Café com ADM
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Liderando em tempos de mudanças

Por Sonia Jordão

A tarefa dos líderes de hoje é simples e difícil: precisam encontrar as melhores pessoas que puderem, motivá-las para que façam o trabalho da forma mais bem feita possível e à maneira delas próprias. Isso supõe dar poderes limitados para as pessoas. Precisamos nos esforçar para melhorar nossa flexibilidade, velocidade e qualidade e ainda priorizar o que permanece como uma das medidas mais importantes: a produtividade.


Ora, liderança diz respeito à mudança, à condução de uma organização ou de um grupo de pessoas. Um líder é alguém capaz de tirar um grupo de onde ele está e levá-lo aonde devia estar. Ele ajuda as pessoas a entenderem os porquês e o que devem fazer para chegar à liderança.

Por isso, tanto os profissionais de cargos de chefia quanto seus colaboradores precisam saber tomar decisões, pois nem sempre haverá um superior por perto, em momentos de deliberação. Assim, as organizações vencedoras formam líderes em cada nível da organização, para que estes possam tomar as decisões corretas nos momentos certos, sem depender exclusivamente de seus superiores.

Aliás, acredito que todos somos líderes em alguma coisa. Em determinados períodos da vida precisamos exercer esse papel liderando uma equipe, uma comunidade, uma organização ou uma família e, o que é crucial no mundo do trabalho hoje, à frente da própria carreira. Quem nunca teve que tomar a frente das responsabilidades em relação a uma festa, a uma doença, a um problema de família ou junto aos filhos? Nestes momentos estamos exercitando nossa liderança.

Muitas vezes, liderança não é uma das escolhas a se fazer. É a única opção. Diz um ditado popular: “Se continuarmos fazendo o que sempre fizemos, vamos continuar obtendo o que sempre obtivemos”. Geralmente em tempos de crise, quando existe algum risco, precisamos assumir o que chamam de nossas responsabilidades, precisamos ser ágeis, capazes de comunicar e antecipar os acontecimentos. Atualmente, crises têm sido uma constante em todos os âmbitos, por isso não é bom que sejam vistas como catástrofes; mais adequado seria que a considerássemos como uma purificação – que, aliás, é seu significado etimológico – momento de crescimento.

Um notório professor de Recursos Humanos, José Agulhô, ao falar de nossa capacidade de liderar nos mostrou o seguinte conceito: “(...) temos que aprender a nos conhecer, a gerir nossos atos, aprender a gerir-se primeiro”. Este talvez seja o maior desafio do líder em tempos de mudanças: conseguir gerir-se e ajudar seus colaboradores a fazerem o mesmo.

Muito em breve, muito do que sabemos hoje não será tão importante. O difícil é saber o que esquecer. Os líderes de amanhã precisarão gerenciar o presente, esquecer as coisas do passado de maneira seletiva e procurar ter combustível suficiente para o futuro.

Isto não quer dizer simplesmente que os líderes mudarão o que fazem hoje, deixando tudo para trás. O negócio atual precisa ser protegido e a organização deverá ser conduzida para um mundo totalmente novo. É importante entender que nestes tempos de turbulência o conhecimento tem prazo de validade cada vez menor. E como disse Alvin Toffler: “Cabe aos gestores identificar quais necessidades precisam ser tratadas primeiramente”.

Uma parte considerável das grandes mudanças na prática do gerenciamento nos últimos anos encontra-se no que hoje chamamos de liderança. Antigamente, existia o modelo de gerenciamento através do modo “comando e controle” de dirigir uma organização. Atualmente, na maioria das organizações, nós não obedecemos mais ordens, pelo menos sem que haja uma boa razão. “Comando e controle”, baseado na mentalidade militar, eram apropriados até os anos 80, num clima social diferente e num ambiente empresarial estável. Hoje em dia essa estabilidade acabou e o que existe é um ritmo frenético de mudança. No seu lugar surgiram novos valores como auto-estima e responsabilidade individual.

Os líderes de hoje terão que destruir as barreiras erguidas pelas lideranças passadas e construir pontes. Devem implantar um novo estilo de gestão, voltado para ajudar os colaboradores a realizarem o que são capazes de fazer, criando um ambiente propício à discussão, assegurando a liberação da capacidade criativa, formulando uma visão para o futuro, encorajando, emocionando, treinando, ensinando, facilitando, cultuando o desprendimento e a diversidade, admirando e respeitando as diferenças, e aproveitando as peculiaridades para obter as melhores ações, intenções e soluções.

Em tempos de mudanças, a maior parte do tempo de um líder deveria ser gasta incentivando os colaboradores a uma melhor produtividade, mantendo-os motivados e direcionando energia e recursos para o seu desenvolvimento. Também devem saber fazer as perguntas certas aos seus pares, clientes e membros de equipes.

Toda mudança só acontecerá se houver inovação. Mas só será possível com o engajamento de toda a organização, sem negociar os valores, as crenças e as habilidades, senão não acontecerá nenhuma mudança.

Embora muita coisa tenha mudado, a necessidade de bons líderes permanece constante. Apenas através de uma liderança excepcional conseguiremos conquistar os níveis de esforço e comprometimento necessários para competir na economia mundial. Os líderes que tiverem sucesso nessa difícil transformação se descobrirão em novos papéis que são muito mais recompensadores, tanto pessoal quanto profissionalmente.

“Enquanto os vencedores comemoram, os perdedores se justificam” (Roberto Shinyashiki).

Sonia Jordão é especialista em liderança, palestrante e consultora organizacional. Autora do livro: “A arte de Liderar – Vivenciando mudanças num mundo globalizado”, e do romance corporativo: “E agora, Venceslau? - Como deixar de ser um líder explosivo”. Site: www.soniajordao.com.br, www.tecerlideranca.com.br e www.umnovoprofissional.com.br.
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