Café com ADM
#

MAGISTÉRIO, CARREIRA EM DECLÍNIO?

Parece despropósito referir-se ao magistério como carreira em declínio em um mundo regido pelo Conhecimento, em que a universalização e melhoria da educação são requisitos para que qualquer país sustente seu desenvolvimento, proporcionando a toda a população oportunidades contínuas de aprimoramento e ascensão.

Parece despropósito referir-se ao magistério como carreira em declínio em um mundo regido pelo Conhecimento, em que a universalização e melhoria da educação são requisitos para que qualquer país sustente seu desenvolvimento, proporcionando a toda a população oportunidades contínuas de aprimoramento e ascensão. Neste cenário, quem ensina deveria desfrutar de um novo status e a carreira docente deveria ser disputada como uma das mais promissoras do mercado de trabalho. Ocorre, porém, o contrário. A falta de professores é uma ameaça real, e o que deveria ser continua se contrapondo, neste país, a uma profunda insatisfação por parte destes profissionais que, não é de hoje, se debatem por salários condizentes com as expectativas que lhes pesam nos ombros e por ambientes que possuam a infra-estrutura adequada ao desempenho de suas funções.
Talvez eles consigam, quando a educação tomar a dianteira na agenda nacional. Por hora, a carreira de professor, no Brasil, exige uma adaptação estressante a condições de trabalho frustrantes e exigências cada vez maiores de melhor formação, sem que isso se traduza em melhor remuneração. O problema veio à tona novamente com a greve dos docentes das universidades federais. O próprio ministro da Educação, diz que os salários destes docentes já foram melhores e defende a recomposição gradual, mas admite que, apesar da proposta do governo aos grevistas indicar o primeiro ganho real que eles terão desde 1994, o descontentamento continuará, pois a defasagem é grande.

Como bola de neve, as perdas salariais massacraram o magistério em todos os níveis. Na educação básica, que reúne 2,5 milhões de professores, a situação está abaixo da crítica. Enquanto a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) briga pela aprovação do piso nacional de R$ 1 mil a fim de corrigir disparates salariais entre estados e municípios, o Brasil amarga um dos últimos lugares do ranking elaborado pela OCDE (Organização Para a Cooperação e o Desenvolvimento), baseado na remuneração dos professores de 32 países.


Mas esta não é a preocupação no âmbito do MEC, onde se fala só em melhorar a formação destes profissionais, já que dados de 2004 apontam que 29,3% dos que atuam no ensino fundamental e 19,2% dos que atuam no ensino médio não têm licenciatura. Certo. O preparo dos professores reflete-se no desempenho dos alunos e aplaudimos o MEC por providenciar sua capacitação, estabelecendo parcerias com universidades para formar professores a distância. Mas a iniciativa encontrou entraves. Por ironia, um deles é... a falta de professores que lidem com educação a distância.
Não é piada. É difícil encontrar quem ensine, seja o que for. A Unesco alerta que um dos desafios dos países em desenvolvimento é capacitar novos professores, a fim de que cumpram as metas do Milênio para a educação. No Brasil, só no ensino médio, o déficit é de 250 mil, nas disciplinas de química, física, biologia e matemática. Não é de espantar: diplomados em áreas técnicas ganham mais em empresas particulares. Por que trocar um emprego mais ou menos por uma escola superlotada e desprovida de recursos óbvios como bibliotecas e laboratórios?


O estudo Retratos da Escola 3, da CNTE, também comprova a progressiva redução do número de professores no país: mais de 53% têm entre 40 e 59 anos de idade; só 2,9% têm entre 18 e 24 anos. A formação de novos profissionais está aquém do necessário para manter o nível de atendimento atual e bem inferior ao que seria ideal para garantir educação pública de qualidade.

Claro, pode-se reverter este quadro, com bons salários e planos de carreira para os professores, e escolas onde eles disponham de recursos para ajudar milhões de alunos, filhos de uma população subescolarizada, a se saírem melhor nos estudos, e na vida. A prova de que uma revolução na educação é possível está em nosso bem sucedido sistema de pós-graduação. Ao divulgar o Plano Nacional de Pós-Graduação 2005-2010, a comissão responsável lembrou que o desenvolvimento da pós no Brasil não derivou de um processo espontâneo do aumento da pesquisa científica e do aperfeiçoamento da formação de quadros, mas foi estimulado ao longo dos anos por uma política indutiva, conduzida e apoiada pelo Estado. Ou seja, quando o Brasil quer, faz.


ExibirMinimizar
CEO Outllok, A era da liderança resiliente. Confira os Resultados.