Líder tóxico: uma dor no bolso das empresas
Líder tóxico: uma dor no bolso das empresas

Líder tóxico: uma dor no bolso das empresas

Não há como escapar. A toxicidade no ambiente de trabalho, geradora da dor emocional, é inevitável nas organizações. E líderes tóxicos também. Você sabe lidar com eles?

Não há como escapar. A toxicidade no ambiente de trabalho, geradora da dor emocional, é inevitável nas organizações. E líderes tóxicos também. Portanto, Liderança Tóxica é toda liderança capaz de gerar uma toxina que cause uma dor de qualquer tipo, seja ela física ou psicológica.

O que transforma dor emocional em toxicidade, porém, é a resposta dada à dor de maneira nociva e não curativa. E o papel do líder é de fundamental importância para a condução de um processo saudável, independente se estamos em uma empresa doente ou não. Quando líderes reconhecem a ocorrência da dor emocional e intervêm, conseguem reverter situações potencialmente letais no ambiente de trabalho. E isso pode mudar todo o rumo de uma estratégia.

Existe uma grande diferença entre os líderes que manipulam as dores dos outros e aqueles líderes que criam dores em seus colaboradores e colegas. Também é possível que um líder seja, ao mesmo tempo, um manipulador e um causador de dores emocionais. Os manipuladores podem ficar tão infectados com as dores dos outros que se tornam tóxicos e acabam transmitindo essas dores para outras pessoas. É como um médico que atende a um paciente com uma doença infectocontagiosa com a intenção de tratá-lo. Porém, sem perceber, se contamina com o vírus e acaba passando esta doença para muitas das pessoas com as quais passa a ter contato a partir de então.

Reconhecer um autêntico líder tóxico destrutivo é muito importante para que possamos dar continuidade ao nosso trabalho. Invalidar, reprovar, diminuir, manipular. Esses são os objetivos, as metas do desqualificador. Ele procura ter o poder e o controle sobre as suas emoções, sua alma e sua razão, para depois destruir sua autoestima a fim de que você passe a depender absolutamente dele. Este é um exemplo de líder tóxico na sua essência. Ele quer poder e controle. É manipulador. Vai se encarregar de fazer cumprir suas exigências ou fará de sua vida um inferno. Vai almejar que você pense, sinta e aja como ele quiser. Eu diria que grande parte dos líderes tóxicos são assim. E eles não são tão difíceis de serem reconhecidos.

A grande questão está em reconhecer os líderes tóxicos que não têm este perfil “tirano”. Eles podem ser pessoas normais como eu, você ou o seu colega da mesa ao lado. Mas, será possível que uma pessoa saudável possa ser um líder tóxico? Eles podem fazer isso de forma inconsciente? Infelizmente sim. Assim como uma mãe que, pelo fato de amar demais, pode sufocar um filho.

Poder a qualquer custo
Uma atitude bastante comum que ainda acontece muito é quando o líder promete a um funcionário uma promoção e acaba entregando o cargo a outra pessoa. Ou trai a confiança pegando as melhores ideias da equipe e passando-as à diretoria como se fossem suas.

Alguns líderes maníacos por controle, por exemplo, atormentam suas equipes a ponto de impossibilitá-las de cumprir suas tarefas. Ainda há aqueles que tiram a tarefa de alguém antes mesmo da pessoa ter a oportunidade de começar. A incoerência generalizada também é um dos pontos bastante citados nas pesquisas. Ou seja, falar uma coisa e, na prática, fazer outra.

Criar dor pode servir de mecanismo de controle, para que não haja desafios à autoridade de muitos líderes, uma forma de se sentirem poderosos perante seus pares, humilhando seus liderados.

Alguns líderes desenvolvem ressentimentos com muitos indivíduos em particular e direcionam grande parte de sua vingança em encontros com eles. Este membro da equipe pode acabar atormentado o tempo todo, e o desempenho começar a corresponder às críticas e avaliações do líder, devido à baixa autoestima e motivação. Este funcionário vai acabar demitido ou pedindo demissão.

Algumas vezes, ainda, o foco do abuso inclui toda a equipe. Ninguém é poupado da injúria pessoal. E o que muitas vezes deixa as coisas piores é a imprevisibilidade dos ataques. Os funcionários nunca sabem o que esperar deste líder, muito menos quem será a próxima vítima.

O propósito da malícia é deliberadamente prejudicar alguém. E as razões são muitas: necessidade de domínio e controle, frustrações diversas, incompetência, antipatia por indivíduos de sexo em particular, raça ou orientação sexual, experiências dolorosas. Outros ainda acreditam estranhamente que esta é a melhor forma de se motivar as pessoas.

Os efeitos dessas atitudes incluem amargura de longa duração, raiva, desconfiança, medo e tristeza. Restabelecer a confiança depois que ela foi perdida pode ser quase impossível, montando assim o palco para a paranoia e relações deterioradas entre líder e liderados, o que é altamente prejudicial à organização.

Dor que é mal manipulada tem mais chances de levar à tristeza. Pessoas que não tratam suas dores e estão em processo de sofrimento ficam desconectadas da esperança de sensação de pertencimento a uma comunidade. Ou seja, elas se sentem de alguma forma rejeitadas, então entram em fase de negação, seguida de raiva e depressão. Pessoas com essa sobrecarga de sentimentos não conseguem cumprir facilmente suas tarefas e responsabilidades cotidianas.

Chefes ruins são a principal causa de estresse
E os números não mentem. Uma pesquisa feita pelo site Gallup identificou que 60% dos funcionários públicos dos EUA são infelizes por causa de maus chefes. Em outro estudo, 69% dos trabalhadores do país compararam chefes detentores de muito poder a crianças pequenas com muito poder. E aqui vemos que a responsabilidade dos pais pode ser grande em todo este processo.

Para cerca de 75% dos americanos, os chefes são a maior causa de estresse no trabalho. Todos nós sabemos que o estresse prejudica tanto o trabalhador quanto o empregador. Estima-se que no Brasil 3,5% do PIB é perdido com custos relacionados ao estresse no trabalho, sendo que pesquisas indicam que 70% dos trabalhadores no país estão estressados, e no resto do mundo os dados não é diferente.

O fato é que o Brasil só perde para o Japão em número de profissionais estressados. E o mais grave é que 25% dos colaboradores considera o seu emprego a primeira razão de estresse nas suas vidas. A revista Quartz, uma conceituada publicação de negócios americana, publicou um artigo no Linkedin que aponta que um chefe ruim pode fazer tão mal para a saúde dos funcionários quanto fumar passivamente. E o pior, quanto mais tempo uma pessoa passar trabalhando para alguém que a deixa infeliz, maiores serão os danos para sua saúde mental e física.

Pesquisadores da Harvard Business School e da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, reuniram dados provenientes de mais de 200 estudos, e chegaram à conclusão que estresses simples e cotidianos no trabalho podem fazer tão mal à saúde como a exposição a quantidades consideráveis de fumaça do cigarro de outras pessoas.

Medo da Demissão
A razão número um causadora de estresse no trabalho, que é o medo de ser demitido, pode aumentar em até 50% os riscos de problemas de saúde. Já um cargo que exige do funcionário mais do que ele pode oferecer aumenta em 35% o risco para a saúde. Ainda assim, 84% das pessoas que pedem demissão, pedem demissão de seus chefes, e não das empresas nas quais trabalham. Isso significa que empresas ruins com bons líderes fazem mais retenção de funcionários que empresas boas com líderes ruins, que na realidade são chefes. Incrível, não?

Dados da Associação de Psicologia dos Estados Unidos, publicados no artigo dessa revista, revelam que 75% dos trabalhadores americanos consideram seus chefes a maior razão de estresse no trabalho. Ainda assim, 59% dessas pessoas não largariam o emprego, mesmo infelizes. Os números mostram que as pessoas arrumam uma maneira de se conformar com seus empregos, e isso faz com que a decisão de pedir demissão e sair em busca por um ambiente de trabalho mais saudável seja ainda mais adiada.

Em outros casos, os problemas com os liderados podem ser falta de afinidade. Existem, contudo, muitos chefes realmente ruins por aí. Estes são geralmente verbalmente agressivos, narcisistas e podem até se tornar violentos. Abandonar o emprego e começar tudo de novo por causa de uma situação-limite não é uma decisão fácil de se tomar. Porém, não há como trabalhar motivado num cenário assim.

Em épocas de desemprego, muitos dos que se encorajam a tomar a decisão acabam pensando em trocar o emprego por qualquer outra coisa. Com o desemprego subindo, é comum que aceitem empregos de que não gostam apenas para não ficarem sem trabalho. Mas essa prática novamente ataca a saúde do indivíduo.

Sabe a máxima que diz assim: antes só do que mal acompanhado? Para Stephen Bevan, pesquisador especializado em performance no ambiente de trabalho, nem sempre ter um emprego ruim é melhor do que não ter emprego algum. "Controle, autonomia, desafio, variedade e autorrealização são fundamentais para um ambiente saudável", diz ele.

Apesar da impressão de que essa é uma forma de permanecer conectado ao mercado de trabalho, um estudo da Australian National University sinaliza que não. "Os dados mostram claramente que a saúde mental para os que trabalham em empregos ruins é pior do que a dos sem emprego", explica o especialista. "Esses números não devem nos fazer parar de procurar empregos de maneira rápida. Mas deveria nos fazer pensar mais em como a qualidade do trabalho afeta nossa saúde mental e nossa produtividade. Mesmo durante uma crise, a desconfortável verdade pode ser de que 'qualquer trabalho é um bom trabalho' na verdade é uma mentira", completa Bevan.

Ou seja, o barato sai caro. O melhor mesmo é pagar o preço e tomar a decisão mais assertiva, ainda que seja dolorida no bolso, em prol da paz de espírito, equilíbrio físico e mental, para que se possa um dia voltar a produzir.

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