Líder é aquele que escuta

Há pessoas que confundem o papel do líder com o de um narrador de corridas de cavalo. Falam tanto que não sabem se tudo o que dizem é ouvido pelos demais. Mas para eles pouco importa. O que vale mesmo para estas pessoas é a chance de mostrar que sabem, que entendem do assunto, que já viveram aquela situação e, portanto, tem muito a dizer a respeito.

Há pessoas que confundem o papel do líder com o de um narrador de corridas de cavalo. Falam tanto que não sabem se tudo o que dizem é ouvido pelos demais. Mas para eles pouco importa. O que vale mesmo para estas pessoas é a chance de mostrar que sabem, que entendem do assunto, que já viveram aquela situação e, portanto, tem muito a dizer a respeito. Coitados dos que estão em volta. Em alguns casos esse comportamento é causado simplesmente por insegurança e necessidade de impor-se ao grupo, e o fazem pela verborragia. Certamente você conhece ou já trabalhou com alguém assim. É cada vez mais comum este tipo de líder nas organizações, infelizmente.
Se fizermos um estudo mais detalhado notaremos que há pessoas que não escutam porque temem ouvir o que não querem. Não estão preparadas emocionalmente para lidar com a perda e a frustração. Assumem uma postura de autoridade que as protegem do pior. Em outros casos simplesmente não percebem suas atitudes. Isso me lembra uma história sobre um rei muito supersticioso que teve um sonho terrível: havia perdido todos os dentes! Confuso e apavorado com o sonho chamou um dos seus melhores videntes. Contou a ele sobre o sonho em busca de uma explicação. O vidente ouviu atento as palavras do rei e profetizou: Meu adorado rei, viverás o bastante para ver todos os teus filhos mortos. Num acesso de fúria, o rei mandou imediatamente para o calabouço aquele que proferira palavras tão aterradoras.

Desesperado, chamou um segundo vidente e novamente repetiu a história. Após pensar profundamente o adivinho falou: "senhor, Deus te concedeu uma vida tão longa que ultrapassará a geração de teus filhos e chegará a teus netos". Agradecido, o rei mandou recompensá-lo com ouro e prata. Ao sair do palácio, um nobre perguntou ao vidente: "Disseste o mesmo que o adivinho anterior. Entretanto, o primeiro foi preso e recebeste recompensas, por quê?


Os estudos do comportamento humano, sobretudo sobre os aspectos da liderança, vêm comprovando que as pessoas passam por uma profunda mudança de valores pessoais que afetam diretamente sua maneira de agir e se relacionar. No conceito mais popular de liderança, identificamos o líder como sendo aquele que apresenta um conjunto de características que o difere dos demais e faz com que possua seguidores espontâneos. No entanto, como é possível o líder ter seguidores se ao menos não consegue ouvi-los? Saber o que pensam?
A cultura milenar dos orientais ensina que um dos atributos essenciais para uma melhor convivência no dia-a-dia e nas relações do trabalho é aprender a escutar. Neste caso escutar é ir além do simples fator físico-mental. É interpretar muito mais que sons e palavras: ouvir o outro. É usar da empatia, ou seja, colocar-se no lugar do seu interlocutor. Tarefa difícil para alguns e normalmente não praticada por muitos.


Para exercer plenamente o papel de líder é importante estar atento a este item; para aperfeiçoá-lo é necessário exercitar, assim como se faz quando quer perder uns quilinhos ou melhorar o fôlego. Vamos praticar? Temos abaixo três passos de um programa básico para melhorar a empatia e a capacidade de escutar:

O primeiro passo é olhar para si com mais atenção. Perceber as próprias atitudes do cotidiano seja no trabalho, em casa, com os amigos e nos eventos sociais. É importante verificar se há um padrão no comportamento ou ele é específico em alguma das áreas da vida. Para que o exercício tenha melhor efeito, peça ajuda para pessoas próximas. Com isso, você já estará fazendo o segundo passo: estar aberto para aceitar críticas e sugestões. Quem está de fora consegue perceber melhor e pode auxiliar neste caso. O ser humano gosta de ajudar os outros e não mede esforços para ver as pessoas de quem gosta aprimorar suas atitudes e comportamento.
Contenha a ansiedade! Aquele desejo de completar a frase do outro ou adiantar o raciocínio de quem está falando é outro obstáculo a ser rompido. Isso tem a ver com controle emocional e saber lidar com os diferentes ritmos das outras pessoas. Em todo e qualquer grupo haverá indivíduos mais dinâmicos e outros nem tanto, e suas contribuições podem ser valiosas se o líder souber controlar a agonia de falar, de concluir. Portanto, quando você perceber que está quase ultrapassando o limite do outro, respire fundo e se concentre no que ele tem a dizer. Com o tempo, o controle da ansiedade se incorpora ao seu comportamento assim como escovar os dentes fazemos isso automaticamente.
O verdadeiro líder consegue o respeito de seus liderados à medida que ouve suas opiniões, idéias, críticas, sugestões e até mesmo dificuldades com relação ao trabalho sem julgamento de valor. De forma geral, as pessoas querem ter a oportunidade de serem ouvidas com respeito.
Portanto, saber ouvir é um aspecto da maturidade do líder. Maturidade que está relacionada com os tipos de experiência que se teve e seu aprendizado, do que quantos aniversários celebrou. Liderança tem mais a ver com a forma de lidar com as pessoas - ouvir, motivar, compartilhar, orientar e delegar do que quantos funcionários você tem na sua equipe.

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