Café com ADM
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Mais um cabide de empregos

Comentários sobre a ineficiência da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR)

Criada ainda em 2012 pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) surgiu com o objetivo de explorar a infraestrutura rodoviária do Estado, mediante a cobrança do chamado pedágio público comunitário – entendido como sendo aquele administrado com a participação de representantes das comunidades de usuários. Além da pretensão de redução das tarifas praticadas, a criação da EGR visaria a recuperar a malha viária do Estado. Em resumo, criou-se uma nova empresa pública na tentativa de suprir a ineficiência de outra estrutura pública já existente, no caso, o DAER.


O anseio por melhorias na infraestrutura, infelizmente, não é nenhuma novidade para os gaúchos. As dificuldades decorrentes da ausência de estradas decentes, capazes de escoar a produção de diferentes setores da economia, mostram-se como verdadeiros obstáculos ao desenvolvimento do Estado. As razões do problema não são nenhum mistério: falta de planejamento e má gestão de recursos.


Diante desse panorama, a alternativa da EGR, que já assumiu alguma praças de pedágios pelo interior do estado, deixou novamente a bola com o Governo do Estado, cuja fama não é a de bom gestor, como se não fosse suficiente a responsabilidade desse pelos problemas nas áreas da saúde, educação e segurança pública. E, mais, quando de sua criação, as alterações propostas às vésperas da análise do texto pelos deputados restringiram a atuação da famigerada EGR aos pedágios comunitários, cujas tarifas não são suficientes, sequer, para a manutenção das atuais rodovias, que apresentam uma situação que dispensa comentários.


Em resumo, a EGR é um natimorto: foi criada para melhorar a malha viária do Estado, mas sua principal fonte de captação de recursos não será suficiente para fazer as melhorias a que se propõe. O próprio Poder Executivo já chancelou a impossibilidade de serem realizadas obras de efeito apenas com referidos recursos, sendo indispensável a parceria com o setor privado para a realização de melhorias efetivas.


Ora, a EGR causa, no mínimo, estranheza: aprovou-se a criação de uma empresa cuja finalidade nunca deverá ser atingida por meios próprios, pois as melhorias necessárias na infraestrutura rodoviária sempre carecerão do apoio de terceiros, o que já poderia muito bem ser realizado com base na estrutura anterior, que já se mostrava, inclusive, bastante inchada.


Pergunta-se, então, qual seria a finalidade da criação da EGR? Confesso que não tenho uma resposta muito criativa. Aliás, não tenho resposta. Face a argumentos supostamente tão bem intencionados, é muito indigesta a ideia de que o objetivo da criação da EGR seria unicamente abrigar sob o guarda-chuva do Estado um leque de novos servidores, incentivando o crescimento em grau exponencial da máquina pública. Infelizmente, parece-me que estamos diante de um novo cabide de empregos. Como diriam os gaúchos, para engolir a EGR, só com “Olina”.
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