Mãe, porque é que eu nasci

Afinal, você está nessa vida para que? O que te move? O que te faz acordar todos os dias pela manhã? Saiba como pular da cama, com felicidade, em todos os dias de sua vida

Quando meu filho me fez essa pergunta, aos 5 anos de idade, respondi alegremente que era para fazer o mundo feliz. Ele saiu contente, se sentindo amado. E eu não dormi a noite. Porque para ele era tão fácil aceitar a simplicidade da resposta e para mim aquilo virou um drama? Precisei muitos anos para matar a charada do motivo pelo qual eu vim ao mundo. Mas consegui e me sinto muito feliz com o que encontrei.

A questão “porque eu existo” é tão antiga quanto a mais antiga das profissões. Todo mundo já se fez essa pergunta antes. Eu não fui a primeira, nem meu filho, nem você. E não seremos os últimos. Meu caminho foi difícil, árduo, sabe porque? Porque eu, movida a baixa auto-estima, não via valor em mim mesma. Digamos assim: eu sabia que tinha qualidades, mas não olhava para elas com o cuidado que mereciam. Era mais fácil olhar para o que me desagradava. E ninguém consegue achar seu lugar no mundo se entende que o mundo não é seu lugar. Precisei me curar disso tudo para entender que tinha um talento natural para a comunicação escrita. Daí para a comunicação oral foi um pulo: perdi a timidez, passei a dar palestras, a falar em público e a ser muito feliz com isso tudo. Encontrar meus talentos me fez responder a pergunta sobre qual seria minha missão nessa vida. Minha missão é ajudar as pessoas usando meu talento para a comunicação (caraca! Um dia te conto o quanto eu briguei com essa percepção! Achava que não sabia falar, que as pessoas estavam sempre me julgando quando engasgava), para dizer a coisa certa na hora certa, para fazer as perguntas certas, que levam as pessoas mais longe. Descobrir minha missão de vida me fez começar a acordar todas as manhãs entendendo que o novo dia me traria muitas oportunidades de exercitar meus talentos fazendo o que eu gosto: ajudar pessoas a serem mais felizes.

E agora você. Se identificou com o que leu acima? Talvez ache que não tem tempo para pensar nisso, já que a vida é corrida…Bem, te digo com certeza: tens toda razão. A vida é corridíssima, e quando você piscar, pronto! Já foi! É isso que você deseja? Ver a vida passar correndo, sem viver realmente, sem ter encontrado um sentido para os perrengues que passamos diariamente?

Quais são seus talentos? O que você faz com tanta paixão que nem vê o tempo passar? Eu sei, de início a pergunta assusta, porque entendemos que talentos são qualidades artísticas apenas. Esqueça isso. Talento é aquilo que você faz mais facilmente que os outros, que é natural em você. Pare um pouco e faça uma lista de suas habilidades, mas não exerça um juízo crítico. Não deixe o seu crítico interno dizer:

– Ah, pode parar! Que talento besta! Isso é bobagem!

Não ouça essa voz interior. Foque-se apenas naquilo que você faz bem. Pode ser fritar um ovo, pintar uma cerca, fazer cálculos complicados. Qualquer coisa que você faz melhor que a média deve ir para a lista.

Agora vamos dar um passo a frente: o que você faz bem e ao mesmo tempo ama fazer? O que você faz que te deixa muito feliz? Porque uma coisa é ter talento, outra é ter talento e gostar do que faz. Eu tenho talento para a matemática. Respondo a questões de vestibular como se tivesse estudado a matéria ontem. Eu sei fazer e te afirmo: minha vida seria chatíssima se tivesse que viver disso. Tenho talento, mas não gosto. E você? O que faz com muito gosto? Se tivesse que dar uma palestra hoje, sobre que assunto seria? E que tipos de livros você procura em uma livraria? Se não tem o hábito de ler, o que assiste na televisão, sobre que assuntos gosta de falar? As respostas para essas perguntas vão te ajudar na busca do teu propósito de vida.

Na continuidade, deixa eu te explicar uma coisa. Há, digamos, três níveis de missão de vida, nenhum melhor que o outro. No primeiro nível estão aquelas pessoas cuja missão diz respeito a elas próprias, a conseguir algo para suas próprias vidas (não tenha vergonha de dizer que veio a esse mundo para ganhar muito dinheiro e é isso que te importa no momento. Cada um sabe a dor e a delícia de se o que é, já diria Caetano Veloso! Ninguém tem nada com isso. A decisão é sua e ponto final). Em um segundo nível se encontram as pessoas cujas missões dizem respeito ao próximo, mas um próximo identificável, como um médico que quer ajudar os pacientes (profissões em que podemos enxergar o resultado de nossos esforços, enxergamos a quem estamos auxiliando). No terceiro e último nível estão aquelas pessoas que podem passar incógnitas uma vida inteira e que buscam auxiliar a humanidade como um todo (cientistas que passam em laboratório 30 anos procurando um remédio que cure o câncer é um bom exemplo). Em que nível você acha que se encontra?

Agora junte tudo o que eu disse. Pegue seus talentos e pense em como poderá usá-los para satisfazer esse nível de missão em que você acha que se encontra. Pense mas não se exija tanto. Não é fácil, realmente, encontrar esse algo que vai fazer você se levantar da cama, todos os dias , mais feliz. Não é fácil, mas tenho certeza que você consegue. Depois, volta e me conta suas conclusões?

Publicado originalmente em http://dicasdaclau.com.br/mae-porque-e-que-eu-nasci/

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