Mídia – Novas Práticas de Ensino no Mundo Globalizado

Trabalho Cientifico Autores: Elvis Rossi Mello Eliana Rossi Mello Migliorini RESUMO Muitos profissionais da educação discutem novas praticas de ensino como atitude emergente nas escolas brasileiras. Estes recursos podem ser: vídeo, som, imagem, através de recursos multimídia e internet. Neste novo conceito de ensino, o professor esta assumindo o papel de mediador de conhecimentos, pois o processo de ensino-aprendizagem deverá ser dirigido a um publico que não mais recebe e ingere informações, mas interage com as mesmas, interfere no processo e questiona o conteúdo e conceitos. A globalização abriu novos caminhos e possibilidades para que todos busquem novos conhecimentos, isto em todas as áreas principalmente a do ensino escolar. As utilizações destes novos recursos podem facilitar e melhorar a eficácia do processo de alfabetização, desde que os professores se atualizem a medida que estas novas tecnologias são introduzidas no ambiente. Cabe ao bom educador ter uma visão otimista e construtiva da vida, contribuído para que os alunos se sintam motivados a continuar, e querer aprender, interagindo e criticando para que possam crescer na vida. O processo de aprendizagem tem que ser recíproco de ambas as partes, educador e educando, para introduzirmos na sociedade cidadãos que tenham suas próprias opiniões e não sejam meramente esculpidos de acordo com o imputado a eles. 1. QUEBRANDO PARADIGMAS DOS EDUCADORES Pellegrini (2000) diz que trancado na sala dando à mesma aula de sempre, alheio ao que acontece no restante da escola, na comunidade no país e no mundo, é o primeiro passo para um professor se tornar obsoleto no mundo da educação. O objetivo da escola é formar cidadãos, e para isso os profissionais tem que estar bem preparados e atualizados. Como dar conta desse recado? O educador tem que ter em mente que sua formação é permanente, o aprendizado é constante. Ainda segundo Pellegrini a alguns pontos importantes que o educador deve estar apto a desenvolver, e a parte mais importante é que o aprendizado depende de um esforço pessoal. o Crescer profissionalmente - ser flexível às mudanças e aberto a atualizações; o Conhecer a realidade econômica, cultural, política e social do país - você passa a ter lição de casa: a leitura de jornais e revistas; o Participar do desenvolvimento e da avaliação do projeto educativo da escola - se você não se reúne com os colegas, o coordenador pedagógico e a direção, brigue. Isso é uma necessidade; o Escolher didáticas que promovam a aprendizagem de todos os alunos - evite qualquer tipo de exclusão e respeite as particularidades de cada criança, como sua religião ou origem étnica. De que vale conhecer a história da escravidão, por exemplo, se você não levar em conta a discriminação sofrida por estudantes negros? o Orientar sua prática de acordo com as características da comunidade - avalie e compreenda o panorama social do país e do entorno da escola. Não basta saber que há desigualdade de renda. É preciso considerar a realidade dos alunos; o Compreender que seu trabalho não é um sacerdócio - participe das associações da categoria e assuma que você tem uma profissão de verdade, não uma missão. Nessas entidades é possível manter intercâmbio sindical, científico e cultural com outros professores; o Utilizar diferentes estratégias de avaliação de aprendizagem - os resultados são a base para você elaborar novas propostas pedagógicas. Não há mais espaço para quem só sabe avaliar com provas. Já para Martins (2001) o professor do século XXI é aquele que, além da competência, habilidade interpessoal, equilíbrio emocional, tem a consciência de que mais importante do que o desenvolvimento cognitivo é o desenvolvimento humano e que o respeito às diferenças está acima de toda pedagogia. A função do bom professor do século XXI não é apenas a de ensinar, mas de levar seus alunos ao reino da contemplação do saber. Martins salienta também algumas características que o educador deve ter nesta nova era de aprendizagem: Aprimorar o educando como pessoa humana; aprimorar o educando no exercício da cidadania; construir uma escola democrática; qualificar o educando para progredir no mundo do trabalho; fortalecer a solidariedade humana; fortalecer a tolerância recíproca; zelar pela aprendizagem dos alunos; colaborar com a articulação da escola com a família; Participar da proposta pedagógica da escola; e respeitar as diferenças. O papel da mídia como inovação educativa na atualidade que tem por objetivo maior, gerar condições de acesso à informação e à atualização cultural. Entretanto, pensar o avanço tecnológico do mundo contemporâneo em face da escola atual, pressupõe uma investigação sobre algumas questões, como destaca Morais (2000, p.17): não basta apenas levar os modernos equipamentos para a escola, como querem algumas propostas oficiais. Não é suficiente adquirir televisões, videocassetes, computadores, sem que haja uma mudança básica na postura do educador. Isto reduzirá as novas tecnologias a simples meios de informação. Num contexto geral, os autores Pellegrini (2000), Martins (2001) e Morais (2000), tendem num consenso de que os educadores devem ter uma visão diferente para os desafios do século XXI. O novo conceito de ensino deve partir das relações humanas, objetivando um bem maior para os educandos, não meramente dos conceitos referenciais, mas sim, de vivencias e conhecimentos intrínsecos adquiridos ao longo da vida. 2. EDUCANDO O EDUCADOR Em sua matéria, O que oferecer primeiro: recursos ou formação de professores? Staa (2007) comenta que a falta de acesso a computadores é devastadora para o desempenho dos alunos, que existe uma forte correlação entre uso moderado do computador em casa e bom desempenho e que não é qualquer utilização do computador na escola que é eficaz. Esses dados significam que é importante equipar as escolas, incentivar as famílias a deixarem seus filhos usar computadores e formar o professor para utilizar os recursos de maneira produtiva. A mídia e a academia defendem muito que não adianta equipar as escolas sem formar o professor, e isso muito provavelmente é verdade. No entanto, quando se fala em tecnologia, não é possível formar o professor antes de disponibilizar o recurso, pois este já estaria obsoleto ao final da capacitação. E, na média, as escolas brasileiras estão precisando investir muito mais em recursos do que têm feito até o momento. Staa comenta ainda que, ao formar o professor para o uso da tecnologia é importante ter em mente que isso precisa ocorrer simultaneamente à adoção de novas tecnologias e na medida da necessidade e do interesse do professor. O que parece ser mais produtivo é disponibilizar os recursos, oferecer uma formação básica a respeito do funcionamento da máquina e dar apoio ao professor no momento em que ele deseja usar um novo recurso. A formação continuada do professor é fato para a melhoria da educação, o processo de formação tem que ser permanente. De acordo com Kramer (apud FERRAZ, 2001, p.4) uma política de formação permanente de professores não é o único aspecto determinante de um ensino de qualidade, mas é, sem dúvida, um dos mais relevantes. Para Martins (1999) o Estado tem o dever de oferecer novas oportunidades para os professores se atualizarem para que o processo de aprendizagem do mesmo seja constante. O êxito do processo educacional não depende apenas do nível de formação inicial do profissional do magistério. Os conhecimentos renovam-se, as práticas se modificam. O acesso a inovações é um direito do profissional que pretende desempenhar a contento suas funções durante toda a sua vida de trabalho (MARTINS, 1999, p.126). Martins ainda salienta que o Estado deve manter um programa permanente para o desenvolvimento do profissional, e os custos das atividades voltadas para a formação estejam previstos no orçamento da Secretaria da Educação do Município, e deve ser considerado como um custo próprio do plano de carreira. Na visão de Oliveira (1989) a prática da capacitação está ligada à concepção da própria prática do docente. Isso significa que o docente tem uma série de conhecimentos ou que, pelo menos, deveria ter, e cabe a ele passar esses conhecimentos para o aluno. O processo de aprendizagem do docente é constante, pois à medida que aprende, repassa aos alunos, portanto, é uma prática interminável. Já para Imbernón (1994), na formação inicial de um profissional a aquisição do conhecimento de base, a formação contínua, tem caráter de aperfeiçoamento ao longo da vida do profissional. 3. RECURSOS MATERIAI S Castro (2002) cita um exemplo de uma professora que adquiriu com seus próprios recursos CD-ROM de duas coleções com vários discos que trazem histórias e músicas infantis. São muito caros para a escola comprar, então eu comprei e trouxe aqui para os professores usarem, explica a professora. Eles são ótimos para o ensino. O esforço dessa professora que supre a falta de material didático da sua escola com recursos próprios, ilustra a situação de parte dos colégios públicos no Brasil. Nem sempre é culpa do professor a aula ser maçante e repetitiva, mas muitas vezes e educador não tem disponibilidade de recursos materiais para implementar uma aula. De acordo com Castro (2003, p.10) O espaço é a escola de cobertura dos bens e serviços sociais que podem ser ofertados pelo Estado mediante políticas sociais estão diretamente relacionados às condições econômicas estruturais, bem como conjunturais, que determinam a disponibilidade de recursos, e ainda ao arranjo político de uma sociedade, pois é justamente a tensão entre o arranjo político e a escassez de recursos que define as opções de ação, direção e cobertura financeira às ações sociais do Estado, as quais resultam no gasto público social. Um estudo realizado por Abrahão (2005), relata que no Brasil existem índices muito baixos de investimento na educação, comparando a outros países. As campanhas internacionais mostraram que o Brasil se encontra em uma situação de aplicação de recursos, tanto com relação ao GPD, gasto público e gasto per capita, bem abaixo da maioria dos países da OCDE e até mesmo dos principais países da América Latina. Quadro esse que demonstra que em alguns países é dada grande importância à educação no decorrer da ação pública e que, portanto, se a educação estivesse no centro da agenda política brasileira, a ela deveriam ser destinados mais recursos, para assim se realizar alternativas mais ousadas de ampliação do acesso e melhorar a qualidade de toda educação básica (p. 856). De acordo com os autores Castro (2002), Castro (2003) e Abrahão (2005), os recursos para a educação no Brasil infelizmente ainda não são suficientes para suprir todas as necessidades das escolas, a falta de recursos ainda é um dos principais motivos pela má qualidade da educação no nosso país. Na Visão de Tavares (2005) o investimento que as escolas têm recebido ao nível das novas tecnologias, através da aquisição de computadores e ligações à Internet de banda larga, não está sendo totalmente aproveitado. É pelo menos esta a análise do Ministério da Educação, que pretende que a partir do próximo ano letivo, os estabelecimentos selecionem um coordenador para as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e desenvolvam planos de ações anuais. "Infelizmente, em muitos casos, os computadores estão nas escolas a servir de ornamento às salas de aula", diz Albino Almeida, da Confederação Nacional das Associações de Pais. "É tempo de as TIC serem transversais ao currículo e utilizadas como meios de trabalho". 4. MÍDIA NA EDUCAÇÃO Para Moran (2005) a televisão, o cinema e o vídeo, CD ou DVD, os meios de comunicação audiovisuais, desempenham indiretamente um papel educacional relevante. Passam-nos continuamente informações interpretadas, mostram-nos modelos de comportamento, ensinam-nos linguagens coloquiais e multimídia e privilegiam alguns valores em detrimento de outros. A simples introdução dos meios e das tecnologias na escola pode ser a forma mais enganosa de ocultar seus problemas de fundo sob a égide da modernização tecnológica. O desafio é como inserir na escola um ecossistema comunicativo que contemple ao mesmo tempo: experiências culturais heterogêneas, o entorno das novas tecnologias da informação e da comunicação, além de configurar o espaço educacional como um lugar onde o processo de aprendizagem conserve seu encanto (BARBERO. 1996, p. 10-22). Nos anos 60, o educador brasileiro Paulo Freire, acreditava na prática pedagógica comprometida como forma de reduzir a evasão escolar e formar educandos críticos. Uma das técnicas que defende é a elaboração do jornal escolar como um dos instrumentos que considera essenciais para motivar a escrita, contribuindo para o desenvolvimento social e cultural do educando (ELIAS. 1997, p. 101). Zanchetta Jr. (2005) comenta ...mais do que sensibilizar pela surpresa, pela urgência de solução para os problemas sociais e ambientais, pela abordagem do comportamento juvenil, estimular o aluno a perceber-se como agente midiático e não como receptor passivo de conteúdos ou cliente dos meios de comunicação contribui para que ele possa se situar como indivíduo e como parte de uma coletividade (2005, p. 1.508). Belloni (1991) diz que a mídia representa um campo autônomo do conhecimento e deve ser estudado e ensinado da mesma maneira que estudamos e ensinamos literatura por exemplo. A integração da mídia à escola tem de ser realizada em dois níveis: enquanto objeto de estudo, fornecendo às crianças e adolescentes meios de dominar uma nova linguagem; e enquanto instrumento pedagógico, dando aos professores suporte eficaz para melhorar a qualidade do ensino. Ensinar com as novas mídias será uma revolução, se mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantêm distantes professores e alunos. Caso contrário conseguiremos dar um verniz de modernidade, sem mexer no essencial. A internet é um novo meio de comunicação, que pode ajudar-nos a rever, a ampliar e a modificar muitas das formas atuais de ensinar e de aprender (MORAN, 2000, p.57). Segundo Vygotsky (1994) os recursos de mídia são valiosos para o aprendizado ...o uso de meios artificiais, a transição para a atividade mediada, muda fundamentalmente todas as operações psicológicas, assim como o uso de instrumentos amplia de forma ilimitada a gama de atividades em cujo interior as novas funções psicológicas podem operar... (VYGOTSKY, 1994, p. 73). CONCLUSÃO Este trabalho mostrou a importância da mídia como instrumento essencial para o aprendizado dentro de qualquer escola. As novas práticas de ensino, tendo como mediador o professor, da ao educando novas oportunidades de capacitação, aprendizado e conhecimentos muito além daqueles tradicionais, onde o professor fala e o aluno apenas escuta, é um simples receptor da mensagem sem poder opinar ou discordar do que diz o educador. O professor tem o dever de educar cidadãos para terem suas próprias opiniões e também uma visão otimista e construtiva da vida, contribuído para o desenvolvimento humano destas pessoas. A globalização abriu espaço para novas tecnologias, por isso, o educador deve ter uma mente aberta para aceitar as novas ferramentas na prática do ensino e fundamentalmente estar em permanente atualização, não trancado-se em sala dando a mesma aula de sempre, alheio ao que acontece no restante da escola, na comunidade no país e no mundo. A falta de investimentos tecnológicos nas escolas infelizmente é uma realidade em nosso país, mas a falta de capacitação dos professores também é um fator relevante, pois em alguns casos a escola tem as ferramentas tecnológicas, mas não são corretamente aproveitadas, o processo de formar o professor para o uso da tecnologia é importante, ao mesmo tempo que ocorre à adoção de novas tecnologias. REFERENCIAL TEÓRICO ABRAHÃO, J. Financiamento e gasto público da educação básica no Brasil e comparações com alguns países da OCDE e América Latina. Educação Social. vol.26. nº.92, p.841-858, out. 2005. BARBERO, Jesús Martin. 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