Liderança e criatividade: do cinema e TED para as empresas

Artigo sobre liderança e criatividade, partindo de casos do cinema e da conferência TED, para aplicá-los em empresas

I – Líderes Criativos nas Empresas

Em ambientes corporativos é preciso cultivar a liderança, bem como a criatividade. Em outras palavras, é necessário buscar líderes criativos, que, na verdade, nem sempre correspondem aos estereótipos comuns. Steve Jobs, fundador da Apple, não tomava banho, andava descalço e, para ser aceito numa empresa, foi necessário que se criasse um turno novo somente para ele. No filme A Grande Aposta, um pequeno grupo de investidores, desacreditados pela grande maioria dos demais, apostaram contra o mercado, pouco antes de 2008. Entre eles, havia um investidor representado por Christian Bale, que, vestindo bermudas, camiseta e chinelos, sem cortar os cabelos direito, tocando bateria no ar e ouvindo heavy metal, enquanto analisava os cenários, foi questionado por investidores de sua firma que não acreditavam em sua pessoa, e, assim, requisitaram que lhes devolvessem o dinheiro do investimento. O curioso, certamente, é nos perguntarmos, tempos depois, como que ficaram ao saber que o investidor de que duvidaram estava certo.

II – Liderança no Cinema

O filme Pegando Fogo é um prato cheio sobre liderança. “O chefe de cozinha Adam Jones (Bradley Cooper) já foi um dos mais respeitados em Paris, mas o envolvimento com álcool e drogas fez com que sua carreira fosse ladeira abaixo. Após um período de isolamento em Nova Orleans, ele parte para Londres disposto a recomeçar a carreira e conquistar a sonhada terceira estrela no badalado guia Michelin de restaurantes. Para tanto ele conta com a ajuda de Tony (Daniel Brühl), que gerencia um restaurante na capital britânica, e recruta uma equipe de velhos conhecidos.” (cf. Adoro Cinema).

Pois bem, o filme sobre o chefe de cozinha pode ser um ponto de partida interessante para discutirmos relações de liderança. Embora no caso o local das atividades seja a cozinha, nada impede que transplantemos as ideias centrais para ambientes de negócios, como empresas.

Sendo assim, necessário primeiro trazer à luz o conceito: “Liderança é o processo em que uma pessoa é capaz, por suas características individuais, de aprender as necessidades dos profissionais da empresa, bem como de exprimi-las de forma válida e eficiente, obtendo o engajamento e a participação de todos no desenvolvimento e na implementação dos trabalhos necessários ao alcance das metas e objetivos da empresa.” (cf. Djalma de Pinho Rebouças de Oliveira. Fundamentos da Administração. Conceito e práticas essenciais. São Paulo: Atlas, 2009. p. 205).

Jones é um líder atípico. De um lado, com temperamento peculiar, às vezes, explosivo mesmo, por outro, detinha a capacidade de reconhecer talentos e agregá-los a sua organização, produzindo resultados positivos. Assim, escalou o seu time de cozinheiros.

Para tanto, “O trabalho mais importante do líder – selecionar e avaliar as pessoas – nunca deve ser delegado. Com as pessoas certas nos lugares certos, há um pool de liderança que concebe e seleciona as estratégias que passam a ser executadas. As pessoas, então, trabalham juntas para criar, elemento por elemento, uma estratégia em sincronia com a realidade do mercado, da economia e da concorrência. Com as pessoas certas no lugar certo e a estratégia implementada, ambas serão ligadas a um processo operacional que resulta na adoção de programas e ações específicos que estabelecem responsabilidades.” (cf. Larry Bossidy e Ram Charan. Execução. A disciplina para atingir resultados. Trad. Elaine Pepe. 30ª. tiragem. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. p. 37).

Igualmente, nas empresas, montar um time de talentos requer a habilidade e competência para selecionar os jogadores certos, passando pela análise dos Recursos Humanos, porém sem abrir mão da visão dos gestores da companhia, com quem efetivamente trabalharão.

Todavia, importante observar que nem sempre um time de estrelas vence um campeonato. Às vezes, uma equipe de jogadores medianos bem entrosados pode levantar a taça. Isso porque o líder pode não ter a oportunidade de escalar seu time, mas, sim, ter de trabalhar com um já formado. Daí, fundamental ser carismático, inspirador e motivador, para reconhecer os pontos fortes de jogadores que não sejam galácticos, superar os pontos fracos e impulsioná-los a favor da empresa.

Quanto ao tipo de líder, vale destacar: “O líder transacional, ou negociador, apela aos interesses, especialmente às necessidades básicas dos seguidores. Ele promete recompensas para conseguir que os seguidores (ou subordinados) trabalhem para realizar as metas. O líder transacional oferece recompensas materiais ou psicológicas, conseguindo em troca um compromisso de tipo calculista. (cf. Antonio Cesar Amaru Maximiano. Introdução à Administração. Edição Compacta. 2ª. edição revista e atualizada. São Paulo: Atlas, 2011. p. 219).

Com efeito, Jones escala uma cozinheira indispensável para a equipe. Porém, a única forma de contratá-la foi triplicando o seu salário, pois igualmente de temperamento forte, somente assim conseguiu que ela se juntasse à equipe.

III - Criatividade na conferência TED (Tecnologia, Entretenimento, Design) ideas worth spreading (ideias valem sendo divulgadas)

Para abordarmos o tema sobre criatividade, recorremos à obra de Carmine Gallo (cf. TED, falar, convencer, emocionar. Trad. Cristina Yamagami. São Paulo: Saraiva, 2014. p. 70-71)

Escolas devem cultivar (e não podar) a criatividade. A história mais intrigante e emocionante é sobre Gillian Lynne. Lynne foi a coreógrafa dos espetáculos Cats e O fantasma da ópera. Um entrevistador indagou como ela se tornou dançarina. Lynne disse que nos anos 1930, seus professores concluíram que ela tinha um problema de aprendizagem, uma vez que não parava quieta e ficava sempre se mexendo, sem se concentrar. Poderiam até pensar em TDAH, mas não naquela época.

Sua mãe a levou em um especialista. Após ouvi-las por 20 minutos, o médico pediu para conversar a sós com a mãe. Porém, antes de sair, ligou o rádio. Enquanto isso, do lado de fora, mostrou à mãe da menina que ela dançava na sala e, assim, afirmou que a garota não tinha problema algum, era, na verdade, uma dançarina. Sua mãe deveria, sim, levá-la a uma escola de dança.

Com efeito, a moça foi à escola de dança e, mais tarde, entrou para o Royal Ballet, participando de alguns dos maiores musicais da história.

“O TED celebra o dom da imaginação humana”. Para evitar que cenários adversos ocorram, é preciso reconhecer “a riqueza de nossas capacidades criativas [...]”

Da mesma forma, no ambiente corporativo, a criatividade não deve ser desprezada. Algumas vezes, para se solucionar hard cases, o líder precisa colocar sua imaginação para funcionar e, com criatividade, encontrar soluções produtivas.

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