Café com ADM
#

Jogue a sua vaca no precipício

JOGUE A SUA VACA NO PRECIPÍCIO Conrado Adolpho “Conrado, eu não entendo você. Como pode gostar tanto de mudanças em sua vida?” - Me perguntava um aluno de um curso de motivação após eu mencionar minha trajetória de vida. Existe um lugar psíquico em nossas vidas chamado de “zona de conforto”. Um local muito agradável, porém, extremamente perigoso. Tal qual um sorvedouro de energia, ele lhe traga as forças, deixando-o prostrado numa cadeira durante todo um final de semana em frente a uma televisão ou lhe mantém durante vinte anos no mesmo emprego, que você nem gosta tanto assim. Por que, porém, é tão difícil mudar? Algumas teorias nos dizem que, quando nascemos, enfrentamos uma mudança tão brusca de ambiente que isso nos marca para toda a vida, fazendo com que encaremos a mudança como algo sempre negativo. Acreditamos que toda mudança leva a um agravamento de uma situação da qual você já tinha se acostumado. Você já deve ter ouvido o ditado “antes de melhorar, sempre piora” O problema é que nunca estamos dispostos a enfrentar o ônus cobrado pela mudança, a fase de transição nos fará pensar em novos caminhos, criar novas estratégias, novos métodos de adaptação, enfim, nos fará crescer como seres humanos. Nietzsche dizia em Assim falou Zaratustra: “O que não me mata me torna mais forte” - Após uma fase de mudança o espírito se fortalece e sai renovado. A zona de conforto, ao contrário, empobrece o indivíduo tornando-o escravo de seus medos e angústias. Algumas teorias da psicanálise nos dizem que, depois de estabelecido um equilíbrio entre as relações num grupo de pessoas, há uma imensa força que se opõe a todos aqueles que procurem perturbar o equilíbrio alcançado entre todas as partes, muitas vezes a duras penas. Na química isso é conhecido como Princípio de Le Chatelier. Você já deve ter visto algo parecido em sua empresa ou família: Armandinho sempre foi o coitadinho da empresa, todos sempre o viram dessa maneira sem ao menos perguntar o que ele pensava disso. Um belo dia, Armandinho resolve mudar suas atitudes e se rebelar contra as opiniões alheias. Resolve falar o que realmente pensa e age como se fosse uma outra pessoa, mais espontânea, mais adulta, mais madura. Todos pensam: “O que está havendo com Armandinho?” As forças para que Armandinho continue sendo “Armandinho”, e não o novo “Armando” que ele está se mostrando, são enormes e muitas vezes mais fortes do que a vontade dele próprio de mudar. Todos em um grupo sempre procuram manter o status quo. Sempre tentam deixar a situação como está, mesmo que esteja ruim. Mudanças nunca são muito bem-vindas, mesmo quando que para melhor. Outro exemplo muito corriqueiro nas empresas: Uma nova máquina vai chegar. Ela vai aperfeiçoar os processos e melhorar as condições de trabalho de todos os colaboradores. Mas nada disso importa. Antes mesmo de ela chegar as opiniões adversas e as reclamações já se fazem ouvir – “Isso é coisa da matriz, sempre procurando dificultar nosso trabalho”, ou ainda, “Quando começamos a nos acostumar com a última mudança, mudam tudo de novo”. E quem nunca ouviu essa: “Em vez de nos dar aumento, preferem comprar uma máquina nova. Sabe-se lá a fortuna que não deve ter custado”? O medo da mudança é inerente ao ser humano. Partir de uma situação já conhecida, mesmo que ruim, para algo desconhecido, sempre representa um gasto psíquico muito extenuante. Pense nisso quando estiver entrando em um novo grupo de trabalho – as relações que se formam nos primeiros minutos de convivência entre pessoas que não se conhecem já são suficientes para colocá-las em um drama. Tal qual uma peça teatral, esse drama se desenrola lentamente. Cada um vai assumindo um determinado papel e assim permanece durante muito tempo: o coitadinho, o dominador, o imaturo, o líder e vários outros. Após a definição desses personagens a mudança perante os outros é muito rara; é o conhecido “a primeira impressão é a que fica”. Pode parecer chavão, mas é a pura verdade. As pessoas precisam de segurança psíquica em suas relações, e quanto mais imaturo é o grupo, maior a rigidez para a manutenção desses papéis. Maior a resistência para a mudança. Você deve conhecer a história da família pobre que só prosperou depois que sua vaquinha, seu único bem, caiu em um precipício e morreu. Saia da zona de conforto de vez em quando. Mude. Jogue a sua vaca no precipício. Conrado Adolpho Vaz (www.conrado.com.br) é educador, publicitário, escritor e palestrante. Sua formação vem de escolas de excelência como ITA e Unicamp. Há mais de 10 anos vem preparando adolescentes e adultos para vencerem grandes desafios com determinação e criatividade. Escreve e ministra seminários, palestras e treinamentos em marketing educacional, marketing pessoal, motivação e desenvolvimento pessoal.
ExibirMinimizar
CEO Outllok, A era da liderança resiliente. Confira os Resultados.