Café com ADM
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Já fez seu pedido ao Papai Noel?

Natal de 2003. Há exato 1 ano atrás, chamei meus filhos e pedi para escreverem para o Papai Noel.



Natal de 2003. Há exato 1 ano atrás, chamei meus filhos e pedi para escreverem para o Papai Noel.


- Mas pai, nós já escrevemos respondeu minha filha mais velha.
- Sim, eu sei, só que agora quero que vocês escrevam para o ano que vem respondi.

- Só que o ano nem começou, o que vamos escrever?
- Vamos fazer o seguinte, você começa sua carta assim: Querido Papai Noel, eu mereço um bom presente de Natal, porque... E aí você completa com o que você vai fazer no próximo ano, entendeu?



A princípio ela não entendeu, mas escreveu a cartinha assim mesmo, imaginando tudo de bom que ela iria fazer em 2004, como se já tivesse acontecido.

Combinamos que a cartinha ficaria ali, na lareira, pendurada, durante todo o ano e que iríamos mandar para o Papai Noel quando chegasse a época do Natal.

O que se sucedeu ao longo do ano foi incomparável, o que chamamos de efeito pigmaleão ou a profecia auto-realizável. Uma simples cartinha mudou tudo. As crianças se comportaram muito bem, fizeram suas lições, cumpriram suas obrigações, obedeceram, não fizeram muita arte e não brigaram muito. Exatamente como tinham escrito para o Papai Noel. O tempo todo a cartinha lá pendurada, lembrava eles da promessa e este lembrete mudou o seu comportamento por todo o ano. O compromisso firmado na carta serviu como um tipo de auto-cobrança, que nivela por cima as expectativas das crianças, minhas e, claro, do Papai Noel.

Benjamin Zander, maestro da Filarmônica de Boston, falou na Expo Management sobre a arte da possibilidade e como as empresas podem superar suas limitações e dificuldades simplesmente exercitando a capacidade de vislumbrar o futuro que elas podem construir.
Seja como um empreendedor ou como líder, descreva a empresa ou a pessoa que será e ela se comportará assim.

Poucos de nós somos o que queremos ser. A grande maioria acaba se tornando aquilo que os outros acham que são. Se várias pessoas dizem repetidamente que sou fraco, uma hora vou acabar acreditando que sou fraco, mesmo que na verdade não o seja. Por outro lado, se as pessoas começarem a dizer que sou um líder nato, inevitavelmente começarei a me comportar como um líder até que me torne de fato um. Porque não conseguimos ficar surdos às influências que nos limitam e nos diminuem? Porque não aprendemos a acreditar no nosso potencial ao invés de nos dobrar aos falsos pressupostos e preconceitos que impedem nossa descoberta e auto-desenvolvimento?

A resposta está nas palavras de Zander. Ele diz que, ao longo da nossa existência, ficamos alimentando uma vozinha interna que fica o tempo todo repetindo Você não é o melhor, você não é o melhor e esta vozinha só desaparece quando morremos. As pessoas não enxergam com facilidade o mundo de possibilidades que a vida nos abre o tempo todo, ou porque não as percebemos ou porque as ignoramos, por achar que não as merecemos. Quando você constrói uma visão forte e positiva do futuro, como este exercício da cartinha, o efeito direto mais relevante é a sua reação ao compromisso firmado com o seu Papai Noel, ou seja, você mesmo. Mas a melhor das reações é a que provoca um processo de transformação que o torna uma pessoa mais madura, mais evoluída e mais preparada para enfrentar os desafios do crescimento.

Existe, é claro, um certo risco da profecia não se cumprir, de você não conseguir aquilo que você disse que faria ou seria. Não se esqueça, porém, que foi você quem escreveu a carta. Você é quem usufruiu do direito de determinar seus objetivos. O melhor que pode acontecer neste caso, é você descobrir mais a seu respeito, descobrir do que você é capaz e do que você não é capaz, delimitar seu escopo, limites e restrições. Sua próxima carta estará mais afinada e mais aderente às suas potencialidades.

No ambiente corporativo, permitir que sua equipe escreva sua própria carta de propostas dá a eles a possibilidade de contribuir com que eles têm de melhor. Isso dá abertura para que você explore as inúmeras possibilidades de geração de valor que as pessoas podem oferecer. Ao mesmo tempo, aumenta o comprometimento deles com tais objetivos, uma vez que eles que o definiram. Em casa, eu não faço mais o prato das refeições para os meus filhos. Eles mesmos se servem, mas eles sabem que não podem deixar comida no prato, pois eles tiveram a opção de definir a quantidade de comida que eles julgam suficiente para eles. O entendimento do conceito é claro e direto.

Para terminar, um último ensinamento de liderança de Ben Zander: Siga a regra número 6: Era uma vez, dois ministros que se reuniam para discutir assuntos de estado quando foram interrompidos por um jovem que chegou esbaforido e gritando desesperado. O ministro que sediava o encontro disse a ele: Peter, lembre-se da regra n. 6. Imediatamente, o rapaz se acalmou, baixou o tom de voz e saiu lentamente. 20 minutos depois, entra uma moça voando na sala, fora de controle. Novamente ele diz: Maria, lembre-se da regra n. 6 e na hora a moça pede desculpas, faz um cumprimento e se retira.

O ministro visitante não pôde conter sua curiosidade: Caro colega, pode me explicar o que é esta regra n. 6? É muito simples, respondeu ele, não se leve a sério demais. O visitante responde: É uma boa lei, e quais são as outras?, ao que o outro responde: Não existem outras!

Por isso, se quiser fazer um pedido para o Papai Noel, lembre-se da Regra n. 6 e você verá que um mundo de possibilidades se descortinará diante de você para se transformar em excelentes e valiosas oportunidades para 2005.


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