Mensagem para você. Um novo jeito de demitir?
Mensagem para você. Um novo jeito de demitir?

Mensagem para você. Um novo jeito de demitir?

Demitir por telegrama ou mensagem é como terminar namoro por WhatsApp. Tempos modernos ou falta de respeito?

Demitir por telegrama, SMS ou recado na secretária eletrônica é como terminar namoro por WhatsApp. Tempos modernos? Eu prefiro chamar de falta de consideração mesmo. Onde já se viu investir tanto tempo num relacionamento para, de repente, levar uma punhalada pelas costas desta forma? Onde estão as relações humanas? Onde estão todos os valores intrínsecos e extrínsecos de algumas empresas? Muito provavelmente esquecidos em algum lugar do passado, no qual só existia relação ganha-perde.

A questão aqui nem é estar em jogo a crise ou a ausência dela, o lucro ou a falta dele, mas sim o quanto viramos números numa sociedade hipócrita que só visa os próprios interesses. Canso de ver empresas que não se importam muito com seus funcionários, mas há aquelas que de fato investem em seus colaboradores e se preocupam com eles. Essas são motivos de orgulho para todos nós, e principalmente para quem lá trabalha.

O que preocupa de verdade é que o mesmo RH que faz todos os programas de incentivo, retenção de talentos e seleção baseada em valores e competências desta nova era, é quem redige e envia os milhares de telegramas para centenas de funcionários que estavam em suas casas e receberam esta bomba, como temos visto acontecer nas últimas semanas. E o fazem porque precisam obedecer ordens. Já era tempo de um posicionamento diferente, uma vez que cuidar das pessoas já se faz tão importante quanto cuidar do dinheiro.

Confesso que não sei o que é pior: ser demitido nas férias, na volta da licença maternidade ou por telegrama, pura e simplesmente. Nos dois primeiros casos pelo menos você pode pegar as suas coisas antes de ir embora, seja isso algo bom ou ruim.

Quando o nome líder da equipe não está na lista dos “telegramas das demissões”, está na lista dos “sem rumo”, que ficaram sem saber o que fazer e o que dizer nem para si próprios. Crise total de confiança para os sobreviventes. Impacto físico e psicólogico na produtividade. Um tiro no pé que poderia ter sido resolvido de uma forma bem diferente. Sem “lero lero”, sem enrolação, sem enganação, mas com muito mais dignidade e transparência.

Fatos como esses só reforçam a posição de Ram Charan, um dos maiores gurus de execução do mundo, quando defende a extinção dos RHs, em recente artigo publicado pela Harvard Business Review, no qual ele dizia que RHs não estratégicos na maior parte das vezes mais atrapalham do que ajudam uma organização, ainda que a intenção seja a melhor do mundo. Eu gostaria muito que fosse diferente.

O mestre analisa que hoje os departamentos de RH são ocupados por funcionários generalistas que não contribuem com os objetivos globais das empresas. Segundo ele, as exceções são executivos que já ocuparam cargos em outras áreas. Por isso, sua sugestão é eliminar a posição de executivo de RH e criar duas vertentes. Uma de administração, que cuidaria da gestão de salários e benefícios, subordinada ao executivo financeiro. A outra seria de organização e liderança, que cuidaria de desenvolvimento de habilidades e se reportaria diretamente ao executivo-chefe. Claramente um endomarketing gerido por pessoas de múltiplas competências: os melhores talentos de todas as áreas, o que transformaria a atual instância burocrática em estágio de ascensão profissional.

Precisamos cuidar melhor das pessoas, e nada como delegar esta função ao gestor direto, pela proximidade e competência das necessidades de seus departamentos. Isso cria confiança, aumenta a velocidade dos processos, diminui os custos e, a médio e longo prazos, impacta na lucratividade da empresa. O que precisamos é de mais escolas de lideranças, para que os gestores sejam desenvolvedores e liberadores de talentos.

Não há mais como depender de departamentos que, infelizmente, não são estratégicos e que jogam todo o seu trabalho fora num piscar de olhos porque não têm poder algum de argumentação e nem de gestão dentro de uma empresa. Por favor, já é hora de desenvolver um pensamento mais estratégico.

Como é que podemos querer que os funcionários acreditem numa política de valorização de talentos, de investimentos em educação corporativa, entre outras ações, se a qualquer momento que o barco corre o risco de afundar, a ordem é matar ou morrer e sai todo mundo correndo para todos os lados? Onde estão os grandes líderes, que mesmo diante de milhões de demissões ainda conseguem ser idolatrados pelos funcionários demitidos? Há uma centena deles nos quais podemos nos inspirar. Uma pena eles não estarem tão disponíveis!

Tendo em vista as últimas notícias do mercado corporativo e tomando como exemplo o que algumas grandes empresas vêm fazendo, não há como reclamar mais tarde de depreciação de marca ou de comportamento indevido de alguns colaboradores e, por consequência, consumidores. Ter coerência é bom e todo mundo gosta!

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    Alessandra Assad

    Alessandra Assad

    Alessandra Assad é Master of Science in Business Administration in Neuromarketing na instituição de ensino Florida Christian University, é jornalista especializada em management, com MBA em Direção Estratégica e Mestrado em Neuroliderança. Professora nos MBAs da Fundação Getulio Vargas em todo o Brasil e professora no Master of Sciense in Business Administration in Neuromarketing na Florida Christian University. Palestrante internacional e CEO da ASSIM ASSAD - Desenvolvimento Humano. Autora dos livros Atreva-se a Mudar!, Leve o Coração para o Trabalho, A Arte da Guerra para Gestão de Equipes e Liderança Tóxica.

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