não de todos o que acarretou a falta de sinergia em torno dele.

Não podemos esquecer, também, que a cultura e os valores internos das empresas construídos ao longo dos anos, nem sempre são suficientemente flexíveis para se moldarem a um novo padrão de pensamento e comportamento em curto prazo.

Entretanto, “não se faz omelete sem quebrar ovos” e se quisermos dotar essas empresas de uma nova roupagem será preciso mudar, acima de tudo, as atitudes das pessoas que nelas trabalham, sejam seus dirigentes, sejam seus colaboradores.

A mudança terá que ser de dentro para fora; através, primeiro de uma conscientização individual de que é preciso mudar e depois, por meio de uma conscientização coletiva transformando a vontade em ação, “fazendo o elefante dançar”, como nos ensina James Belasco em seu livro “Ensinando o Elefante a dançar: como estimular mudanças na sua empresa.” Aí sim, ter-se-á um campo fértil para se lançar as sementes da mudança e consequentemente da modernização da gestão, dos métodos e dos processos de planejamento, organização, direção e controle empresarial.

Sem essa mudança intrínseca, sem a vontade íntima de cada um, sem que as pessoas se sintam dispostas a fazer parte de uma nova proposta de comportamento dentro da empresa, as sementes da mudança serão lançadas em terreno árido, sem chances de fertilização, sendo destruídas pelos ventos e pelas tempestades do mercado.

Não devemos, entretanto, esperar que as mudanças comecem nos níveis mais humildes da empresa, através daqueles que estão apenas cumprindo ordens que nem sempre são dadas da melhor maneira possível. A mudança deve começar no nível superior, no topo da pirâmide, pelo mais alto executivo, que passando do discurso à prática, dará contínuos exemplos através de atos, decisões, atitudes, posturas e comprometimentos, mostrando, enfim, ao vivo e em cores, que alguma coisa está mudando na empresa e para melhor.

Só assim, a estrutura será permeada desse novo sentimento e o contágio, assim como ocorre num processo de osmose, naturalmente se alastrará por todos os membros da empresa. Nesse momento, a empresa estará se modificando de forma irreversível. As pessoas se tornarão sócias do esforço coletivo para a mudança, se sentirão cooptadas e se tornarão corresponsáveis e comprometidas com os resultados da mudança.

Para isso, também será necessário que haja um cobrador incansável das missões que serão atribuídas a cada um e que estes, da mesma forma, se transformem em cobradores incansáveis das missões que atribuírem a seus subordinados e assim sucessivamente, até que todos, do mais alto escalão ao mais humilde colaborador, se sintam como construtores de Catedrais e não simples quebradores de pedras.

Mas, poderá me perguntar o leitor, quando mudar? Para que você mesmo possa definir o seu tempo de mudança, apresento-lhe a seguir uma relação de situações que, individualmente ou no seu conjunto, no todo ou em parte, sinalizam para a necessidade de mudanças na empresa. É tempo de mudança, quando:

1. O paternalismo, o protecionismo, o clientelismo, o favoritismo, o nepotismo e outros “ismos” prevalecem nos processos de gestão de pessoas em detrimento da transparência de critérios e da democrática meritocracia;

2. Há centralização em excesso, tanto na execução, como nos processos de tomada de decisão, provocando “gargalos”, atrasos e interrupções nos fluxos de papéis e de informações, criando as figuras dos “donos” das informações e dos insubstituíveis, sem os quais a empresa não funciona, na opinião deles, é claro;

3. As áreas organizacionais não são colaborativas entre si. O conceito de “cliente interno” não existe e o cliente externo é visto como um mal necessário;

4. Há ausência de conflitos internos entre as áreas como reflexo da acomodação e da falta de ímpeto para discutir, reclamar, lutar pelo seu espaço e pela sua autoridade, como se nada mais pudesse ser feito para mudar a situação. “Deixa como está”, “cada um cuida do seu” e “bola pra frente” são os lemas do clima organizacional reinante e, infelizmente, agonizante;

5. As políticas e diretrizes da empresa não são claras, propiciando soluções diferentes para problemas iguais, decisões ambíguas e procedimentos equivocados;

6. Faltam comunicação e divulgação de informações em todos os níveis, tanto na horizontal, como na vertical. Fala-se muito, comunica-se pouco;

7. Persistem os “feudos” que, fechados em si mesmos, executam tarefas e atividades em duplicidade, ignorando os conceitos básicos de colaboração, compartilhamento e visão de conjunto;

8. Não há sensibilidade para a limpeza e para a ordem, podendo ser observados com facilidade, em qualquer canto para onde se olhe, desperdícios, acúmulo de material inservível e negligência no trato do patrimônio da empresa e do próprio local de trabalho do colaborador;

9. Há um abismo entre as informações que a empresa necessita para análise e tomadas de decisão e aquelas que o estágio atual em que se encontra a Informática interna oferece, exigindo de cada um que dela necessite que crie seus próprios bancos de dados, programas e relatórios, transformando a informática da empresa, numa grande colcha de retalhos, mal costurada e cheia de buracos; ou

10. Competitividade é uma palavra de ordem, apenas na casa do concorrente.

Se a sua empresa, caro leitor, apresenta alguma dessas situações acima descritas, fique certo que é hora de mudar; é hora de fazer da mudança uma nova bandeira, e fazer dessa bandeira, um grande símbolo de luta não só pela sobrevivência, mas, também pela modernização e crescimento de sua empresa; é hora de rever seus conceitos de gestão empresarial para transformá-la numa empresa moderna e competitiva, por que, parafraseando Fernando Pessoa, poeta português que eternizou a célebre frase dos navegadores antigos, “navegar é preciso”: para vencer as batalhas do mercado “mudar é preciso”, sempre.

Sérgio Lopes

Agosto/2013

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    Sérgio Lopes

    Sérgio Lopes

    Sou Mestre em Administração (Metodista, 1985, Pequenas e Médias Empresas), Pós-Graduado em Análise de Sistemas (FAAP, 1978), Sistemas de Informações (Mauá, 1979) e em Administração Financeira (Fecap, 1981) e Graduado em Administração (USP, 1974), com experiência profissional de 50 anos, tendo ocupado cargos técnicos e executivos nas áreas de Organização, Sistemas e Tecnologia da Informação em diversas empresas.

    Frequentei dezenas de cursos, palestras, congressos e seminários voltados para o aperfeiçoamento e reciclagem profissional nas áreas de Qualidade, Organização, Sistemas, Informática, Recursos Humanos e Planejamento Empresarial, tendo participado de treinamento em tecnologia avançada na França e Espanha.

    Há 32 anos atuo como Consultor Empresarial nos mais diferentes tipos e portes de Organizações participando de projetos nas áreas de Recursos Humanos, Organização, Sistemas e Métodos, Organização e Planejamento Empresarial, Mapeamento de Processos, Sustentabilidade, Qualidade (Total e ISO) e Produtividade.

    Atuo na área educacional há 38 anos, tendo acumulado experiência como Docente e Coordenador em cursos superiores de graduação e docente em cursos de pós-graduação em Instituições de Ensino Superior de São Paulo, Bahia e Espírito Santo e Instrutor em Cursos de Capacitação e Desenvolvimento Profissional, lecionando em Universidades Corporativas e Entidades de Ensino Livre em diversos Estados do País.

    Palestrante em Entidades de Classe sobre temas relacionados a Desenvolvimento e Gestão Empresarial.

    Sou membro do GEES - Grupo de Excelência de Ética e Sustentabilidade, do CRA/SP.

    contatos: slcons@uol.com.br

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