Manifesto do partido de centro

Vejo que no atual momento político brasileiro, vivemos a ideia dos extremos. Ou somos daqueles que culpam os milionários pela desigualdade social no país, ou, somos aqueles que criticam o assistencialismo governamental alegando que o governo sustenta vagabundo. Em outras palavras, ou você é um partidário de esquerda ou você é um partidário de direita

Você pôde ter vindo até aqui preparado para apedrejar-me com suas convicções, ou me achando um petulante por não ter uma formação social ou filosófica que possa me fazer digno de utilizar um título tão forte como este ou, qual eu espero que a maioria faça, entrou apenas para entender uma visão política diferente da normalidade brasileira.

Inicialmente, pensei em criar um vídeo para este manifesto. Porém, acredito que seria apenas uma pessoa falando uma mensagem direta, da qual você não refletirá e nem ruminará enquanto lê a frase seguinte. Então optei por escreve-la para que você possa tirar suas conclusões e formar ou entender um velho e novo pensamento político.

Assim, o manifesto é este:

Vejo que no atual momento político brasileiro, vivemos a ideia dos extremos. Ou somos daqueles que culpam os milionários pela desigualdade social no país, ou, somos aqueles que criticam o assistencialismo governamental alegando que o governo sustenta vagabundo. Em outras palavras, ou você é um partidário de esquerda ou você é um partidário de direita.

O pior está em que por motivos de excesso de crença em suas convicções ideológicas (conhecido também como radicalismo), uma onda de ódio e violência, tanto física, como verbal, toma conta da mídia, das redes sociais e infelizmente das ruas.

A discussão política brasileira está se tornando um jogo de emoções, ao invés de enxerga-la com racionalidade e consciência. Não há mais reflexões sobre o que está dando certo e o que está dando errado. O jogo do Poder não permite mais brechas para reconhecimento de falhas dos governantes, que buscam justificativas e sempre imputam culpa em terceiros, eximindo-se da solução e não aprendendo com o erro. E o texto é sempre o mesmo: para a esquerda, a culpa é dos empresários que visam altos lucros, para a direita, a culpa são dos altíssimos impostos que para sustentar assim a velha e arcaica máquina pública. Nesse jogo de “empurra-empurra” a rotina de um governo sem gestão permanece.

Onde estão aqueles que entendem que a primeira certeza da vida, é a mudança?

Apesar de ser cristão e não acreditar na evolução de macaco para homem, acredito que Charles Darwing estava correto ao utilizar a Teoria da Evolução das Espécies e da Seleção Natural para demonstrar as adaptações de todos os seres vivos a mudanças naturais, seja ambiente, clima ou outros fatores. Afinal a segunda certeza da vida vai acontecer uma hora ou outra, que é a morte. E infelizmente, ou felizmente, aqueles que não se adaptam as novas circunstâncias apresentadas em seu habitat, correm um sério risco de passar por dificuldades para sobreviver ou não mais viver.

Com os seres humanos a natureza trabalha da mesma maneira. Se nós humanos conseguimos evoluir nossas mentes e construir mudanças, aqueles que não se adequam a esta mudança tendem a viver com mais dificuldades, ou infelizmente não sobreviver a elas.

Porém, tendo isso, é função humana, como membro de uma sociedade, aquele que se adequou a mudança ensine aqueles que ainda não se adequaram a estas mudanças. A natureza foi tão gentil ao homem que lhe deu a capacidade de aprender com aqueles que se adequaram as mudanças, para que assim possam viver sem grandes dificuldades e não venham a falecer.

Onde estão aqueles que são humildes o bastante para entender que sempre haverá alguém melhor que ele, mas ao invés de inveja-lo ou querer colocá-lo na média, buscará aprender com ele?

Com as constantes mudanças, que atualmente acontecem em um espaço de tempo exponencialmente rápido. Em 1 ano, estamos mudando a uma relação de 7 anos e aumentando, comparados a 20 anos atrás.

Portanto, com esta velocidade das mudanças, a adaptação é constante, além de que, sempre haverá alguém que se adaptou a mudanças antes que eu. É meu dever e meio de sobrevivência buscar o conhecimento qual ele adquiriu ao se adaptar a mudança e assim eu também poder me adaptar a essas mudanças. Isto é constante, não há fim para mudança e nem para o conhecimento.

Quando eu invejo e quero colocar aquele que se adaptou a mudança na mesma média que eu, na verdade, não quero me adaptar a mudança qual ele se adaptou, na grande maioria das vezes por medo e insegurança quanto ao novo, gerando a acomodação. Assim, estou dizendo: “Não quero sofrer (ou morrer) sozinho por não ter me adequado a mudança qual você se adequou. ”

Onde estão aqueles que leem “A Política” de Aristóteles, “Manifesto do Partido Comunista” e “O Capital” de Marx, ruminam, sintetizam e formam uma opinião vendo os 2 lados?

Ao ler apenas o mais famoso dos livros citados, “O Manifesto do Partido Comunista”, título qual inspirou este manifesto, acreditamos que encontramos o problema e a solução para que todos os seres humanos vivam em boas condições.

Porém, não entendemos que por outro lado, temos pessoas que agem naturalmente como descreve Aristóteles ao separar o homem livre e o servo (tradução original é escravo), qual muitos pontos divergem com “O Capital” de Marx.

Sintetizando, existem pessoas que são livres para se adequarem as mudanças em seu ambiente, utilizando sua criatividade para empreender. Por outro lado, existem pessoas que não querem ser livres, preferindo trabalhar para aqueles homens livres que empreendem para manter sua segurança em reduzir seu sofrimento por não se adaptar a mudança.

Mesmo assim, o homem livre deve pagar o valor justo do trabalho daqueles que fazem seu empreendimento prosperar.

Onde estão aqueles que sabem avaliar seus erros e acertos, reconhecem os erros, aprendem com ele e ensinam outros que estão no mesmo caminho?

Todos erraram e não podem ver a Glória de Deus”, é citando este verso da Bíblia de Paulo aos Romanos 3:23 que inicio este questionamento.

Esta é a base do 1º ponto do Calvinismo (pensamento teológico publicado por João Calvino em 1536), qual ele denominou como “Depravação Total do Homem”. Não querendo entrar no mérito espiritual deste ponto, ele nos faz refletir o quanto somos imperfeitos e que constantemente erramos e que isso é natural ao homem.

Porém, temos a oportunidade de aprender com eles. Mas para isso, é preciso reconhecer sua situação de imperfeito e de que errou. Após estes reconhecimentos, é possível refletir sobre os erros cometidos, sua solução e atitudes para corrigir e evitar a nova ocorrência do erro. Dentro da visão de gestão, chamamos o erro de “Não-Conformidade”, a reflexão de “Análise de Falha”, a solução e atitudes de correção de “Ação Corretiva” e as atitudes para evitar uma nova ocorrência do erro de “Ação Preventiva” ou “Ação de Melhoria”.

Todo erro tratado gera uma mudança. Após essa mudança, aqueles que se adaptaram a essa mudança devem transmitir seu conhecimento para que outros que ainda não se adaptaram a mudança, para que esses possam não cometer os mesmos erros (mas com certeza erraram em outras mudanças).

Onde estão aqueles que entendem que ser de centro é conhecer, pensar, sintetizar e equilibrar os pensamentos tanto de direita como os de esquerda?

Um certo partido que já foi de centro é conhecido por sempre ir conforme a maré política. Isto criou o termo político “Em Cima do Muro”. Devido a isso, esta foi a visão usada por aqueles que buscam a perpetuação do poder para aqueles que são chamados de “De Centro”.

Pelo fato do Brasil sempre ser governado pelas extremidades, direta e esquerda, o pensamento político de centro foi deixado de lado. Esse pensamento é encarado como aqueles que “não sabem o que querem”. Ah! Se aqueles que pensam que os de centro não sabem o querem entendessem o que é o equilíbrio na política entre sentimento e razão, poderiam discordar, mas não ousariam falar que os de centros não sabem o que querem.

Ser de centro é aquele que analisa tanto Marx como Aristóteles e tem seu ponto de vista, concordando e discordando de alguns pensamentos de ambos.

Ser de centro é buscar o equilíbrio entre o Ser Humano com outros Seres Humanos, dando liberdade ao homem livre para empreender e prosperar e condições ao trabalhador de viver em condições dignas.

Ser de centro é buscar o equilíbrio entre o Ser Humano e seu meio ambiente, por entender que suas falhas também afetam o planeta.

Ser de centro é Pensar Racionalmente na Política, ao invés de defender bandeiras com unhas e dentes, como um fanático religioso ou por futebol.

Se você chegou até aqui, é muito provável que se identificou com este pensamento político. Bem-vindo ao centro! Não podemos afirmar que esta é a solução política para o Brasil, mas é uma alternativa de mudança. E a mudança, essa é a primeira certeza da vida.

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