Modernização da agricultura no Brasil

A base comparativa parte do contexto da agricultura tradicional para agricultura de países desenvolvidos, com sistemas produtivos integrados, cuja cadeia se constitui de indústria fornecedora de insumos agrícolas, agroindústria e a unidade agrícola. Esta última apoiando-se em produtividade resultante de técnicas modernas de uso do solo e uso intensivo de implementos. Quanto ao desenvolvimento tecnológico, algumas vertentes de pensamento surgem diante de análises microeconômicas, como por exemplo, proveniente da substituição de fatores relativamente escassos, mais dispendiosos, por outros mais abundantes. FIGUEIREDO (1996) cita como exemplo, variedade mais produtiva e fertilizante para anulação das restrições ao crescimento imposta pela escassez de terra. Pelo antes exposto é possível identificar dois tipos de inovações tecnológicas aplicáveis à agricultura: - Inovações em tecnologia mecânica (economizadora de mão-de-obra) contribui para o aumento da produtividade do trabalho; - Inovações em tecnologia química e biológica (economizadora de terra) geralmente acarreta um aumento do rendimento da terra pelo aumento da fertilidade do solo através de sistemas de conservação mais intensivos em mão-de-obra, por exemplo. Experiências de modernização da agricultura em países como EUA e Japão mostram que o Estado tem sido o grande promotor das mudanças através da pesquisa agrícola, promoção da capacitação de seus técnicos, incentivos para a produção industrial dos insumos e políticas agrícolas que alterem os preços relativos de produtos e insumos. Tecnologia agrícola e eqüidade Há clara distinção entre pequenos e grandes agricultores quando se trata do emprego de tecnologia mecânica pela necessidade de sua aplicação em escala, resultando num diferencial de produtividade e conseqüente renda agrícola. Tão importante, é também ressaltar que a adoção de inovações em tecnologia mecânica contribui para diminuição do emprego agrícola, podendo ser considerado um fator que contribui para o êxodo rural. Em função basicamente do acesso a informação, também se diferenciam os grandes dos pequenos quando o assunto é aplicação de inovações químicas e biológicas. A origem do resultado de maior produtividade é principalmente nos grande agricultores ora pela maior capacidade de financiamento ora pela maior capacidade de uso, resultando num aumento da área da propriedade, portanto, aumentando o lucro que por sua vez permite aquisição de mais tecnologia mecânica, que, como vista antes, resulta em desemprego. Modernização agrícola, desigualdade e pobreza no Brasil A modernização da agricultura no Brasil surge com parte da política de substituição de importações, plano do segundo Governo Vargas. Mas é na década de 60 que se solidifica a indústria de bens de produção para agricultura tratores, implementos, fertilizantes e defensivos , e a expansão das agroindústrias processadoras que provocaram profundas transformações na base técnica da agricultura. Entretanto, a estratégia utilizada nesse plano, privilegiou o aumento da eficiência, deixando em segundo plano, questões estruturais tais como a desigualdade da distribuição da renda e da posse da terra, desigualdades regionais, baixo nível de escolaridade, desemprego e êxodo rural. Com destaque para políticas de crédito a juros subsidiados, na década de 70, a agricultura brasileira mostrou grande dinamismo, cabendo ao Estado o importante papel na promoção da reformulação do aparato institucional de assistência técnica e de pesquisa, visando oferecer aos agricultores, maior disponibilidade de conhecimentos técnicos e científicos com a criação da EMBRAPA e EMBRATER. A crise dos mercados no início da década de 80 provocou um processo de modernização da agricultura mais lento, resultado do decrescimento substancial dos subsídios para aquisição de insumos modernos e de máquinas e equipamentos. Este conjunto de fatores associados à capacidade maior de articulação dos grandes agricultores proporcionou um desequilíbrio no padrão tecnológico das regiões brasileiras, notadamente nas grandes propriedades das regiões mais desenvolvidas (centro sul), atingindo as lavouras de soja, cana-de-açúcar e a pecuária. Uma importante observação de FIGUEIREDO (1996) é que o fator limitante da modernização da pequena propriedade parece residir, fundamentalmente, na incompatibilidade entre a escala mínima de produção requerida pelo novo padrão tecnológico e a insuficiência dos recursos produtivos e financeiros da pequena propriedade. Nas pequenas propriedades, as técnicas que não dependem de uma escala mínima foram mais incorporadas que as tecnologias mecânicas. O fato de absorverem as novas técnicas apenas parcialmente provocou um aumento das diferenças de produtividade entre as pequenas e as grandes unidades produtivas. O autor termina por citar a existência de muitos trabalhos argumentando que a política agrícola, cujo principal instrumento foi o crédito rural subsidiado, concorreu para o aumento das desigualdades, pois dadas às estruturas fundiárias e organizacionais, os recursos creditícios se acumularam no grupo dos produtores mais integrados ao mercado e os maiores. GRAZIANO (1983) citado por FIGUEIREDO (1996) aponta que a modernização das instituições de pesquisa e assistência não concorreu para gerar tecnologias adequadas às condições da pequena propriedade atendendo mais as demandas dos setores industriais a montante e a jusante da produção agropecuária. Por fim, numa nova citação a GRAZIANO (1983), FIGUEIREDO (1996) assegura que permanecem válidas as observações: o desenvolvimento capitalista na agricultura brasileira acentua marcas contraditórias ao produzir simultaneamente riqueza e pobreza, ao conjugar uma grande capacidade de se modernizar com a manutenção de agudas desigualdades ao nível tecnológico entre regiões e produtos, ao exibir modernas relações de trabalho acopladas com a extensão ilegal da jornada de trabalho em todas as regiões do país. Referência FIGUEIREDO, N.M.S. Modernização, distribuição da renda e pobreza na agricultura brasileira, 1975, 1980 e 1985. 248p. Piracicaba, 1996. Tese (Doutorado) Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo.
ExibirMinimizar
CEO Outllok, A era da liderança resiliente. Confira os Resultados.