Café com ADM
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MINHA EMPRESA FUTEBOL CLUBE

Meus alunos sempre dizem que, todas as comparações que faço sobre como atuar numa empresa há sempre uma analogia ao futebol. Como sou fanático por futebol (sou torcedor do Flamengo, eu sei que ele não vai muito bem), é fácil compará-lo a uma empresa e sempre o faço com propriedade. Por isso resolvi fazer uma série de artigos falando da Minha Empresa Futebol Clube, ou seja, estudaremos as relações empresariais com as futebolísticas e aprenderemos como tornar a empresa tão apaixonante quanto o futebol. O primeiro artigo da série será sobre liderança (técnico), depois falaremos sobre liderança (capitão do time), estratégia, comunicação e organização, relacionamentos interpessoais e vendas. O futebol tornou-se o maior esporte do mundo pela sua capacidade de encantar o povo, mexer com suas emoções e despertar paixões. Mas ele também conquistou tanto espaço por ser um esporte coletivo, onde são necessárias várias pessoas envolvidas para se chegar ao objetivo, o título de campeão. Antes de começarmos, uma pequena explicação sobre o futebol, afinal de contas, nem todos precisam entender futebol, apesar de sermos brasileiros e isto ser quase uma obrigação (um pouco menor para as mulheres). Um time de futebol é formado pela sua diretoria, comissão técnica e jogadores. A diretoria é responsável pela parte gerencial do clube, como contratações de jogadores, pagamentos de salários, vendas de ingressos, promoções, interesses do time e outros aspectos burocráticos. A comissão técnica se empenha pela parte física dos atletas, treinamentos, táticas, posicionamento dos jogadores. É na comissão técnica que está inserido um dos líderes do time, o treinador. E os mais conhecidos de um time de futebol, os jogadores. São eles os atores do grande espetáculo de uma partida de futebol. LIDERANÇA - O TÉCNICO DO TIME Após essa pequena explicação, vamos começar falando sobre a importante pessoa do treinador. Uns dos responsáveis pelo sucesso e insucesso de um time. Para alcançar o sucesso, o treinador usa de algumas táticas, visando com isso obter as vitórias necessárias para chegar ao título. Mas para conseguir tirar o melhor de cada jogador, técnico usa três importantes fatores: a confiança, motivação e responsabilidade. 1. CONFIANÇA Para ganhar a confiança dos jogadores, o técnico tem que cativá-los e mostrar que está disposto a andar com eles lado a lado, e juntos conquistarem vários títulos. Para exercer a liderança sobre esses atletas, deve-se sempre lembrar que liderar é a habilidade de influenciar pessoas a trabalharem entusiasticamente visando atingir os objetivos identificados como sendo para o bem comum (p.25). Essa é a definição de liderança apresentada por James C. Hunter em seu livro O Monge e o Executivo. Liderar é uma habilidade, ou seja, pode ser adquirida e é influenciar, não imposto. Para que isso seja aceito como verdade, é necessário o técnico ganhar a confiança dos seus liderados, isto se faz ouvindo-os, conversando e mostrando como o trabalho pode ser melhor executado. Mas os técnicos não impõem suas ideologias, formações táticas e manda para o banco de reservas quem ele bem quer? Essa poderá ser uma pergunta feita por alguém que conhece tão bem o futebol. É verdade, o técnico faz isso, mas quando ele não tem o grupo na mão (gíria do futebol) o que acontece? Os jogadores boicotam o treinador, afinal, são eles que estão jogando. E com maus resultados, o treinador é demitido. Como não lembrar da recente demissão de Daniel Passarella, o técnico do Corinthians. Ele para mostrar poder (e não liderança) colocou no banco um dos galáticos, o Roger e ainda mandou o goleiro Fábio Costa procurar outro time, porque segundo ele, não tinha condições técnicas de fazer parte do time. É fácil lembrar o que aconteceu, desavenças entre os jogadores (Tevez x Marquinhos) e o time começou a perder em campo. Ele não tinha o grupo na mão e o time perdeu vários jogos, como resultado disso, foi demitido. Boicote dos jogadores? Não quero arriscar, mas dá para se ter uma idéia que ele não tinha a confiança de todos os jogadores. E não se compra confiança, se conquista. O time precisa acreditar no técnico, o seu objetivo deverá ser o mesmo do grupo. A confiança é conquistada quando compartilhamos nossas emoções, desejos e angústias. O líder tem que participar, tem que ser uma pessoa que se importa com os detalhes de cada um, sabe quem são pelos nomes, pelos jeitos. Para ganhar a confiança se demora muito, mas para perdê-la, basta apenas uma fração de segundos ou uma palavra errada. Por isso deve-se manter a confiança a cada dia, com atitudes verdadeiras e sinceras. 2. MOTIVAÇÃO O líder é motivador, ele consegue levantar o astral do grupo, mostrar que são capazes de enfrentar qualquer dificuldade, que são os melhores. Um grande exemplo de motivação tivemos nas eliminatórias para a copa de 1994. O Brasil, única seleção a participar de todas as copas, invicta em todas as eliminatórias, começou mal, empatou alguns jogos e na altitude de La Paz, a primeira derrota da seleção brasileira em eliminatórias, 2 a 0 para os bolivianos, com direito a frango de Taffarel. Após essa derrota o que se viu foi um time apático, desmotivado, envergonhado. Nós já não acreditávamos mais na classificação para a copa. Mas aí, surge o técnico, conversa com os jogadores, mostra para eles, que esta, é a grande oportunidade da vida deles e que não se pode deixar escapar. Jogo contra a Bolívia no Brasil, os jogadores pela primeira vez na história entram de mãos dadas, quem não se lembra daquela cena. O jogo foi uma goleada para a nossa seleção. Brasil 6 x Bolívia 0. E a classificação para copa viria num jogo memorável no Maracanã contra o Uruguai, 2 x 0 para o Brasil. Daí é só lembrar da festa e do tetracampeonato de futebol. Motivação, isso que fez a seleção ser campeã. Se perguntarem a Carlos Alberto Parreira, ele vai dizer que o único mérito dele foi ter conseguido motivar os jogadores. Isto se chama liderança, ele sofreu junto, e como líder ficou exposto para crítica de todos, mas provou que aquele grupo poderia ser campeão, necessitava apenas de motivo. E eles conseguiram achar. Mas devemos lembrar que a motivação é algo intrínseco, o que podemos fazer é apenas estimular. Estes estímulos podem vir através de palavras de conforto, reconhecimentos, elogios verdadeiros, prêmios pelo desempenho. As pessoas apenas precisam de um motivo para fazer algo, como líderes, temos que dar-lhes este motivo e aí conseguiremos influenciá-los para alcançar os objetivos propostos. 3. RESPONSABILIDADE Outra característica fundamental extraída do futebol para um líder, é a responsabilidade pelas suas decisões. Como já disse uma vez aos meus alunos, o líder é pago para tomar decisões e assumir as conseqüências destas. É a mesma coisa no futebol. Quem não se lembra da final da copa de 1998, Brasil o melhor time da copa, vencendo jogos com brilho, dando espetáculo de futebol e é derrotada por 3 a 0 pela França na final, até então um time que não tinha feito nada que merecesse estar ali, passou apertado pelos jogos, sofreu para vencer os paraguaios com um gol na prorrogação. O técnico da seleção brasileira, Zagallo, escala para a partida Ronaldo, que tinha passado por uma convulsão na noite que antecedia o jogo e por causa destes acontecimentos, os jogadores ficaram abalados e segundo eles próprios não tiveram rendimentos satisfatórios. E se Zagallo tivesse colocado para jogar o Edmundo, que vivia uma ótima fase, o resultado teria sido diferente? Não se pode saber, mas aquele jogador não poderia estar jogando, não tinha condições físicas e nem psicológicas para jogar. Zagallo teve que assumir a responsabilidade da derrota. Outro bom exemplo aconteceu no pré-olímpico de futebol de 2004, classificatório para as Olimpíadas deste mesmo ano. A seleção brasileira de futebol contava com os melhores jogadores, Robinho, Diego, Elano, Gomes, Renato e outros craques. Foram considerados a melhor seleção pré-olímpica que o Brasil já teve. Não foram campeões e pior, não se classificaram para as olimpíadas. Como uma seleção com estes jogadores não conseguiu se classificar? Até hoje todos buscam a resposta. Mas o técnico Ricardo Gomes, em entrevista coletiva após a não-classificação disse: Perdoem esses meninos, a culpa foi minha por não conseguir explorar o melhor deles. Isto é ser líder. Mesmo com tanta raiva do técnico, admirei-o naquele momento. Assumiu a responsabilidade sozinha, livrando os jogadores de qualquer culpa. A liderança é isso, ser responsável pela equipe que lidera. Lembrar que quando houver derrota, a culpa é do líder e na vitória o mérito é do time. Ao aceitar o desafio de liderar, tem que se estar preparado para essas situações de alto risco e responsabilidade. Uma escolha errada e tudo pode ir por água abaixo. Por isso o líder deve se responsabilizar pelos erros e transferir o mérito do sucesso para a equipe e não se preocupar, o reconhecimento virá, pois os liderados o colocarão no colo e gritarão seu nome. Espero que estes três pequenos ensinamentos extraídos do futebol possam ser úteis no seu dia-a-dia e que você seja realmente um líder, não um gerente. O líder cuida de pessoas e o gerente cuida de coisas. Até a continuação no próximo artigo. Willian Magalhães
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