Mina de talentos: tentando extrair o melhor da pior maneira
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A dualidade dos processos seletivos e o peso disso sobre os candidatos

Processos seletivos são cercados de dúvidas e mistérios: Como me vestir? O que falar? Será que sou a melhor escolha? Não é possível que não vou ser contratado já que eu fiz tanta coisa. Esses e outros pensamentos passam pela cabeça dos candidatos.

É perceptível que muitas empresas, no processo de contratação, dão preferência (e deixam muitas vezes claro) para pessoas que estudam ou se formaram em "universidades conceituadas".

Nisso, o aluno que não faz parte "desse seleto grupo" de universidades que são avaliadas como as melhores, perde sua mais valiosa peça: a motivação.

A dinâmica desse processo é cansativa. Comecemos imaginando uma pessoa que estuda em uma Universidade a 140km do local onde vai ser o processo seletivo e mais, que essa pessoa não tenha uma condição financeira que o deixe confortável para se deslocar para o local. Mesmo assim ele (ou ela) se motivam e vão. Participam das dinâmicas, respondem as perguntas, cativam os recrutadores. Até aí tudo bem, mas se tratou da primeira etapa.

Super animado, o candidato volta para casa e espalha pra família: não era tão difícil quanto imaginava e, por fim, a notícia de que foi aprovado pra segunda e última fase chega dias depois. Assim, mais uma vez dá-se um jeito e se vão mais 140km de chão.

Ao chegar lá vê-se apenas um concorrente: o processo deixou dois na fase final. Lá, ele vê um aluno de sua sala, que cola em todas as provas, não desenvolveu nada em pesquisa, extensão ou qualquer outro tipo de projeto que gerasse resultados. Nisso tudo quem é que é aprovado? Não, não o motivado, esforçado e que fez muita coisa: passa aquele que cola.

Volta pra casa, desiludido, mas decidido a não desistir. Continua nos processos seletivos. Aparece mais um!

Dessa vez, o processo ocorre durante 1 semana e é em uma cidade a 300km. Mesmo problema: a distância, com um agravante, a de onde ficar esse tempo todo (se passar até o final). Então, ir ou não ir?

Impulsionado pelos amigos que o vê como inspiração (afinal de contas ele desenvolveu projetos importantes, ajudou pessoas, trabalhou, deu consultoria, palestras e muito mais) ele vai. Ficando em um albergue, ele chega ao último dia do processo e lá a resposta antes de voltar para casa (na expectativa do sim): "estamos empenhados em aumentar no nosso quadro a presença feminina" e assim, está aprovada a única mulher candidata.

Assim ele volta pra casa, mas mais baqueado. O problema não é aumentar no quadro o número de mulheres, mas selecioná-la apenas por esse motivo não é vago?

Amparado pelos amigos, a última esperança: mais um processo para outra empresa. Lá vai ele preencher os formulários e fazer a prova. Em um ato de empenho e tranparência faz as provas todas sozinho (viajou para o exterior e atuou em diversas áreas - uma bela bagagem) - e como no formulário indica não poder consultar a nenhuma fonte, ele respeita.

Ao final e pós 1 mês a resposta: "obrigado, mas houveram pessoas que foram melhores na prova de inglês". O x da questão: quantos desses realmente dominavam o idioma da prova e mais - quantos fizeram a prova sozinho?

Nesse processo, esquece-se da bagagem das pessoas. Reflitam: quem tem a melhor nota é sempre o melhor? Em minha opinião temos que analisar diversos fatores.

O primeiro ponto a se analisar é a de empenho. Muitas vezes as melhores notas exigem dedicação (e não estou aqui criticando quem se emprenha por isso), mas nisso esquece-se de se aplicar. Desenvolver pesquisas, ir à campo, praticar o que se aprende em sala é importante e é um item necessário no crescimento. Mas isso meus caros, exige tempo e é um tempo em que se deixa de estudar.

Outro ponto, quantos realmente não colam em testes ou burlam as regras no ímpeto de se parecerem inteligentes, quando por fim não dominam nada.

Quem faz a Universidade é o aluno e não o contrário. Assim, o currículo e bagagem do individuo é importante a se a-n-a-l-i-s-a-r e não simplesmente pedir que se diga o que fez em um ato vago de conhecer a pessoa.

São infinitos os casos que ao invés de ensinarem o candidato, o fazem ser pessimistas. Nada de resposta do RH, participação em um processo que o filho do amigo do gerente vai passar, notas sendo avaliadas sem considerar um contexto, além dos já supracitados.

Convenhamos, dos cases citados quantos realmente não podiam utilizar das infinitas ferramentas disponíveis hoje como a internet? Por quê não dar um Feedback para aquele que mais deseja a vaga, o candidato? Será que aquele que tanto anseia a vaga não produziu algo que (por mais que pareça que não) pode ser aplicada no processo da empresa? Universidade conta tanto quanto bagagem?

Se a seleção busca talento, que significa a aptidão de um indivíduo para realizar certa ação, o que se observa é que há muito tempo o RH (ou recursos humanos) deixou de ser e observar o seu principal cliente e produto: o humano.

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    Igor Abreu

    Igor Abreu

    Engenheiro de Minas. Atua em projetos ligados à inovação em grupos de pesquisa. É também palestrante, consultor de projetos e meio ambiente.
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