Inteligência competitiva para o Brasil acordar

Ao escrever “a promoção e a inteligência comercial serão reforçadas com atuação em 32 países estratégicos e por meio de um forte apoio a pequenas e a médias empresas potencialmente exportadoras”, o ministro dá um alento, um sinal bastante importante para o mercado

Há poucos dias atrás o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto, escreveu um artigo para Folha, “Mais Brasil no mundo” (24/6/2015), onde pela primeira vez um ministro na era “PT” utilizou a expressão “inteligência comercial” para descrever uma ação do Governo em apoio a pequenas e a médias empresas potencialmente exportadoras.

Neste 2015, o Brasil atingiu a sua pior marca no ranking da competitividade divulgado pelo “World Competitiveness Yearbook 2015”, publicado pelo IMD desde 1989, que analisa 61 países. A Fundação Dom Cabral – FDC é a responsável pelos dados brasileiros.

O Brasil, ficou na 56ª. Posição, à frente somente da Mongólia, Croácia, Argentina, Ucrânia e Venezuela. Em 2014, o Brasil ficou em 54ª. lugar.

A piora não é recente. Desde 2010 a queda brasileira se deve a economia. Em seis anos, o índice de competitividade do país, caiu 20%, distanciando o Brasil, das nações mais competitivas, como EUA, Hong Kong, Cingapura e Suíça, as primeiras da lista.

Entre os países latino-americanos, o Chile (e sempre o Chile) se mantém na melhor posição (35º. lugar), seguido do México (39º.lugar). Entre os asiáticos, destaque para Malásia (14ª. lugar) e China (22ª.lugar).

Em seu artigo, o ministro destacou que “o mercado internacional nos oferece mais oportunidades que ameaças. Existe um PIB (Produto Interno Bruto) equivalente a 32 "Brasis" além de nossas fronteiras, onde se encontram 97% dos consumidores do planeta. É olhando para esse mundo de oportunidades que o governo coloca no centro da agenda para retomada do crescimento um Plano Nacional de Exportações”.

Porém se o Brasil não tem uma política industrial, para manter sua indústria em condições de competir, quer no mercado interno, como competir no mercado externo?

Em outro trecho do artigo, o ministro descreve “temos muito espaço para crescer. O Brasil é a sétima economia do mundo, mas alcança apenas o 25º lugar no ranking global de exportações. Um dos pilares essenciais é a ampliação do acesso a mercados para os nossos produtos”.

É fato, precisamos buscar maior inserção nos fluxos comerciais do mundo, em especial com as regiões de maior dinamismo econômico. Mas certamente não será com investimentos na Bolívia, Cuba e Venezuela.

Ainda que se fale de acordos de cooperação com México, Angola e Moçambique, Colômbia, Peru e até mesmo Chile, sabe-se que ainda em sua maioria ainda estamos falando de exportar matéria prima e nada de produtos de valor agregado. Ou seja, exportamos produtos “baratos”, para depois “importamos”, produtos “acabados”, por vezes dos mesmos países que exportamos, como a China, só que por preços muito mais altos.

Como o Brasil, pouco investe em pesquisa e desenvolvimento e só copia e nada cria, em termos de produtos e serviços, levamos uma enorme desvantagem em termos de balança comercial, que o agronegócio, precisa todo o ano nos socorrer para nos salvar.

Viva a Inteligência

Mas nem tudo está perdido. Oriundo da Confederação Nacional da Indústria, o ministro sabe o que é a competitividade com países com empresas determinadas a competir com qualidade, preço, entrega no prazo e acima de tudo com profissionalismo. China já foi exemplo. Hoje é a Coréia do Sul, em produtos, educação e tecnologia.

Ao escrever “a promoção e a inteligência comercial serão reforçadas com atuação em 32 países estratégicos e por meio de um forte apoio a pequenas e a médias empresas potencialmente exportadoras”, o ministro dá um alento, um sinal bastante importante para o mercado.

Espero que a CNI, FIESP e muitas Associações Comerciais, Agronegócio, entre outras, deixem de fazer (só) política para trabalhar pelos seus associados no campo da promoção comercial, da inteligência competitiva, para que as empresas do Brasil possam competir cada vez mais, para ganhar mercados, e não ficar perdendo mercados, inclusive no Brasil.

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