IoT, Big Data, Cloud e o Tour de France

O objetivo desse artigo é apresentar como o Tour de France 2015 utilizou dos três conceitos tecnológicos mais populares da atualidade (Internet of Things, Big Data e Cloud Computing) para elevar o nível da experiência dos participantes do evento

Em 2015 acontece a 102º edição do Tour de France, o maior evento ciclístico do mundo. E esse título de “maior evento do mundo” não foi dado a toa.


O evento é acompanhado por milhares de espectadores apaixonados pelo esporte nas estradas onde ocorrem a corrida e atinge uma escala global através das centenas de canais de televisão que transmitem o evento para aproximadamente 190 países.

As provas são distribuídas em 21 etapas, onde os 198 corredores, divididos em 22 equipes, percorrem um total de 3.360km por 3 países europeus (França, Bélgica e Holanda)

Graças em uma parceria entre a realizadora do evento Amaury Sport Organisation (ASO) com a empresa de tecnologia sul-africana Dimension Data, a edição de 2015 será especial.

De acordo com o Diretor da Tour de France, Christian Prudhomme,
“O ciclismo é empolgante e complexo, além de trazer o benefício das mais recentes tecnologias para revelar todos os aspectos do desporto. A parceria com a Dimension Data vai ajudar-nos a cumprir nossa ambição e levar os nossos fãs e espectadores a embarcar numa experiência futurista no interior da corrida e do ciclismo. ”

Utilizando recursos tecnológicos como Internet of Things, Big Data e Cloud Computing, os organizadores prometem revolucionar o esporte, não apenas com monitoramento dos competidores, mas com informações analíticas que eleva a capacidade técnica das equipes, disponibilizando acesso a um incrível volume de informação para emissoras que transmitem o evento e proporcionando uma inovadora experiência aos fãs do esporte por todo o mundo.
Para entender o tamanho do desafio, vamos conhecer um pouco mais sobre os três grandes ingredientes dessa receita.

IoT - Internet Of Things
A não muito tempo atrás, apenas computadores conseguiam trocar dados com outros computadores, e gps eram equipamentos de navegadores e militares.

Com o avanço das tecnologias foi se tornando possível obter componentes e recursos mais poderosos ocupando menor espaço físico, podendo assim serem embutidos em dispositivos muito pequenos. O telefone celular que um dia só fazia e recebia ligações se transformou em smartphone, com acesso à internet banda larga, gps integrado e câmeras de alta definição.
O termo Internet of Things, ou em português “Internet das Coisas” não significa que as “coisas” terão internet, mas o termo é usado para caracterizar equipamentos que serão capazes de produzir e compartilhar dados com outros dispositivos ou computadores através de sistemas de comunicação próprio.
De acordo com o Gartner Group, IoT é uma “rede de objetos físicos que contêm tecnologia embarcada para se comunicar, sentir ou interagir com os seus estados internos ou no ambiente externo”.
Essa percepção de estado acontece através de sensores, que nada mais são que componentes eletrônicos que respondem a diferentes estímulos do ambiente, sejam eles químicos ou físicos de maneira a se transformar em dados que possam ser analisados. Esses recursos não são novos e já são usados a muitos anos, a diferença é a miniaturização desses componentes somada com tecnologias de transmissão dessas informações.
Para o Tour de France 2015, a “coisa” que será aplicado esse recurso é a bicicleta dos competidores.
De acordo com o site oficial, cada uma das 198 bicicletas do evento foi equipada com um sensor de 80 gramas que emite a cada segundo um sinal contendo a localização da bicicleta no percurso e a distância entre os outros competidores.
Agora, será possível compreender como um atleta se prepara para um sprint final a poucos quilômetros da fita de chegada, sentir o impacto do vento na velocidade do corredor e muito mais. Os nossos esforços, combinados com os da Dimension Data, irão mudar para sempre a forma como se acompanha um evento como o Tour de France”, acrescenta Prudhomme.
Esse tipo de tecnologia embarcadas estão sendo cada vez mais explorados não apenas em eventos ou por empresas internacionais, mas já chegou ao Brasil. Empresas como a Memora Processos Inovadoras, com sede em Brasília, já saíram na frente com o aplicativo Beekme, que através da tecnologia Beacon fornece informações inteligentes sobre pontos turísticos de Brasília oferecendo uma experiência singular para o turista que visita a cidade.
Big Data

Para a empresa Intel “Big Data se refere ao imenso volume de conjuntos de dados que alcançam elevadas ordens de magnitude (volume); mais diversos, incluindo dados estruturados, semiestruturados e não estruturados (variedade); e que chegam mais rápido (velocidade) do que você ou sua organização já teve de lidar”.
Com os sensores instalados nas bicicletas transmitindo os dados a cada segundo, cria-se um volume de dados tão grande que exige um tratamento e análise desses dados diferenciado do que é trabalhado tradicionalmente.
“O posicionamento geográfico das bicicletas será lido mais de 75 milhões de vezes, gerando um processamento mais de 350 milhões de ciclos de CPU por segundo, podendo alcançar a marca de 2.5 milhões de registros de banco de dados por etapa” informa o site oficial do evento.
Para cenários de grande volume de dados como este, é preciso ter uma infraestrutura de processamento poderosa, para que dentro dessa massa de dados sejam extraídas informações de valor.
Por exemplo, 75 milhões de registros de posicionamento geográfico são apenas dados quando analisados isoladamente, porém, com o processamento analítico desses dados, os organizadores conseguiram emitir relatórios diários contendo as seguintes informações:
  • Velocidade máxima, velocidade média e tempo por quilômetro do vencedor da etapa;
  • Atletas mais rápidos nas principais subidas;
  • Velocidade do vencedor na linha de chegada;
  • A velocidade máxima alcançada por cada atleta no dia;
  • Velocidade média de todos os atletas;
  • Atleta que passou mais tempo na frente da corrida;
  • Tempo entre o primeiro e o último piloto;
  • Muitas outras estatísticas elaboradas durante o evento.
Para isso a empresa criou um data center móvel chamado de “big data truck” que consolida e processa essas informações no próprio local do evento antes de disponibiliza-las para o consumidor dessa informação.
Big Data não se resume a simplesmente leitura de dados em banco de dados, pois é possível consolidar dados de fontes diferentes, como sensores, webservices, sistemas legado e etc., sendo necessário não só uma infraestrutura técnica robusta, mas também uma sólida governança da informação.
Cloud Computing
Após gerar a massa de dados com IoT, processar esses dados e gerar informações com Big Data, é preciso disponibilizar essas informações para a imprensa, para os times participantes e para os fãs.
Para uma empresa tradicional, é comum um investimento inicial para montar um parque tecnológico particular para hospedar os seus sistemas internos e página de internet corporativa, e com o passar do tempo são feitos investimentos parciais para melhorias de componentes de hardware e software de acordo com o crescimento da empresa.
Como o Tour de France é um evento sazonal, e não uma empresa, os organizadores optaram por usar um modelo de computação em nuvem, evitando desperdício de tempo e recursos montando e mantendo toda uma infraestrutura somente para cuidar deste evento, bastando apenas contratar a estrutura necessária como se contrata um serviço online customizado.
Por exemplo: É comum contratar uma ambiente web de hospedagem para sua página da internet. Mais recentemente algumas empresas começaram a fornecer serviços online de reprodução de filmes e músicas. Cloud Computing oferece a possibilidade de você contratar ambientes computacionais completos capazes de hospedar e processar todos os seus sistemas corporativos de forma que você tenha acesso 24h por dia a esses recursos pela internet.
Mas Cloud Computing não é só isso. De acordo com o Gartner Group, cloud computing pode ser definido como “um estilo de computação no qual capacidades em TI escaláveis e elásticas são entregues como um serviço usando tecnologias de Internet. ”
Para ser definida como uma infraestrutura em nuvem (cloud), é preciso atender a cinco características fundamentais.
  • Serviços sob demanda: O contratante do serviço pode contratar recurso adicional para atender sistemas críticos, deixando o restante de suas necessidades para ambientes internos tradicionais ou com uma configuração reduzida. O Tour de France utilizou os servidores em nuvem para alguns serviços, mas o processamento Big Data, por exemplo, continuou tradicional.
  • Rápida Elasticidade – Os recursos dos servidores são compartilhados entre diversos consumidores, podendo, por exemplo, reduzir parte do recurso de processamento alocado para um serviço e aumentar para outro quando necessário.
  • Amplo acesso: os recursos podem ser acessados de diversas origens (celulares, laptops, tablets, etc.)
  • Estoque de Recursos: Se os recursos de hardware como processadores, memória ou espaço em disco se tornar insuficiente, os servidores podem ganhar upgrades de forma transparente para o consumidor.
  • Medição de serviço: Para garantir que a demanda de um serviço seja atendida automaticamente, todo o trafego de dados é monitorado para que o recurso seja redistribuído pró-ativamente.
Além de uma gestão diferenciada dos recursos de hardware, a gestão do parque de servidores como um todo é elevada a outro nível. Para se ter uma ideia, para o Tour de France foram disponibilizados diversos servidores em nuvem, localizados fisicamente em países diferentes.
A gestão desse parque garante que os processamentos dos dados e o consumo dos serviços contratados sejam distribuídos por um ou mais servidores simultaneamente, conforme necessidade, e o consumidor final da informação não percebe essa diferença.
Com esse ambiente, os organizadores afirmam que a página web do evento está preparada para suportar 17 milhões de visualizações com 2 mil requisições de pagina por segundo.
Transformando os ingredientes em receita
O que torna o Tour de France 2015 especial não está apenas nos ingredientes, e sim na receita completa.
Um evento como esse não existe margem de erro. É preciso ter controle absoluto de todas as informações, de forma segura e em tempo real para que se torne uma informação confiável.
Individualmente é fácil perceber o valor de cada uma das tecnologias apresentadas, entretanto, existem fatores que influenciam diretamente na viabilidade de se utilizar tais recursos.
O evento percorre três países diferentes por áreas como montanhas e estradas isoladas. Não é possível contar com uma rede de dados pré-existente em ambientes assim, por isso, foi necessário construir a sua própria rede de comunicação móvel.
Utilizando veículos terrestres e aéreos como roteadores, a informação é transmitida da bike do competidor para carros e helicópteros que acompanham a prova e os pelotões, é repassada ao big data truck para processamento e por sua vez enviada os servidores cloud.
Essa complexa rede garante para os organizadores um controle total sobre os dados gerados, com protocolos de comunicação seguros, reduzindo assim a chance de uma interferência maliciosa. É melhor investir nessa segurança do que correr o risco de cair em descrédito perante os fãs apresentando dados duvidosos.
A experiência dos Participantes
Todo o esforço e investimento financeiro para tornar tudo isso realidade tem um único objetivo: Melhorar a experiência dos participantes do evento, sejam eles expectadores, atletas ou imprensa.
Para garantir acesso as informações geradas, foram disponibilizados aplicativos para celular e tablet, jogos interativos ligando realidade e fantasia, relatórios informativos diários enviados automaticamente e um portal web para acompanhar as provas em tempo real.
"A tecnologia permitirá os fãs de ciclismo acompanhar a corrida de maneiras que nunca fui capaz antes. Até agora era difícil entender o que estava acontecendo lá fora somente acompanhando a cobertura televisiva ao vivo. A capacidade de seguir os pilotos, obter informações precisas sobre os pilotos e seu grupo, e ver a velocidade em tempo real são apenas algumas das inovações que serão realizados através desta solução. Durante as três semanas de corrida, estaremos lançando uma série de novos recursos, incluindo um beta site de rastreamento ao vivo. "Jeremy Ord, CEO da Dimension Data.
Conclusão:
O Tour de France é um evento de proporções globais, e nos trouxe um caso de sucesso incrível para vislumbrarmos na prática o poder das novas tecnologias de mercado.
Hoje, como dito anteriormente, cada smartphone se torna uma ferramenta de geração de informação através de sensores nativos ao aparelho (gps, barômetro, acelerômetro, câmeras, voz). Com o desenvolvimento de app mobile aderente ao seu negócio, cada cliente se torna um gerador de informação em potencial para melhorar o próprio serviço que está consumindo.
A receita utilizada no evento, somando IoT, Big Data e Cloud já estão disponíveis hoje para que qualquer organização tenha acesso. A empresa Memora Processos Inovadores, além de produzir resultados com IoT com o app Beekme, também é parceira Platinum Oracle, empresa líder de mercado em produtos de Cloud Computing e Big Data.
Parabéns aos organizadores do evento pelo excelente trabalho e obrigado pela oportunidade de pensarmos em formas de evoluir negócios existentes ou criarmos novas soluções aos clientes.
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Referências:
http://www.letour.com/le-tour/2015/us/
http://blog.dimensiondata.com/2015/06/tourdefrance2015/
http://cyclingtips.com.au
http://www.nojitter.com
https://dialogoti.intel.com/sites/default/files/documents/90318386_1.pdf
www.gartner.com/it-glossary/
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