INSS: Rombo ou Roubo?

- Prof. Carlos Alberto Maroueli - Por meio de raciocínio simples e cálculos rápidos, o professor Maroueli desmascara a farsa do "déficit" da Previdência Social. Afinal, a Previdência é uma poupança para segurança futura ou uma pirâmide fadada ao colapso? Será que o montante de dinheiro que sai, na forma de benefícios é, realmente, menor do que aquele que entra na forma de contribuições? Acompanhe os cálculos e tire suas próprias conclusões.

INSS: ROMBO OU ROUBO?
- Pelo Prof. Carlos Alberto Maroueli –

A farsa do déficit da Previdência social, desmascarada com um simples cálculo.

Se você, caro leitor, não tem tempo nem paciência para ler um textão, vou facilitar sua vida e inverter as coisas, colocando já aqui no início a conclusão da minha tese, indo direto ao ponto, sem rodeio e sem medo de contar o final do filme. Afinal, quando o assunto é previdência, sabemos que se trata de um longa metragem de terror, com surpresas infinitas.

Pois bem, já começo afirmando que NÃO. A Previdência não é deficitária e muito menos está quebrada.

E digo mais. Quebrar a previdência é IMPOSSÍVEL. Desde que, obviamente, haja boa gestão. Mas disso falaremos depois.

Agora veja um resumo dos cálculos!

Se um trabalhador que ganha salário mínimo (R$937,00) sua contribuição mensal para o INSS será de R$249,65 equivalente 26,58%, dos quais R$61,65 são descontados do próprio trabalhador (6,58%), e R$187,40 pagos pelo empregador (20% a título de "INSS Patronal").

Agora veja! Se o trabalhador, ao invés de "contribuir" com o INSS depositar mensalmente esse mesmo valor na Caderneta de Poupança, depois de 360 meses (30 anos) anos terá capitalizado um patrimônio de mais de 350 mil reais, mesmo considerando o péssimo rendimento atual da poupança, que atualmente gira em torno de 0,654% ao mês (pouco mais de meio por cento). Ainda assim, esse patrimônio será suficiente para que o trabalhador possa "viver de juros", tendo uma renda mensal, vitalícia, de aproximadamente R$2.250,00, Bem mais que o minguado salário mínimo.

E se ele tiver começado a trabalhar aos 20 anos de idade, isso acontecerá aos 50 anos e não aos 65.

Pois bem, em resumo é isso. Se não tem tempo, não precisa ler o resto do "textão". Mas, se quiser entender melhor a situação, então fique à vontade para ler até o final, conhecendo os fundamentos que embasam esta minha despretensiosa reflexão.

Boa leitura!

Em meio a tanta polêmica com relação a tal “reforma da previdência”, temos sido bombardeados com números, estatísticas e discursos cada vez mais mirabolantes que tentam provar (e justificar) que a Previdência não consegue honrar seus próprios compromissos.

Aliás, quando o assunto é INSS a palavrinha que mais ouvimos é “déficit”, que em economês significa: “aquilo que falta para completar determinada quantidade de numerário ou para inteirar uma conta”, ou ainda, em financeirês é a “diferença entre o que foi previsto para atender a certa demanda e o que existe na realidade”.

Mas, será que existe realmente algum déficit na Previdência Social?

Muita gente qualificada contesta esse tal “rombo”. Uma dessas pessoas é a professora de economia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Denise Gentil, segundo a qual “o chamado rombo da Previdência não passa de uma mentira construída a partir dos mais variados artifícios financeiros”. Sua tese é bem sólida, baseada em números concretos e contém argumentos difíceis de refutar.

Bem, eu concordo e me sinto suficientemente convencido com o trabalho apresentado pela professora. Mas, como gosto de tirar minhas próprias conclusões, resolvi também elaborar o meu raciocínio.

Desde já, devo esclarecer que não pretendo abordar aqui questões relativas a desvios, sonegações, corrupção e nem as famigeradas "desonerações" concedidas. Tampouco vou me atrever a discutir como o dinheiro está sendo gasto. Vou me ater somente a um aspecto bem mais prosaico que consiste em saber, afinal, quanto de contribuição é necessário para o pagamento dos benefícios, sem que haja déficit.

Melhor dizendo, quantas pessoas precisam pagar para que cada aposentado possa receber sem que isso coloque as contas no vermelho?

Como eu não fiz nenhum estudo tão profundo relativo ao assunto, optei por seguir um caminho bem mais curto e fazer uma análise rápida, por meio de cálculos que, apesar de simples, a meu ver se mostraram bem eficazes.

Aliás, qualquer um pode fazê-los por conta própria, em casa, bastando uma calculadora ou uma planilha do Excel. Os resultados obtidos são bem interessantes, para não dizer revoltantes.

Antes de falarmos de números, no entanto, temos que entender que, conceitualmente, a Previdência é uma "poupança" e como tal deveria ser administrada e conduzida.

Enfim, aquilo que você colocou lá, durante toda uma vida de trabalho árduo, deveria retornar para você em forma de um "benefício" de seguridade social (aposentadoria).

Mas o que acontece com a nossa Previdência? Por que dizem que ela está "quebrada" e ainda afirmam que a situação vai piorar?

O que acontece é que os governos não administram a Previdência como ela realmente é (uma poupança), mas sim como um gigantesco esquema de "pirâmide". E nós sabemos muito bem como todas as pirâmides acabam.

Numa "pirâmide" só haverá sustentabilidade financeira enquanto o número de pessoas pagando for muito maior do que o número de pessoas recebendo, mas isso é impossível de acontecer infinitamente, pois o número de pessoas é limitado.

E o governo consegue ser tão "cara de pau", ou acha que somos tão tolos, que chega a admitir isso publicamente, toda vez que toca na questão demográfica, ou seja, a proporção de contribuintes ativos para cada beneficiário aposentado.

Vamos revisar alguns números e argumentos:

Dizem que na década de 50 havia 12 trabalhadores na ativa (contribuindo), para cada aposentado (recebendo), e que essa proporção caiu para 9 ativos para cada aposentado na década de 70 e hoje estaria em 6 para 1.

Dizem, também, que em 2050 essa proporção pode chegar a 4 para 1, sendo que os mais pessimistas afirmam que chegará a 2 para 1.

As estatísticas com relação a este assunto são bastante divergentes, dependendo da fonte. Há quem afirme que já estamos na situação de 2 para 1, e essa seria a razão do tal déficit.

Parece um quadro terrível, não é mesmo? Afinal, se na proporção atual, seja ela qual for, já há esse imenso “rombo” nas contas, imagine como ficará no futuro.

Mas, será mesmo que as contribuições são menores que os benefícios?

Quantas contribuições, ou seja, quantos trabalhadores (na ativa) são necessários para manter um aposentado?

Sempre pensei que a resposta para essa pergunta nunca poderia ser maior que um, afinal, todo e qualquer sistema onde seja necessário haver duas ou mais pessoas contribuindo para cada um que estiver recebendo é, como já dissemos, uma PIRÂMIDE.

E essa nossa "pirâmide previdenciária" só não ruiu há mais tempo por um simples fato: muitos dos "recebedores" morreram antes de atingir a idade de começar a receber.

E já que não sou nenhum “especialista” no assunto, decidi simplesmente tomar a liberdade de ignorar todos esses argumentos e elaborar a minha própria tese, fazendo, para tanto, uma projeção da forma que considero a mais segura.

Depois de algum tempo na profissão de administrador, aprendi que, às vezes, é mais prudente e eficaz, imaginar qual seria o pior cenário possível e, a partir dele verificar as situações hipotéticas e ações a serem tomadas. Ou seja, se você consegue sobreviver no pior cenário, certamente terá mais sucesso nos melhores.

Mas qual seria o pior cenário da previdência?

A pior situação possível seria aquela aonde a proporção de contribuinte por beneficiário estivesse na razão de 1 para 1, ou seja, um contribuinte para cada beneficiário.

Observação importante: Conceitualmente não dá para ficar pior que isto, pois, em tese, esta seria a situação limite, na qual você contribuiria para você mesmo, no futuro, como

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