Macri é eleito presidente da Argentina. O que muda no comércio exterior brasileiro?

O resultado colocou fim a uma era de 12 anos de kirchneirismo no poder

Atual prefeito de Buenos Aires, o empresário Mauricio Macri, líder de uma frente de centro-direita e opositor do governo de Cristina Kirchner, é o novo presidente da Argentina. Macri foi eleito no último domingo (22), e assumirá a presidência no dia 10 de dezembro de 2015. O resultado colocou fim a uma era de 12 anos de kirchneirismo no poder.

Em seu discurso, Macri afirmou que a mudança no governo argentino “não pode ser parada por revanches” e convocou a participação de “todos”, inclusive daqueles que não votaram nele, para “encontrar o caminho do desenvolvimento”.

O governo atual deixa a economia com frágeis sinais de crescimento, estimado em 2,2% no primeiro semestre, com uma inflação superior a 20%, com reservas reduzidas no Banco Central.

Macri defende a abertura do mercado argentino para investimentos estrangeiros, além de projetar a diminuição da inflação para um dígito em dois anos, bem como o levantamento dos limites das exportações do setor agropecuário.

Atualmente, a taxa de câmbio na Argentina é controlada pelo Banco Central, e a compra de divisas é limitada. Assim, há um mercado paralelo em que o dólar vale cerca de 50% mais que o oficial. Isso se instalou nos últimos anos e complica demasiadamente os investimentos intercambiais com o exterior.

Com relação ao câmbio, Macri propõe abrir a economia. Considera que o preço do dólar deve ser fixado pelo mercado. Garante que irá liberar as importações e eliminar as retenções sobre as exportações agrícolas, exceto a soja.

No âmbito das relações internacionais, promete uma virada na política externa, buscando a retomada de relações com Estados Unidos e Europa, uma reaproximação com China e Rússia, além de defender o abandono do eixo bolivariano e o pedido para que o Mercosul execute a cláusula democrática, para suspender a Venezuela.

Mauricio Claveri, coordenador de Comércio Exterior e Negociações Internacionais da consultoria Abeceb, opinou antes da eleição que “Ambos os candidatos avançarão para um relacionamento diferente. Em particular, melhorarão as relações diplomáticas e técnicas que hoje são bastante problemáticas, principalmente com o Brasil”.

Macri também assegurou antes das eleições uma melhor relação com toda região: “Daremos prioridade a fortalecer os laços com o Brasil, disse que será minha primeira viagem ao exterior se eu for presidente”.

Ao fim das eleições presidenciais na Argentina, a expectativa é de melhora na relação comercial com o Brasil. Com a abertura da economia, a fixação do dólar pelo mercado, a liberação das exportações e importações e uma nova perspectiva de olhar para mercados externos, incluindo o Brasil, é muito possível que nossa relação com nosso principal vizinho possa ser retomada numa crescente dentro do comércio exterior.

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