Jogos da vida com fantoche, marionete, político, ator e gente de verdade

Quantas pessoas passam por nossas vidas e quantas nós conhecemos de verdade? Que possamos jogar o jogo da vida com gente de verdade, entre amigos, parceiros, companheiros, colegas, seres humanos

No mundo em que habitamos parece que todo mundo esta lutando para se defender, para sobreviver, para ter, para vencer, ou lutando sem nem bem saber para quê e por que.

Uns contra os outros, uns nas mãos dos outros. Tudo acontece porque o iceberg tem duas pontas. Tem os fantoches e marionetes porque há pessoas que os manipulam, criam, encenam e trilham seus caminhos. Tem puxa saco porque há muita gente que não só gosta, como permite, incentiva e se envaidece com este tipo de atitude.

Todos somos políticos ou atores, ou as duas coisas. Porque no cenário que se construiu para sobrevivência e aquisição de bens materiais, ser sincero e natural, ser você mesmo seja lá quem você for é um tremendo risco. Risco de perder o emprego. Ou de perder amigos. De perder a promoção. Ou de brigar com a família. Risco de virar ermitão. Ou de não evoluir num relacionamento. Todo mundo diz querer sinceridade, mas quantos estão de fato dispostos a ouvir verdades? Temos disposição quase nata para julgar e criticar, mas quantos de nós conseguimos aceitar ou ouvir críticas dos outros?

Virou um jogo da vida, um jogo de xadrez com peças muito humanas, mas que tentam se parecer cada vez mais com madeira e outros materiais rígidos. Pessoas que são frágeis como vidro, mas que querem ser homens de ferro e mulheres de aço. Pessoas que sorriem por fora e choram por dentro.

Temos cada vez mais máscaras, armaduras, fantasias e ferramentas. Nosso guarda roupa é completo e nossa mente treinada para arte da guerra, preparada para o combate. Isso afeta todas as relações. Temos mais pessoas dispostas a desistir e fugir, do que a tentar e ficar. Ficar envolve risco, compromisso, comprometimento, envolvimento e deixar que as máscaras caiam. Exige dedicação, coragem, compartilhar, sair da superfície para uma zona mais profunda, enfrentar os próprios medos e aceitar os riscos.

A melhor parte de sermos humanos é viver tudo que podemos viver, sonhar, planejar, dividir, trocar, amar, entregar, sentir e realizar. Mas, muitas vezes preferimos ficar num campo aparentemente seguro, nos distanciando ao máximo de nossa natureza e buscando características e atitudes mais frias, automáticas, robóticas e distantes para que tenhamos menos chances de nos machucar. Com isso, vamos camuflando a nossa essência, abafando nossas emoções, sufocando nossos sentimentos, perdendo oportunidades e pessoas.

As relações vão assim ficando cada vez mais passageiras e menos profundas. Muita gente passa e pouca gente fica. Quando a coisa tem chance de ficar mais séria, um lado rói a corda e some. Ou some e aparece, mas não mantém uma constância, uma lógica, uma profundidade. Tudo isso por medo de se envolver, ou de se apresentar como realmente é, ou de perder o controle.

Mas que controle? Fora o controle remoto da televisão, controle é absolutamente ilusório. Temos a falsa sensação e a grande necessidade de acharmos e sentirmos que estamos no controle. Não temos o controle de nada. Podemos nos achar excelentes profissionais, mas isso não significa que não podemos entrar na lista de cortes da empresa no dia seguinte. Às vezes basta um desentendimento com seu chefe e você dará adeus ao seu trabalho. Podemos até tentar controlar os sentimentos, mas seja com a Maria ou com o João você vai se apaixonar e poderá se machucar. Isso é ser humano, isso é não ter controle e isso não é ruim porque isso faz parte da vida e de viver. Fazemos planos para nós e para outras pessoas ao nosso redor, e às vezes esquecemo-nos de contar para elas. E de repente, elas têm outros planos e tudo muda porque não temos o controle. Uma paixão repentina, um convite para mudar de cidade ou país, uma promoção, demissão, filhos, falecimento, doença, viagem. Ninguém tem controle do que vai acontecer consigo e que dirá com os outros.

Por menos atores e mais verdade. Menos marionetes e mais gente assumindo a responsabilidade sobre as próprias ações. Menos políticos e mais transparência. Menos máscaras e mais sentimento. Menos fantasia e mais emoção. Menos corações gelados e mais envolvimento. Mais cavalheiros e menos armaduras. Menos maquiagem e mais cara limpa. Menos camuflagem e mais peito aberto.

Quantas pessoas passam por nossas vidas e quantas nós conhecemos de verdade? Que possamos jogar o jogo da vida com gente de verdade, entre amigos, parceiros, companheiros, colegas, seres humanos.

“Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver”.

Publicado originalmente na plataforma Pulse, do LinkedIn

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