Liderança vazia

A capacidade de liderança é hoje o requisito mais desejado em muitos perfis profissionais, contudo não pode ser tido como único requisito para um bom profissional, pois antes de tudo ele precisa de uma base sólida

A capacidade de liderança é hoje o requisito mais desejado em muitos perfis profissionais, assim como já foram a criatividade, iniciativa e pro atividade. Sempre que passamos por uma dessas ondas de supervalorização de uma determinada característica, acabamos sofrendo pela falta de preparo profissional em outras competências igualmente importantes. Acredito que nesse momento estejamos passando por uma dessas crises que chamo de "liderança vazia", onde os indivíduos ainda não desenvolveram as habilidades técnicas, analíticas e estratégicas e já começam a praticar a “liderança” sem saber lidar adequadamente com as outras áreas do conhecimento.

Todos nós devemos conhecer pelo menos um “líder vazio”, que apresenta um trabalho deficiente e fraco, que pode ser visto como um lago vazio, sem água e sem vida, caracterizado pela falta dos conhecimentos técnicos e/ou analíticos necessários para executar as atividades da sua área. Esse “líder vazio” não consegue lidar com os conflitos e as dificuldades de sua equipe de trabalho, não aplica as mais adequadas ferramentas e metodologias de gestão para o desenvolvimento das atividades e não oferece suporte para os seus subordinados. Os efeitos desta liderança despreparada geram prejuízos para a organização e podem ser observados pelo aumento de falhas, erros, conflitos interpessoais e stress, esse último sendo normalmente maior que o necessário no ambiente de trabalho.

Este tipo de líder costuma trabalhar escorado em outro profissional que tenha maior empatia e conhecimento sobre o trabalho. A distinção deste “escolhido” dentro da equipe, reduz o engajamento e desestimula a alta performance, por perda da meritocracia. Também costuma reter as informações e não consegue definir os caminhos a serem seguidos, centraliza as informações e a tomada de decisão, tornando a equipe mais dependente, pois o time não sabe qual é o padrão a ser seguido.

Esse ”líder vazio” é incapaz de formar uma nova liderança e desenvolver os talentos dentro da equipe, pois sente-se inseguro para fazê-lo. Enxerga as críticas simplesmente como resistência à mudança e não consegue avaliar o real valor da contribuição devido a sua limitação, críticas essas que em alguns casos são importantes para a situação. Nessas circunstâncias o “líder vazio” procura formar uma equipe de seguidores simplórios e perde a pluralidade dos conhecimentos e competências dentro da equipe, sob risco de não poder auxiliar e dirigir o time na direção desejada. Assim se torna autoritário repassando ordens e forma um time cada vez mais uniforme, através do medo que os profissionais criam em demostrar as dificuldades opiniões.

Nessas circunstâncias os problemas se tornam cada vez maiores, no entanto, mais encobertos pelo medo, incompreensão e falta de estímulo. Os profissionais se conformam gerando um declínio de produtividade e a causa raiz desse declínio não é tratado. Uma busca por “culpados” é iniciada, são tratados apenas os efeitos aparentes, pois todo o conhecimento foi oprimido pela “liderança vazia”.

Por isso as empresas precisam de líderes mais bem preparados tecnicamente, que conheçam e valorizem as competências técnicas e analíticas individuais, que desenvolvam novos líderes, planejem e facilitem o engajamento no trabalho, encorajem a tomada consciente de decisão e saibam estimular o melhor de cada um. O verdadeiro líder sabe ouvir e reconhecer quando um caminho definido não é o melhor, ele consegue corrigir a rota, aumentar a efetividade e o espírito de equipe. Os verdadeiros líderes possuem uma base sólida e contribuem fortemente para o desenvolvimento de toda a organização. As empresas não precisam de muitos líderes, precisam apenas de bons líderes.

Publicado originalmente em http://www.demarso.com.br/#!Liderança-Vazia/nhdsr/56cf645d0cf2836ff5d85c8d

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