Minha empresa entrará no PPE: e agora?

O objetivo desta matéria não é debater a aplicabilidade ou não desta MP, mas os impactos sobre o salário do trabalhador e seu padrão de vida. Devido ao alto índice de analfabetismo financeiro da população brasileira, o nível de vida do trabalhador e da sua família podem ser fortemente afetados

A medida provisória que cria o Programa de Proteção ao Emprego (PPE) já está vigente, porém ainda não pode ser aplicada, pois falta sua regulamentação. O principal objetivo é reduzir os layoffs e as demissões, por causa da contração da demanda.

O programa prevê a redução da jornada laboral e do salário em até 30%, ficando por conta do governo 50% dessa diferença, com um máximo de R$ 900. No fim das contas, o trabalhador receberá, por um prazo de até um ano, 85% do seu salário e não poderá ser demitido após voltar a receber 100% do seu salário, por um período equivalente a 1/3 do que ficou dentro do PPE. Inicialmente, os setores atendidos serão: automotivo, metalúrgico, fabricação de componentes eletrônicos, fabricação de produtos de carne e indústrias de açúcar e álcool.

O objetivo desta matéria não é debater a aplicabilidade ou não desta MP, mas os impactos sobre o salário do trabalhador e seu padrão de vida. Devido ao alto índice de analfabetismo financeiro da população brasileira, o nível de vida do trabalhador e da sua família podem ser fortemente afetados.

Se você parasse de receber seus rendimentos mensais hoje, por quanto tempo conseguiria manter seu padrão de vida atual? Cada vez que faço esta pergunta, as pessoas ficam chocadas, não importa o tamanho do salário mensal, elas precisam pensar bastante para responder. Esta resposta definirá a escolha, se tiver a possibilidade de decidir.

Educação Financeira é a expressão de ordem e ajudará o trabalhador a melhorar sua qualidade de vida e a da sua família.

Se sua resposta à pergunta foi um ano ou mais, você estará em melhores condições para enfrentar essa redução de salário, porém vale a pena seguir estas recomendações:

- Saiba quanto gasta e em que está gastando seu dinheiro. Para isso, faça o apontamento de todas as despesas da sua família por 30 dias (um mês), dividindo essas despesas por categorias (alimentação, transporte, educação, roupas, aluguel, água, luz, etc.). Isto ajudará a identificar despesas supérfluas (que poderão ser reduzidas ou cortadas) e desperdício (que poderá ser cortado).
- Faça seu orçamento mensal. Organize seu orçamento de forma que as despesas não superem o novo nível de ganhos.
- Poupe. Gaste menos do que nos meses anteriores principalmente em itens como: energia elétrica, telefonia celular e fixa, gás, água, TV a cabo, deslocamentos, roupas e sapatos, úteis escolares, alimentação fora de casa (e dentro de casa também).

Se sua resposta à pergunta foi menos de um ano, um par de meses ou menos de um mês: muito cuidado, pois essa redução só piorará sua situação financeira atual! Valem as mesmas recomendações que no caso anterior, com mais uma: REDUZA MAIS SUAS DESPESAS!

Reduzir mais as despesas significará uma redução drástica no padrão de vida da família, porém isso não significa que terá que sair de casa para morar “debaixo da ponte”. O padrão de vida de uma pessoa ou família é a quantidade de dinheiro gasta durante um mês.

Quando falamos que uma pessoa ou família tem um padrão de vida superior aos seus recursos, significa que essa pessoa ou família gasta mais do que recebe e compensa essa diferença com endividamento (cartão de crédito, cheque especial, créditos bancários, empréstimos de familiares). Reduzir o nível de despesas é imprescindível.

Ao se educar financeiramente, a pessoa irá gerar novos hábitos sustentáveis, um novo relacionamento com o dinheiro e, portanto, com o consumo. Também poderá educar financeiramente seus familiares diretos e assim fará a diferença nas suas vidas.

Gastar menos não significa viver pior, ao contrário, significa que se gastará nas coisas necessárias, que será possível poupar e fazer um “pé de meia”, não se endividar e, portanto, viver mais tranquilo.

Lembre-se: o equilíbrio financeiro não depende de quanto você ganha, mas de como gasta o que ganha!

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